Centenas de brasileiros ficam presos em Lisboa devido à nuvem vulcânica

Turistas esperam voos em aeroporto enquanto tráfego aéreo não é normalizado

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Adevid Araújo aguarda no aeroporto
Centenas de brasileiros ficaram sem poder viajar de avião por causa da nuvem de cinzas resultante da erupção do vulcão da geleira de Eyjafjallajokull, na Islândia, que fez com que o espaço aéreo português fosse fechado na noite do último domingo.

O aeroporto de Lisboa é o principal ponto de chegada e de saída de brasileiros na Europa, com 60 voos semanais para aeroportos do Brasil.

Na manhã de segunda-feira, milhares de pessoas estavam no aeroporto aguardando que a situação se normalizasse para voarem.

"Eu já perdi entre mil e 1,5 mil euros com o atraso. Tinha a agenda cheia para hoje, terça e quarta", conta o engenheiro mecânico, que estava em Lisboa em trânsito, no caminho entre a Alemanha e o Recife.

"Cheguei ontem de Paris e o voo era para sair às 16h, mas remarcaram para as 23h50. O espaço aéreo fechou e agora não sei quando viajo. Isso aqui está o caos total", disse.

A caminho da cidade de Santos, no litoral de São Paulo, Jurema Cavaleiro e o marido tiveram de dormir sentados nas cadeiras do aeroporto.

"Estou no aeroporto desde ontem (domingo) à noite. Eu e meu marido dormimos em uma cadeira. Quando fomos pedir um hotel, disseram que cada um que se vire", diz Jurema, que pretendia embarcar no voo de domingo para São Paulo. "Eu perdi uma consulta de acompanhamento de uma doença que eu tive, que estava marcada para as 10h. Deus permita que a gente consiga um lugar para o retorno", disse.

'Morar no aeroporto'

Junto com mais três amigas, a advogada pernambucana Desirré Müller tinha ficado dois dias passeando em Lisboa antes de ir para Paris. "Estamos em férias, vamos tirar um mês. Chegamos ao aeroporto às 7h da manhã e às 11h soubemos que nosso voo das 9h30 estava cancelado. Agora não sabemos o que vamos fazer, estamos sem hotel e sem avião. Vamos morar no aeroporto, montar acampamento", brinca.

Já a estudante Paula Raniella, de 25 anos, além das consequências da nuvem de cinzas, teve que enfrentar o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras de Portugal.

"Cheguei ontem às 10h45 do Recife e tinha comigo um convite para ir à Suíça em um voo para Zurique às 15h40. Eles pegaram minha carta-convite e meu passaporte e só devolveram às 16h. Depois, eu fiquei presa em Lisboa por causa da nuvem e o voo das 8h da manhã foi cancelado", diz.

"Agora há 200 pessoas na minha frente para conseguir um lugar nos voos. Está mais fácil conseguir um lugar de volta para o Brasil", conta Paula, que pretende passar três meses com seu namorado na Suíça.

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