Britânicos vão às urnas em plebiscito sobre reforma eleitoral

Referendo foi condição do Partido Liberal Democrata para formar coalizão com o Partido Conservador após eleição de 2010

BBC Brasil |

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Os britânicos vão às urnas nesta quinta-feira para decidir em referendo mudanças sobre o sistema de eleição geral do país. Será o primeiro plebiscito realizado na Grã-Bretanha em 36 anos.

Atualmente, a Grã-Bretanha conta com um sistema de maioria simples determinado por meio de uma única votação, conhecido como ''First Past the Post'', que, numa tradução livre seria algo como ''o primeiro a passar a meta''. Na disputa para cada um dos 650 distritos do país, vence o candidato que conquistar a maioria simples dos votos.

O sistema que está sendo apresentado como ''Alternative Vote'' (voto alternativo, AV, na sigla em inglês) visa pôr fim a impasses políticos no país e conferir uma representação política supostamente mais justa. Pelo sistema, o eleitor pode escolher um ou mais candidatos, indicando a sua ordem de preferência.

Considerando as primeiras preferências dos eleitores, se alguém conquistar mais de 50% dos votos, está automaticamente eleito. Caso contrário, de acordo com o sistema, os demais candidatos que não tiverem votação expressiva vão sendo eliminados sucessivamente, e os votos são recontados, valendo - na recontagem - as segundas opções dos eleitores desses candidatos até que um dos candidatos ainda na disputa supere a marca de 50%.

Reuters
Jovem passa por placa que indica direção de local de votação em Elvetham Heath, na Grã-Bretanha

O sistema difere do modelo eleitoral brasileiro de votação para a Câmara dos Deputados, que é determinado por Estados e não por distritos. O sistema proporcional brasileiro é um de lista aberta, com votos nominais destinados aos diferentes candidatos.

As listas partidárias são formadas pelos integrantes mais votados de cada legenda. Dentro desse modelo, cada partido conquista um número de vagas proporcionais à soma dos votos em todos os candidatos da legenda, e essas vagas são distribuídas, por ordem, aos que obtiveram mais votos dentro do partido. Também é possível formar coligações entre legendas para eleições proporcionais, como forma de obter um maior número de vagas.

Exigência

O referendo para mudar o modelo de voto no Reino Unido foi uma exigência do Partido Liberal Democrata para que ele aceitasse formar um governo de coalizão com o Partido Conservador após as eleições de maio de 2010.

Os defensores do ''sim'' ao volto alternativo argumentam que ele impede o desperdício de votos que ocorre pelo sistema atual, já que deputados conseguem se eleger com um número pouco representativo de votos em pleitos em que nenhum partido conta com uma ampla maioria. Isso, argumentam, desestimula eleitores a irem às urnas.

Uma das principais fraquezas do modelo atual, argumentam os defensores do ''sim'', é que 75% dos parlamentares britânicos são eleitos com menos de 50% do apoio dos eleitores e isso, dizem, mina a democracia e reduz a legitimidade dos parlamentares.

Os adeptos do ''não'' ao sistema sendo proposto dizem que o modelo atual contribui para que sejam formados governos estáveis e que ele vem refletindo historicamente a vontade da opinião pública, permitindo que governos impopulares sejam retirados do poder por via das urnas. Eles argumentam que o sistema ''first past the post'' é direto e simples de entender. E que ele permite que partidos se elejam com base em suas plataformas de governo, e que a expectativa é de que estas sejam implementadas.

Os defensores do ''não'' dizem ainda que outros sistemas produzem resultados indefinidos e que o governo acaba sendo formado através de acordos de bastidores e conchavos políticos, nos quais a plataforma governamental acaba sendo deixada de lado e promessas de campanha são abandonadas.

O primeiro-ministro britânico, o conservador David Cameron, apoia o sistema atualmente em vigor e defende o ''não'' no referendo. Ao passo que o seu vice-primeiro-ministro, o liberal-democrata Nick Clegg, é um adepto do ''sim''. O líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, está fazendo campanha pelo ''sim'', mas seu partido está dividido em relação ao tema.

Além de opinar no referendo, na Inglaterra, os eleitores irão escolher nesta quinta-feira seus representantes para as administrações regionais - a grosso modo, o equivalente a que seriam, no Brasil, os vereadores. Na Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, os eleitores escolherão os membros dos Parlamentos locais.

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