Britânicos voltam a protestar contra novas taxas universitárias

Estudantes entraram em confronto com policiais próximo ao Parlamento britânico, em Londres

BBC Brasil |

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Milhares de manifestantes se reuniram nesta quinta-feira nos arredores do Parlamento britânico, em Londres, onde está sendo debatido o projeto para aumentar as taxas anuais de empréstimos universitários cobradas em instituições de ensino da Inglaterra.

Parte do grupo chegou a lançar objetos contra os policiais, que revidaram com golpes de cassetete. Ao menos um policial ficou ferido na manifestação desta quinta, que reuniu cerca de 20 mil pessoas. Simultaneamente, outras universidades britânicas organizaram protestos e vigílias em reação à votação.

Pelo projeto, o piso das anuidades dos empréstimos em universidades inglesas passaria de 3.290 libras (R$ 8,9 mil) para 6 mil libras, e algumas universidades poderiam cobrar até 9 mil libras em "circunstâncias excepcionais" - se oferecem, por exemplo, bolsas e programas que incentivassem estudantes mais pobres a cursá-las.

O empréstimo poderá ser quitado quando o estudante estiver ganhando um salário anual a partir de 21 mil libras.

Divisões políticas

A votação do projeto deve ocorrer ainda nesta quinta-feira, após semanas de divisões políticas e protestos estudantis. Acredita-se que mais de uma dúzia de parlamentares liberais-democratas votem contra o projeto apesar de fazerem parte da coalizão governista.

O partido, que durante as eleições havia se posicionado contra o aumento nas taxas de empréstimos, alega atualmente que a proposta em votação é a melhor solução possível nas atuais circunstâncias de alto deficit público do país e de imposição de medidas de austeridade.

“(A mudança nas taxas) não é a política pública ideal, mas, em um momento em que pedimos sacrifícios aos cidadãos, não é irracional que peçamos aos universitários que contribuam”, disse nesta quinta-feira Nick Clegg, líder dos liberais-democratas e vice-premiê. Clegg pretendia tentar convencer seus colegas de legenda a apoiar o projeto.

Já o presidente da União Nacional de estudantes, Aaron Porter, disse que as alterações nas cobranças encarecerão as universidades britânicas e que seus empréstimos serão um fardo de duração mais longa para os estudantes, mesmo quando já tiverem dinheiro para pagá-los.

Dentro do Parlamento, o ministro de Negócios, Vince Cable, disse aos parlamentares que as novas taxas são justas e que manterão a qualidade do ensino universitário, ao mesmo tempo em que “combaterão o deficit fiscal e proverão um sistema mais progressivo de contribuições graduais baseadas na habilidade das pessoas em pagar (os empréstimos)”.

Cortes

As manifestações universitárias têm sido recorrentes desde que o projeto foi apresentado, no início de novembro, em meio a planos governamentais de cortar em até 40% o orçamento para a educação superior.

O aumento nas taxas de empréstimos universitários valerá exclusivamente para os estudantes na Inglaterra. Estudantes galeses não pagarão taxas mais altas.

Na Escócia, não há empréstimos estudantis, e a Irlanda do Norte ainda não definiu como responderá aos aumentos nas taxas, caso estes sejam aprovados em Londres.

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