Autoridades temem mais violência na capital do Haiti por cólera

Protestos se espalharam para Porto Príncipe pela primeira vez na quinta-feira, três dias depois de começarem no norte do país

iG São Paulo |

Haitianos revoltados contra a epidemia de cólera ignoraram na quinta-feira os pedidos de funcionários de saúde de que a violência está interrompendo os esforços de tratamento, com as autoridades temendo que mais tumultos aconteçam nesta sexta-feira na capital do país, Porto Príncipe.

A violência se espalhou para a capital pela primeira vez na quinta-feira, três dias depois de acontecerem manifestações no norte do país. Os manifestantes arremessaram pedras contra as tropas de paz da ONU, responsabilizadas por alguns grupos pela epidemia de cólera que atinge o Haiti, atacaram carros de estrangeiros, bloquearam ruas com pneus em chamas e derrubaram postes de luz. A polícia disparou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que montaram barricadas.

AP
Refugiados sentem os efeitos de gás lacrimogêneo lançado por soldados da ONU durante protesto em Porto Príncipe, Haiti
Os tumultos pela epidemia da doença que deixou mais de 1.186 mortos acontecem mais de uma semana antes de eleições nacionais programadas para 28 de novembro. Segundo funcionários da ONU, a violência vem sendo encorajada por grupos que querem atrapalhar a votação, e na quinta-feira alguns manifestantes atiraram pedras contra um escritório do partido Unidade, do presidente René Préval, e rasgaram pôsteres da campanha eleitoral.

Mas alguns haitianos vêm responsabilizando membros nepaleses das forças da ONU de levar a cólera ao país, o que é negado pela organização. Entre segunda e quarta-feira, três pessoas morreram em protestos no país.

Mortes

Casos de cólera já foram identificados em todas as dez regiões do Haiti. Além dos mais de 1,1 mil mortos, com mais de 19 mil casos da doença já foram registrados. A maioria das 38 mortes registradas na capital ocorreram na favela Cité Soleil.

Na quinta-feira, tiroteios esporádicos podiam ser ouvidos, após os manifestantes tomarem as ruas de Porto Príncipe. Centenas de jovens ergueram barricadas colocando fogo em pneus e atacaram veículos da Minustah, a missão da ONU no país. Os manifestantes gritavam slogans como "Cólera, foi a Minustah que nos deu" ou "Minustah, volte para casa".

Condições sanitárias

Segundo o Centro para Controle de Doenças Infecciosas (CDC), com base em Atlanta, nos Estados Unidos, cerca de 1,3 milhão de haitianos ainda vivem em campos de desabrigados após o terremoto de janeiro, dificultando o acesso a água potável, condições sanitárias e atendimento à saúde.

De acordo com o CDC, mesmo antes do terremoto, apenas 17% dos haitianos tinham acesso a condições sanitárias adequadas. Em sua última análise sobre a situação no país, o centro disse que era "difícil prever" a evolução da doença, já que esta é a primeira epidemia de cólera no país em mais de um século.

Os primeiros casos da doença, transmitida por meio da água ou comida contaminada, foram registrados na região do rio Arbonite, no norte do país. Ainda não está clara a origem dos primeiros casos da doença no Haiti.

Alguns grupos dizem que ela teria vindo de tanques sépticos de uma base das forças nepalesas da Minustah, mas a ONU diz não haver evidências sobre isso. O cólera provoca diarreia e vômitos, levando a uma grave desidratação. A doença pode matar rapidamente, mas é tratada facilmente por meio da reidratação e de antibióticos.

*Com AP e BBC

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