Casal brasileiro fica isolado na Argentina por cinzas de vulcão

Harmonny Souza e Vinícius Macedo foram a Bariloche com expectativa de ver neve, mas acabaram vendo apenas cinzas de vulcão chileno

BBC Brasil |

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O casal de brasileiros Harmonny Souza, 22 anos, e Vinícius Macedo, 23, está na cidade turística de São Carlos de Bariloche, no sul da Argentina, sem poder retornar para casa por causa dos efeitos das cinzas do vulcão do complexo Puyehue-Cordón Caulle, no Chile, que entrou em erupção no sábado.

Harmonny disse à BBC Brasil, por telefone, que a energia elétrica retornou somente no início da tarde desta terça-feira à cidade, onde há pouca presença de brasileiros. O setor de turismo espera maior presença dos viajantes a partir de julho, quando começa a temporada oficial de neve na região da Patagônia argentina.

Arquivo pessoal de Harmonny Souza
os brasileiros Vinícius Macedo e Harmonny Souza estão retidos em Bariloche por nuvem de cinzas de vulcão do Chile
"Chegamos aqui no dia 1º e voltaríamos no dia 9, mas a (companhia aérea) Aerolíneas Argentinas nos avisou que não haverá voos pelo menos até domingo", disse Harmonny. Segundo ela, moradores da cidade disseram que a última nuvem de cinzas demorou mais de um mês para ser dissipada, quando o mesmo complexo vulcânico entrou em erupção, em 1960.

"Estamos economizando o máximo possível, porque não sabemos se poderemos voltar pra casa no domingo ou não. Estamos ligando para o seguro para saber como podem arcar com nossos gastos", disse.

Cinzas no lugar da neve

Harmonny disse que ela e o namorado chegaram com a expectativa de ver neve, mas que acabaram vendo apenas as cinzas do vulcão acumuladas nas ruas e tetos das casas e hotéis. "A nossa impressão aqui é que parece que houve uma ressaca, como aquelas do mar de Copacabana, e a areia invadiu tudo. Só que a areia aqui é cinza. Mas todo mundo tira fotos porque é um fenômeno muito diferente do que os moradores também estão acostumados", afirmou.

Harmonny é chefe de cozinha, e começaria seu mestrado na próxima semana em uma universidade de Niterói (RJ), onde reside. "Estamos torcendo para poder embarcar no domingo mesmo.Tenho de começar a estudar e meu namorado, que é aeroviário, trabalha na semana que vem, depois das férias", disse.

Ela afirma que poucas pessoas circulam nas ruas de Bariloche, e as cinzas não provocaram nada de diferente à sua saúde. "Estamos muito bem, sem problemas, tranquilos, somente torcendo para que tudo aqui volte a funcionar e possamos passear e voltar para casa na data prevista."

Harmonny diz que, na dúvida, ela e o namorado pegarão de volta o dinheiro dos passeios turísticos pelos quais pagaram antecipadamente e que foram suspensos. "Ontem, vimos várias pessoas aqui de máscara nas ruas, mas hoje parece que está mais calmo", afirmou.

O casal considerou a possibilidade de viajar para Buenos Aires de ônibus e, a partir da capital argentina, embarcar em um voo para o Rio de Janeiro. "Mas isso não adianta, porque as estradas também estão bloqueadas com as cinzas", disse. Ela e o namorado eram os únicos brasileiros no hotel Premier, no centro de Bariloche.

Áreas afetadas

Além de Bariloche, que está a cerca de 90km do vulcão, as localidades de San Martín de Los Andes, a cerca de 100 km, e Villa Angostura, a 40 km, também foram afetadas. O governador da Província de Neuquén, Jorge Sapag, disse que as aulas já foram retomadas em San Martín de Los Andes, mas que o mesmo não ocorreu em Villa Angostura, que continuava sem luz na manhã desta terça-feira.

"Em Villa Angostura, faltou água e temos de abastecer casa por casa com um caminhão de água. No entanto, a situação está sob controle. Não há ninguém internado e a água é potável", disse.

O governador afirmou que as cidades turísticas deverão retomar à normalidade nos próximos dias e a situação não é pior porque a temporada ainda não começou. "Até lá, tudo estará normal", disse.

No momento, todos os aeroportos da região da Patagônia argentina estão fechados, segundo informa a mídia local. Nesta manhã, mais de 60 voos foram cancelados nos aeroportos de Aeroparque e Ezeiza, os dois principais de Buenos Aires. As cinzas atingiram mais de dez províncias da Argentina.

Por temor dos efeitos do vulcão, as companhias tinham começado a suspender por iniciativa própria seus voos, inclusive para o Brasil e os Estados Unidos, na noite dessa segunda-feira.

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