Autoridades de Mianmar já teriam assinado libertação de Suu Kyi

Embora não haja confirmação oficial, partidários da ativista esperam que ela deixe a prisão domiciliar neste sábado

BBC Brasil |

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Autoridades militares de Mianmar já teriam assinado uma ordem que autoriza a libertação da líder política e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, segundo indicam fontes ouvidas pela BBC. Suu Kyi, 65 anos, cumpre uma pena de prisão domiciliar de 18 meses, que expira neste sábado.

Nos últimos 21 anos, a ativista permaneceu presa por um total de 15. O correspondente da BBC em Bangcoc Alastair Leithead afirma que diferentes fontes anônimas confirmaram que os documentos para soltar Suu Kyi já foram assinados.

© AP
Integrantes do partido de Suu Kyi mostram fotos dela em protesto por sua libertação em Yangon, Mianmar

Embora ainda não haja uma confirmação oficial da libertação de Suu Kyi, houve um aumento na atividade policial e na circulação de militantes em frente à sua casa, na cidade de Yangun - a maior do país.

Suu Kyi ganhou fama internacional por formar um resistência pacífica e por lutar por reformas democráticas em Mianmar, que é governado por militares. Ela ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1991.

'Salvação' a nado

A libertação da ativista deveria ter ocorrido no ano passado, mas uma nova sentença foi anunciada depois que um americano atravessou o lago Inya a nado até a casa de Suu Kyi, afirmando estar em uma missão para salvá-la.

O advogado da líder política, Nyan Win, afirmou que ela deve ser libertada porque não existe lei no país que possa estender a sua prisão além de sábado. Além disto, o advogado disse que sua cliente somente aceitará a liberdade se ela for "incondicional". Segundo Nyan, a ativista pretende ir até a sede de seu partido, a Liga Nacional para a Democracia (NLD, sigla em inglês), assim que deixar a prisão domiciliar. O embaixador britânico em Mianmar, Andrew Heyn, disse à BBC que a Grã-Bretanha e a União Europeia estão pressionando pela liberdade incondicional de Suu Kyi, e que a sua soltura teria um "impacto significativo".

Eleições

No último domingo, Mianmar realizou suas primeiras eleições em 20 anos. Resultados parciais indicam que o maior partido apoiado pelos militares, o Partido da Solidariedade e do Desenvolvimento da União (USDP, sigla em inglês), obteve a maioria nas duas casas do Parlamento.

Embora a junta militar que governa o país afirme que as eleições marcam uma transição para a democracia civil, tanto a oposição quanto vários governos ocidentais e grupos de direitos humanos criticaram o pleito em Mianmar, marcado por irregularidades e restrições impostas à campanha da oposição.

O NLD - que venceu a eleição de 1990, mas nunca assumiu o poder - se recusou a participar da disputa eleitoral de domingo passado.

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