China está preocupada com protestos árabes e tenta parar a História, diz Hillary

Secretária de Estado americana descreve atuação do governo chinês em direitos humanos como 'deplorável', mas insiste em cooperação

BBC Brasil |

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A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse em uma entrevista publicada nesta terça-feira que a China está preocupada com os protestos por democracia que se espalham por vários países árabes e muçulmanos e está tentando “parar a História” ao resistir a mudanças semelhantes.

“Eles estão preocupados e estão tentando parar a história, o que é uma tarefa inútil. Eles não podem fazer isso. Mas eles vão resistir o quanto puderem”, disse a secretária em entrevista à revista americana The Atlantic.

Hillary respondia a perguntas sobre a recente onda de manifestações por democracia em diversos países árabes e muçulmanos no Oriente Médio e no norte da África desde o ano passado.

Na entrevista, a secretária também descreveu a atuação do governo chinês na área de direitos humanos como “deplorável”, mas afirmou que mesmo assim os Estados Unidos buscam uma maior cooperação com o país.

“Nós não deixamos de lidar com a China porque nós achamos que eles têm um registro deplorável em direitos humanos”, afirmou. “Fazemos negócios com muitos países cujos sistemas econômicos ou políticos não são do tipo que planejaríamos ou escolheríamos para viver. E nós temos encorajado consistentemente, tanto publicamente quanto privadamente, reformas e reconhecimento e proteção aos direitos humanos.”

Críticas

As declarações da secretária foram divulgadas no segundo dia de um encontro entre autoridades americanas e chinesas, realizado em Washington, com o objetivo de aprofundar a cooperação bilateral.

Apesar de ter foco principalmente na economia, o encontro acabou marcado pela questão dos direitos humanos. Os comentários de Hillary ecoam críticas recentes de outras autoridades americanas à atuação do governo chinês.

Na segunda-feira, durante a abertura do Diálogo Estratégico e Econômico Estados Unidos-China, o vice-presidente americano, Joe Biden, já havia mencionado a questão. “Temos uma forte discordância na área de direitos humanos”, disse Biden, na sessão de abertura do evento que conta com a presença do vice-premiê da China, Wang Qishan, e do conselheiro de Estado chinês, Dai Bingguo. “Nós fizemos notar nossa preocupação com a recente repressão na China, incluindo ataques, prisões e desaparecimento de jornalistas, advogados, blogueiros e artistas”, afirmou o vice-presidente americano.

Em entrevista ao programa The Charlie Rose Show, do canal de TV público americano PBS, o vice-premiê chinês disse que os americanos não têm uma compreensão ampla da China. “Não é fácil realmente conhecer a China, porque a China é uma civilização antiga e temos uma cultura oriental”, disse Wang.

Moeda

Apesar das divergências na área de direitos humanos, Estados Unidos e China assinaram acordos de cooperação nas áreas de comércio e investimento.

Durante as discussões em Washington, um dos pontos de debate entre as autoridades dos dois países é a questão do câmbio chinês. Os Estados Unidos pressionam a China a permitir a valorização de sua moeda, o yuan, em relação ao dólar.

Os americanos afirmam que o yuan está artificialmente desvalorizado, o que aumenta a competitividade das exportações chinesas e prejudica outros países, entre eles os Estados Unidos, que ainda se recuperam lentamente do período de recessão.

A preocupação em relação à moeda chinesa ganhou força nesta terça-feira com a divulgação de novos dados sobre a balança comercial chinesa. Em abril, a China registrou superávit de US$ 11,4 bilhões em seu comércio internacional, bem acima dos US$ 3 bilhões previstos por analistas.

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