Brasil quer integrar grupo que negocia com Irã, diz assessor de Lula

Após pacto de segunda, Garcia defende que Brasil e Turquia auxiliem EUA, Grã-Bretanha, Rússia, China e França em diálogo com Teerã

BBC Brasil |

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O assessor da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, reivindicou nesta terça-feira a participação do Brasil e da Turquia no grupo de países que tem liderado as negociações com o Irã, o chamado P5 + 1 (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, China, Rússia e Alemanha).

Segundo Garcia, Brasil e Turquia fizeram mais do que os seis países do bloco nas recentes negociações com Teerã sobre o programa nuclear iraniano. "Brasil e a Turquia fizeram o esforço que eles (5+1) não fizeram", afirmou .

O assessor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ainda que o País e a Turquia participaram do acordo de Teerã "em todas as negociações" e usou uma metáfora de futebol para se referir ao pedido. "Em linguagem de futebol, é um 5+1+2. Só que nesse time não tem atacante", disse.

AFP
Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, no Senado ao lado de secretário de Defesa Robert Gates (dir.) e do presidente do Estado-Maior Conjunto Michael Mullen

Sanções

Nos Estados Unidos, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, anunciou nesta terça-feira que seu país chegou a um consenso com Rússia e China para uma resolução na ONU prevendo mais sanções contra o Irã .

Ao comentar a possibilidade de as sanções serem aprovadas, Garcia afirmou que o Irã não se deixará intimidar. "É ilusão pensar que um país como o Irã vai se deixar abater cinco minutos por uma sanção", disse.

Marco Aurélio Garcia reforçou a afirmação do ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, que disse na segunda-feira que o pacote de sanções já estava preparado antes da reunião de Teerã. "A posição dos americanos era, sim, a negociação, mas depois das sanções", afirmou.

Risos

Garcia também comentou a atuação do presidente Lula na cúpula União Europeia, América Latina e Caribe, que terminou na tarde desta terça-feira em Madri. Segundo o assessor, o presidente provocou risos durante a reunião quando comparou a crise econômica mundial com o vulcão que provocou caos nos aeroportos europeus nas últimas semanas. "Ele (Lula) disse que a crise ainda não acabou. É como o vulcão: quando todo mundo pensa que terminou, ele irrompe de novo", disse o ministro.

Fora das sessões plenárias, o presidente teve encontros bilaterais com os chefes de Estado da França e da Grécia. Com o primeiro-ministro grego, George Papandreou, que visitará o Brasil no fim de maio, Lula teve também dois momentos de descontração.

Ao ouvir os detalhes da crise econômica da Grécia, o presidente comentou, segundo Marco Aurélio Garcia, que "a direita apronta uma grande confusão e, depois, a esquerda é que tem que limpar a sala".

Papandreou teria pedido um conselho a Lula para sair da crise, em tom de brincadeira, segundo relato do assessor do presidente. Lula teria achado graça na pergunta e respondido: "Quem sou eu para dar conselho?"

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