Autor de ataque suicida em Estocolmo teve cúmplices, diz procurador

Principal suspeito é Taimour Abdulwahab al-Abdaly, 29 anos, sueco de origem iraquiana que viveu na Grã-Bretanha

BBC Brasil |

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Autoridades suecas acreditam que o autor do atentado suicida realizado no último sábado na capital do país, Estocolmo, não agiu sozinho.

"Sabemos que ele estava sozinho na execução (do atentado), mas também sabemos por experiência que tende a haver mais envolvidos em tais atos", disse o procurador-geral sueco, Tomas Lindstrand, em uma conferência de imprensa. "Acreditamos que ele tinha cúmplices, pelo menos até a fase de execução", afirmou.

AFP
Taimour Abdulwahab al-Abdaly, em foto publicada em site de relacionamentos

Um carro explodiu por volta das 17h (14h de Brasília) na região de Drottninggatan. Cerca de 15 minutos depois, uma segunda explosão ocorreu a 300 metros do local. Além do autor, os atentados não deixaram mortos. Testemunhas disseram que um homem encontrado morto após a segunda explosão em Estocolmo teria consigo um dispositivo explosivo.

Segundo Lindstrand, o homem que cometeu o atentado está "98% identificado", devido à apuração de imagens feitas por câmeras de segurança. O procurador ressalta que ainda não existe uma identificação oficial, por meio de DNA ou testemunho de familiares.

Relatos ainda não confirmados apontam que o suicida seria Taimour Abdulwahab al-Abdaly, 29 anos. Ele viveu na cidade inglesa de Luton, no condado de Bedfordshire. De acordo com a polícia britânica, um mandado de busca foi executado na casa de Abdaly em Luton, de acordo com o Ato sobre Terrorismo de 2000.

Erro na detonação

Lindstrand disse que o suspeito estava muito bem equipado. A hipótese mais provável, segundo o procurador, é que o homem estaria vestindo um cinto com explosivos, que foi acionado antes do esperado. O procurador-geral acredita que a ideia teria sido realizar a detonação em um local mais movimentado, como na estação central ou em uma loja de departamentos. Lindstrand afirmou ainda que o suspeito comprou o carro usado no atentado no mês de novembro.

O chefe do departamento de segurança sueco, Anders Tornberg, pediu que a população do país mantenha a calma. "Nós não vemos nenhuma razão para a preocupação que vemos agora", disse Tornberg. "A ameaça permanece no mesmo nível que antes do ataque, ou seja, é uma ameaça elevada. Mas nós vamos reavaliar isto hora após hora, dia a dia".

Perfil na internet

Um perfil de Abdaly em um site de relacionamentos amorosos muçulmano o descreve como formado em fisioterapia pela Universidade de Berdfordshire. A instituição não comentou a informação.

Abdaly disse ter nascido em Bagdá, no Iraque, e se mudado para a Suécia em 1992, antes de chegar à Grã-Bretanha, para estudar, em 2001. Ele disse ter se casado em 2004 e ter duas filhas pequenas. "Quero me casar de novo, e gostaria de ter uma grande família. Minha mulher concordou com isso", disse.

E-mails investigados

A polícia sueca investiga uma série de e-mails enviados pouco antes das explosões com ameaças de ataques por causa da participação sueca na coalizão militar internacional no Afeganistão. A Suécia mantém 500 soldados no país.

Os e-mails, enviados ao serviço de segurança sueco e à agência de notícias TT, pediam que os mujahideen (combatentes islâmicos) se levantassem na Suécia e na Europa e prometiam a morte de suecos, "como nossos irmãos e irmãs". Eles também atacaram o país em represália às caricaturas do profeta Maomé desenhadas pelo artista sueco Lars Vilks.

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