Candidato de Uribe é o favorito no 2°turno presidencial na Colômbia

População vai às urnas para eleger novo presidente neste domingo

BBC Brasil |

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Colombianos vão as urnas neste domingo definir em segundo turno o futuro presidente do país após oito anos de governo de Álvaro Uribe.

O governista Juan Manuel Santos, do partido da "U", visto como o herdeiro do uribismo, aparece como favorito nas pesquisas de intenção de votos com pelo menos 25 pontos à frente de seu adversário do partido Verde, Antanas Mockus, ex-prefeito de Bogotá.Santos venceu o primeiro turno com mais de 46% dos votos - 3,6 milhões à frente de seu adversário do Partido Verde, Antanas Mockus, que obteve 21%.

O resultado surpreendeu, por contrariar pesquisas de intenção de voto que apontavam um "empate técnico" entre os candidatos.

Abstenções

Para este domingo, o partido Verde aposta em reduzir a ampla diferença de votos a favor de Santos e tem chamado seus simpatizantes a conseguirem ao menos outros três votos de eventuais abstencionistas.

"Colômbia pode fazer um gol impressionante neste domingo. Ganhemos essa partida. Se você convence três pessoas, ganhará um país melhor", escreveu Mockus em seu perfil na rede social Twitter.

© AP
Urnas são montadas em Bogotá para eleição de domingo

Apesar de cerca de 30 milhões de eleitores estarem inscritos no registro eleitoral, analistas consideram que a abstenção neste domingo poderá superar a abtenção de 49% registrada no primeiro turno.

O Movimento de Observação Eleitoral (MOE) considera que o amplo favoritismo do candidato governista, a Copa do Mundo e a semelhança de projetos entre os dois candidatos, são fatores que podem contribuir à alta abstenção.

"Ao menos um milhão de eleitores não veem em nenhum dos dois candidatos uma opção, haverá dois jogos importantes da Copa e um número importante de eleitores veem o favoritismo de um dos candidatos como um fator desestimulante, porque pensam que seu voto não fará diferença no resultado", afirmou à BBC Brasil Arial Ávila, analista do MOE.

Herdeiro

Analistas consideram que a consolidação da candidatura de Santos se deve à herança de Uribe, que pode terminar o mandato com mais de 70% de popularidade, e ao uso da máquina do Estado, em especial dos votos de eleitores beneficiários de programas sociais do atual governo.

Outro fator é a ampla aliança feita com os demais partidos conservadores, cujo apoio pode incrementar de maneira significativa o número de votos a seu favor neste segundo turno. "Se Santos vencer com uma ampla votação terá maior liberdade para governar e colocar características próprias a seu governo, sem estar atado à figura do presidente Uribe", afirmou à BBC Brasil a analista política Maria Teresa Ronderos.

Se essa tendência for confirmada, Ronderos acredita que Santos poderá fazer um governo "mais institucional e menos populista". "Santos pode ter a opção de fazer um governo diferente, mais respeituoso das instituições e menos agressivo, inclusive com os países vizinhos", disse. "A incógnita é se ele estará disposto a romper com as máfias no Congresso e com o sistema clientelar de governar."

Diferenças

Por outro lado, Mockus, que durante o primeiro turno foi visto como um fenômeno eleitoral utilizando redes sociais como Facebook e Twitter, com uma mensagem direta de ataque ao clientelismo, corrupção e desigualdade, teria cometido erros durante debates televisivos que teriam "desinflado" sua candidatura, de acordo com analistas.

Para Ronderos, o desafio de Mockus neste domingo será manter os três milhões de votos conquistados no primeiro turno. "Se isso acontecer, já será um resultado bastante significativo para a oposição", afirmou.

Durante a campanha, ambos candidatos prometeram dar continuidade à política de segurança do presidente colombiano Álvaro Uribe, principal marca do atual governo, e a seus principais programas sociais. A diferença entre os dois candidatos, no entanto, está no estilo.

Santos preferiu não marcar diferença entre ele e o presidente Álvaro Uribe, de olho na capitalização dos votos do atual presidente e convocou os colombianos a "não mudar o rumo".

Mockus, por sua vez, utilizou escândalos como execuções extra-judiciais e a aliança entre políticos e paramilitares para defender a "legalidade" e "honestidade" para resolver os problemas do país.

Eleito em 2002 e reeleito em 2006, com a promessa de enfrentar as guerrilhas, Uribe implementou uma ofensiva militar sem precedentes, principalmente através de sua política "Segurança Democrática" e da ampliação do "Plano Colômbia" - um acordo de cooperação militar com os Estados Unidos.

Quem sair vitorioso das urnas neste domingo receberá um país com 45,5% de pobres, 5,2 % menos que há oito anos, com uma taxa de desemprego de 12%, uma das mais altas da América Latina e com um déficit fiscal estimado em mais de 4% do Produto Interno Bruto. O resultado final da eleição deve ser divulgado a partir das 18h em Bogotá (20h em Brasília).

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