Chávez mantém planos de disputar reeleição, diz vice

Elias Jaua volta a dizer que não assumirá governo formamente porque líder que sofre de câncer continua no comando

BBC Brasil |

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O vice-presidente da Venezuela, Elias Jaua, disse nesta sexta-feira que o presidente Hugo Chávez está em "plenas condições" para continuar seu mandato e concorrer à reeleição presidencial em 2012. "Hugo Chávez será o candidato presidencial do povo revolucionário para as eleições", afirmou Jaua - que está à frente do governo desde que o presidente adoeceu - em entrevista ao canal estatal Telesul.

Chávez anunciou, na noite de quinta-feira, ter sido submetido a uma cirurgia em Cuba para retirar um tumor cancerígeno na região pélvica. O estado de saúde dele não apenas surpreendeu a Venezuela como evidenciou a falta de lideranças consolidadas no país e colocou em dúvida a capacidade do presidente em tentar um novo mandato no pleito do ano que vem.

Reuters
Partidário de Chávez escreve em faixa de apoio ao líder durante manifestação em Caracas (1º/07)

Jaua voltou a afirmar que Chávez continua no comando da Venezuela e que não há necessidade de que o vice assuma o governo. "O presidente exerce seu mandato estratégico e o executa através do vice-presidente, que no nosso caso não é para aplicar uma substituição temporal ou absoluta, e sim para desenvolver tarefas específicas de coordenação", afirmou.

A oposição pressiona para que o presidente venezuelano abandone formalmente a Presidência, sob argumento que ele não pode governar a partir de Havana.

Minutos depois da fala do vice, Chávez voltou a dar declarações, dessa vez via telefone, em um programa da TV estatal cubana. Na conversa, o venezuelano deu mais detalhes sobre a descoberta do câncer e disse que o ex-líder cubano Fidel Castro o salvou. "Se não fosse por Fidel, quem sabe onde e em qual labirinto eu estaria hoje", afirmou.

Chávez relatou que depois que Fidel lhe deu a notícia do diagnóstico de câncer, apresentou um "plano", com variáveis, riscos e consequências. "Ele disse: Chávez, aqui não há outra saída (...), tem que fazer (a operação)", afirmou.

Manutenção da ordem

Em meio à comoção pelo anúncio de Chávez, as Forças Armadas venezuelanas pediram calma nesta sexta-feira, ao afirmar que "defendem" e "garantem" a manutenção da ordem no país.

O general Henry Rangel Silva, chefe do Comando Estratégico Operacional, disse que esteve em Havana para conversar com o presidente venezuelano e que Chávez "está se recuperando satisfatoriamente".

"Vimos nosso comandante com uns quilos menos, mas de pé", disse.

Nesta sexta-feira, a emissora estatal de TV venezuelana VTV divulgou um vídeo de uma reunião de trabalho entre Chávez e integrantes de seu gabinete, realizada no último dia 29, em Havana. No início do encontro, Chávez disse que, "como obrigação revolucionária", deve recuperar plenamente sua saúde.

Rosto abatido

Apesar dos boatos que já indicavam que Chávez estava batalhando contra um câncer, a aparência abatida do presidente preocupou a população. "O rosto dele disse que as coisas não estão bem, não tinha a mesma voz forte de sempre", afirmou à BBC Brasil o estudante Julio Hernandez, em uma praça no leste de Caracas.

Depois das duas cirurgias para retirada de um tumor na zona pélvica, Chávez deve continuar recebendo tratamento em Havana para eliminar totalmente as células cancerígenas que foram encontradas. Por enquanto, ainda não se sabe quando Chávez retornará a Caracas.

Na última madrugada, dezenas de simpatizantes do governo fizeram uma "vigília" no centro de Caracas em demonstração de solidariedade ao presidente, que pela primeira vez se ausenta do país por um longo período em seus doze anos de governo.

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