Berlusconi é criticado por repor partes que faltavam em estátuas

Para especialistas em arte, restaurar pênis de deus Marte e mão de deusa Vênus é falta de bom gosto e esteticamente errado

BBC Brasil |

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AFP
Estátua romana de Vênus e Marte é exposta no escritório de Silvio Berlusconi. Sob ordens do premiê italiano, Marte ganhou um novo pênis e Vênus, uma nova mão
O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, está sendo criticado por ter dado ordens para o que está sendo considerado como uma “cirurgia plástica” em duas estátuas romanas de mármore.

As figuras, que mostram os deuses Vênus e Marte nus, estão expostas na residência de Berlusconi, em Roma. O primeiro-ministro italiano deu ordens para que o pênis que faltava na estátua de Marte e a mão perdida da figura de Vênus fossem substituídas.

Especialistas em arte afirmam, no entanto, que é falta de bom gosto e esteticamente errado colocar partes que faltam em estátuas antigas.

A restauração das esculturas custou 73 mil euros (cerca de R$ 170 mil) e foi ordenada pessoalmente pelo primeiro-ministro italiano.

Do museu para casa

As esculturas foram encontradas perto de Roma há cerca de 100 anos e ficavam em um museu da capital italiana, antes de serem transferidas para a casa de Berlusconi.

O que gerou as críticas dos especialistas em arte é que o tipo de restauração cosmética ordenada pelo primeiro-ministro, e que foi realizada em muitas antigas estátuas romanas danificadas a partir do século 17, não é mais praticada.

Berlusconi não respeitou as regras de restauração de obras de arte antigas, praticadas pelos próprios restauradores italianos, que afirmam que não se pode tentar restaurar a perfeição de antigos trabalhos de arte.

Embora as partes novas das estátuas sejam descritas como "removíveis", um crítico de arte afirmou que os restauradores italianos pagos pelo governo para restaurar antigos trabalhos de arte da China ensinam os chineses a não disfarçar as diferenças entre o que é novo e o que é antigo em um trabalho de arte.

Mas o gosto de Berlusconi está mais inclinado para os nus perfeitos de suas estátuas restauradas do que para a opinião de especialistas em arte empregados pelo seu próprio Ministério da Cultura.

O primeiro-ministro italiano também ordenou grandes cortes, de mais de 40%, no orçamento do governo para o setor de artes, como parte de um programa de austeridade.

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