Chinesa é condenada a trabalho forçado por tweet contra o Japão

Ativista de direitos humanos, Cheng Jianping teria incitado vandalismo contra pavilhão japonês em Exposição Mundial de Xangai

BBC Brasil |

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A China condenou a um ano de trabalho forçado uma mulher que enviou uma mensagem anti-japonesa através do serviço de microblogging Twitter.

Cheng Jianping, de 46 anos, que também participa de atividades em defesa dos direitos humanos na China, mandou seu tweet em meados do mês passado, em plena crise diplomática envolvendo os dois vizinhos asiáticos.

A mensagem era o reenvio de um post anterior, que conclamava cidadãos chineses a vandalizar o pavilhão japonês na Exposição Mundial de Xangai. Na época, China e Japão trocavam farpas em torno da possessão das ilhas Diaoyu, ou Senkaku, que ficam em território disputado.

Jovens chineses fizeram protestos nos quais destruíram publicamente produtos japoneses.

O noivo de Cheng, Hua Chunhui, disse à BBC que o tweet ridicularizava os manifestantes e dizia que, se fossem sérios, atacariam o pavilhão japonês na Expo Shagai. Segundo Hua, a mensagem foi originalmente postada por ele e apenas reenviada por Cheng.

Detida dez dias após o envio da mensagem por "perturbação da ordem pública", ela foi condenada e enviada para um campo feminino de trabalhos forçados em Zhengzhou, na província de Henan.

Rigor

Segundo o correspondente da BBC em Pequim, Damian Grammaticas, Cheng se destaca localmente por seu envolvimento com atividades em favor dos direitos humanos.

Ela já havia sido detida pela polícia em outras ocasiões por se envolver com manifestações que incluíram as que levaram aos protestos na Praça da Paz Celestial, em 1989, e uma petição pela libertação do prêmio Nobel da Paz deste ano, Liu Xiaobo.

O mais recente episódio ilustra o rigor com que a China vigia as informações que circulam na internet, diz o repórter da BBC. O Twitter é oficialmente bloqueado no país, mas muitos chineses conseguem contornar as restrições e fazer uso da tecnologia.

Para Grammaticas, as autoridades chinesas temem que a rede seja usada para promover manifestações contra o regime – da mesma forma como, segundo a Justiça do país, fora usada no caso de Cheng para incentivar ações contra o Japão.

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