Candidatos de oposição brigam pelo segundo lugar em eleição argentina

Com favoritismo de Cristina Kirchner, adversários têm poucas esperanças e tentam evitar derrota no Congresso

BBC Brasil |

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Na reta final para a eleição presidencial deste domingo, com as pesquisas indicando o favoritismo da presidente Cristina Kirchner, os candidatos da oposição apostam suas fichas na disputa pelo segundo lugar com poucas esperanças de que haverá um segundo turno.

A força da presidente nas urnas fez, nos últimos dias, os três principais candidatos da oposição repetiram a mesma frase: 'Estou em segundo lugar'".

Foi o caso de Ricardo Alfonsín, do Udesco, de Hermes Binner, da Frente Ampla Progressista (FAP), e de Alberto Rodríguez Saá, do Compromisso Federal. "Estou em segundo e disputarei o segundo turno", disse Saá, que é governador da província de San Luis.

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Hermes Binner, candidato do partido Frente Ampla Progressista (FAP) à presidência da Argentina, faz discurso em La Plata (18/10)

O analista político TV TN (Todo Noticias), Adrián Ventura, disse, no entanto, que "tudo indica que Binner ficará em segundo", devido a seu menor índice de rejeição popular.

Numa entrevista com correspondentes estrangeiros, Binner, que é governador da província de Santa Fé, disse acreditar que há chances de derrotar a atual presidente: "Se a eleição estivesse definida, então deveríamos perguntar para que realizá-la".

A expectativa no entanto, é de que Cristina Kirchner chegue a ser eleita no primeiro turno, neste dia 23 de outubro. Para ser eleito no primeiro turno, o candidato deve receber pelo menos 45% dos votos válidos ou receber pelo menos 40% da votação válida e 10% de vantagem em relação ao segundo candidato mais votado.

Nas eleições primárias de agosto, Cristina Kirchner teve trinta pontos a mais que os demais presidenciáveis. As primárias foram definidas como uma "pré-eleição", já que os eleitores de todo o país foram às urnas para votar no candidato de sua preferência e não apenas no candidato de seu partido, como normalmente ocorre numa primária.

Foi o resultado desta eleição de agosto que levou os opositores a entenderem que Cristina Kirchner deverá ter mais votos que eles neste domingo e podendo até ser eleita, já neste primeiro turno.

Congresso

Os opositores também intensificaram a campanha para tentar evitar uma possível derrota no Congresso Nacional. Atualmente, a oposição tem maioria na Câmara e o governo maioria no Senado.

Alfonsín, filho do ex-presidente Ricardo Alfonsín (1983-1989), pediu que os eleitores deem seu voto para que a oposição possa "controlar o governo no Congresso". "Se não formos eleitos para a Presidência pelo menos devemos ser fortes no Congresso", afirmou.

Na mesma linha , o deputado da oposição Adrián Pérez, candidato a vice na chapa da Coalición Cívica (CC) disse que "devemos pelo menos trabalhar para evitar que o governo tenha maioria no Congresso".

No próximo domingo, além de escolher o presidente, os eleitores também irão renovar parte da Câmara dos Deputados e o Senado, além de alguns governos e legislaturas provinciais.

Crescimento econômico

Entrevistados pela BBC Brasil, os deputados da oposição Adrián Pérez, da Coalición Cívica, e Federico Piñedo, do PRO ( Propuesta Republicana), apontaram no crescimento da economia e na fragmentação da oposição como fatores "decisivos" para explicar o favoritismo de Cristina. "Existe uma grande possibilidade de que o governo vença e com comodidade", afirmou Pérez. "O país está crescendo fortemente há quase oito anos e gerando maior consumo".

Para Pérez,os eleitores avaliam que o governo Kirchner "enfrentou bem" a crise de 2008 e que estaria pronto para outros momentos de insegurança, apesar dos possíveis efeitos da crise internacional na economia argentina.

Oposição fragmentada

Na opinião de Pérez, o eleitorado parece avaliar que o crescimento econômico tem "mais peso" que outras questões como "a fragilidade das instituições argentinas e o aumento da inflação".

Piñedo lembrou que a oposição venceu o governo nas eleições legislativas de 2009, quando estava mais unida. "Hoje, são seis candidatos (a presidente) da oposição. E em 2009 eram duas grandes forças políticas e assim vencemos o kirchnerismo", afirmou.

Também para ele, a eleição de domingo "parece estar definida para o governo". Como Pérez, Piñedo entende que a "explosão de consumo" deverá levar o eleitor a votar na presidente. "As pessoas consomem para evitar os efeitos da inflação", disse.

Crescimento acelerado

O analista político Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nova Maioria, disse à BBC Brasil que, segundo o FMI, a Argentina será, este ano, o segundo país com a maior taxa de crescimento do mundo, depois da China. "É também um dos recordistas em inflação e em consumo", afirmou.

Para Fraga, fatores "emocionais" também influenciam no desempenho eleitoral da presidente. "A morte de Nestor Kirchner (2003-2007), fez Cristina parecer uma figura nova (na política). Na verdade, o governo dela, sozinha, só tem um ano, desde a morte dele (ex-presidente e seu antecessor)", afirmou. Até então, ambos eram chamados de "o casal presidencial".

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