Após encontro com Lula em Brasília, venezuelano lembra que em plebiscito de 2009 população de seu país apoiou reeleição ilimitada

AP
Chávez com Lula após receber dele camiseta da seleção assinada por jogadores
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse nesta quarta-feira que não tem previsão de quando deixará o poder, afirmando que permanecerá no cargo enquanto essa for a "vontade" de seu povo. "Vocês conhecem nossa Constituição, e a Constituição é a vontade de um povo", disse Chávez, logo após um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília.

Questionado sobre quando deixaria o governo, Chávez respondeu: "Sei lá". "Se o povo e o partido decidirem que devo ser candidato novamente, vamos ver", acrescentou, lembrando que a Venezuela terá eleições presidenciais em 2012.

Chávez disse ainda que o Brasil terá, em breve, "um novo presidente ou presidenta", mas que no caso da Venezuela, sua sucessão não está prevista. "Onde é que está previsto isso? Não tenho sucessor previsto", disse o chefe de Estado venezuelano, que está há 12 anos no cargo.

Questionado sobre a possibilidade de sua permanência no cargo prejudicar a democracia no país, Chávez disse que é preciso "respeitar as particularidades de cada país". Em um plebiscito realizado em 2009, os venezuelanos aprovaram a reeleição ilimitada no país.

'Subordinação'

Chávez aproveitou o encontro bilateral para elogiar o governo Lula, que, segundo ele, encerrou uma fase de "subordinação brasileira às pressões de Washington". Lula e Chávez elogiaram a aproximação entre os dois países que, de acordo com os líderes, "praticamente não existia" antes de seus governos.

"Fizemos em oito anos o que nunca foi feito em dois séculos", disse o presidente da Venezuela. Essa é a 17ª reunião bilateral entre Lula e Chávez desde 2003.

O presidente da Venezuela evitou fazer comentários sobre as eleições de outubro. Mais cedo, porém, na saída do hotel, Chávez manifestou sua simpatia pela pré-candidata do PT, Dilma Rousseff. "Meu coração está com Dilma. Um beijo, Dilma", disse o líder venezuelano.

Paraguai

Sobre o conflito na fronteira entre Brasil e Paraguai, o presidente Lula disse que pretende discutir "algumas medidas" com seu colega, Fernando Lugo, em um encontro agendado para segunda-feira, em Ponta Porá (MS). "Quero conversar muito seriamente com o Lugo sobre que está acontecendo na fronteira", disse Lula.

"Acho uma insanidade alguém achar que, usando a violência, vá colocar medo no Estado brasileiro e no paraguaio", acrescentou. Um dos assuntos em pauta deverá ser a revisão do refúgio a três militantes de esquerda paraguaios, concedido pelo governo brasileiro, em 2003. Desde então, o governo paraguaio vem contestando a decisão.

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