Candidato na Venezuela rifa implante de silicone em campanha

Segundo Gustavo Rojas, ideia é se aproximar dos eleitores que se cansaram do debate político no país

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Um candidato a deputado da oposição na Venezuela decidiu rifar uma cirurgia de implante de silicone nos seios para, segundo ele, financiar sua campanha e angariar votos, faltando um mês para as eleições legislativas no país.

O candidato Gustavo Rojas, do principal partido opositor do país, o Primeiro Justiça, disse que sua proposta atende uma "tendência do mercado" venezuelano, onde é cada vez mais comum que as mulheres optem por um implante de silicone para aumentar o volume dos seios.

"É um prêmio atraente e muita gente está comprando a rifa, principalmente as pessoas dos setores populares que não têm recursos para fazer uma operação deste tipo", afirmou Rojas à BBC Brasil. Ele passou a fazer campanha na periferia de Caracas, lugar onde a maioria dos moradores apoiam o presidente venezuelano, Hugo Chávez. "Esse é o perfil que queremos conquistar", acrescentou.

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Rojas passou a fazer campanha na periferia de Caracas, lugar onde a maioria dos moradores apoiam Hugo Chávez
Polarização

Na Venezuela, onde a sociedade se divide entre chavistas e antichavistas, Rojas disse que a rifa do implante é uma maneira de se aproximar dos eleitores que se cansaram do debate político no país. "Em um país completamente polarizado, há que buscar as maneiras de se aproximar do eleitor novamente", afirmou.

O candidato também pretende conquistar o público masculino, que no caso de ser sorteado, poderá dar o prêmio à esposa ou namorada. Cada número da rifa custa 25 bolívares (cerca de R$ 10), e a expectativa do candidato é vender 2 mil números. "Já vendemos bastante", conta Rojas, que disse ter recebido como doação de um médico o silicone e a operação cirúrgica. Um implante mamário na Venezuela custa em média entre R$ 3,5 mil e R$ 5,2 mil.

Rojas disse que caso a vencedora do prêmio não tenha condições de saúde adequadas para ser submetida a uma intervenção, poderá optar por "qualquer tratamento estético" com preço equivalente ao implante de silicone.

Compra de votos

A iniciativa foi considerada por aliados do governo como um mecanismo de compra de votos. Um editorial da Agência Venezuelana de Notícias afirma que a entrega de geladeiras, fogões e materiais de construção, utilizados "pela oposição" para conquistar eleitores "é coisa do passado". "Os setores opositores não só confirmam que, no caso de chegar ao Congresso, derrogarão (anularão) as leis aprovadas pela revolução, como também prometem, em troca de alguns votos, cirurgias estéticas", diz o editorial.

A Venezuela é um dos principais países da região em número de cirurgias estéticas. Cifras não-oficiais revelam que anualmente 30 mil cirurgias de implantes de silicone são realizadas no país. Nas eleições de 26 de setembro, a oposição venezuelana pretende recuperar o terreno perdido em 2005, quando decidiu não participar do pleito. Já a base governista briga para manter a maioria no Congresso, que há cinco anos tem uma maioria absoluta chavista.

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