Brasil, Índia e África do Sul discutem envio de nova missão à Síria

Fonte do Itamaraty afirma que Brasil quer endurecer linguagem contra Síria, mas aliados do Ibas estariam divididos

BBC |

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AFP
Dilma é recebida em Pretória pelo presidente da África do Sul, Jacob Zuma
Brasil, Índia e África do Sul estão discutindo o envio de uma nova missão diplomática para a Síria, para monitorar a escalada de violência no país. O anúncio foi feito pelos líderes dos três países, Dilma Rousseff, o indiano Manmohan Singh e o sul-africano Jacob Zuma, em Pretória, nesta terça-feira, durante a cúpula do Fórum do Ibas (Índia, Brasil e África do Sul).

A comunidade internacional está dividida quanto à questão da Síria. Países ocidentais - como Estados Unidos e Grã-Bretanha - pressionam para condenar o regime do líder sírio, Bashar Al-Assad, pela repressão a protestos da oposição que tomaram as ruas de diversas cidades do país.

Já os países do Ibas têm condenado a violência de ambos os lados - do governo e dos manifestantes. Em agosto, o Ibas enviou uma missão à Síria que levou à abstenção dos três países em uma votação de uma resolução no Conselho de Segurança da ONU que fazia críticas explícitas ao regime do líder sírio Bashar Al-Assad.

A resolução acabou derrubada por um veto da China e da Rússia, mas a postura do Ibas foi criticada por ativistas de direitos humanos.

Ibas dividido

Perguntado se o envio de uma nova missão do Ibas à Síria era um sinal de que a primeira não deu resultado, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse que "até agora, nenhum esforço teve resultado".

Uma fonte do Itamaraty afirma que os países do Ibas estão divididos na questão da Síria. O Brasil estaria pressionando para endurecer a linguagem contra o país, mas estaria sofrendo resistência de um dos outros dois países do grupo, sem citar qual deles.

Na elaboração da declaração final da reunião de cúpula, os diplomatas queriam reeditar o mesmo texto da declaração feita em agosto, mas o Brasil insistiu para "reciclar a linguagem", entendendo que "a situação evoluiu neste tempo", segundo o Itamaraty.

Na semana passada, a ONU divulgou que a violência na Síria deixou 3 mil mortos. A presidente Dilma Rousseff usou, em seu discurso em Pretória, uma linguagem mais contundente contra o regime sírio do que a da declaração final.

Dilma pediu o "fim imediato da repressão" na Síria, enquanto a declaração fala em um "fim imediato da violência" - atribuindo a violência a ambas as partes. Na declaração final, os países "reafirmaram o seu compromisso com a soberania e integridade territorial da Síria". Os países também defendem maior envolvimento da Liga Árabe nas negociações.

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