Australiana doa óvulos para gestação de 19 bebês de casais inférteis

Faith Haugh passou por 42 ciclos de injeções de hormônios para aumentar produção de óvulos destinados a mulheres com dificuldade para engravidar

BBC Brasil |

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A australiana Faith Haugh já possibilitou a gestação de 19 bebês para casais inférteis através da doação de óvulos, apesar de dizer não ter "nenhum instinto maternal".

Nos últimos 17 anos, ela passou por 42 ciclos de injeções de hormônios para aumentar a produção de óvulos com o único objetivo de ajudar pessoas com dificuldade de engravidar. "Tudo começou quando eu vi um anúncio enorme no jornal de um casal que não conseguia ter filhos. Eu sabia que era fértil e decidi doar meus óvulos anonimamente", disse Haugh à BBC Brasil.

Newspix / BBC Brasil
Aos 41 anos de idade, Faith Haugh não doa mais óvulos hoje em dia
O casal teve gêmeas e Faith decidiu doar mais óvulos para casais anônimos através de um hospital. Mais tarde, ela passou a ajudar casais que conheceu através de anúncios no jornal e grupos de infertilidade na internet.

"O engraçado é que não tenho nenhum instinto maternal. O que acontece é que eu tenho um excesso de óvulos de boa qualidade que iam para o lixo todo mês então decidi usá-los para ajudar os outros", contou. "Quando você conhece esses casais, eles estão tão nervosos que sempre acabam chorando no meio da conversa. Eles querem filhos desesperadamente. Vê-los assim estressados e alguns meses depois segurando um bebê nos braços é incrível".

Haugh não recebe nenhuma compensação financeira pela doação. Ela disse que doar óvulos é como dar um presente a alguém. Para ela, envolver dinheiro pode levar as pessoas a tomar essa decisão pelos motivos errados.

Casal

A australiana, que trabalha com atendimento ao consumidor e é casada com Glenn, um açougueiro de 46 anos, tem uma filha de 22 anos de outro relacionamento e é avó de uma menina de dois anos.

Ela diz que perguntou ao marido se ele queria filhos, apesar de não gostar de ficar grávida, mas disse que eles acabaram não tendo nenhum bebê já que ambos apreciam a liberdade que têm atualmente e a possibilidade de viajar e aproveitar a vida.

"Ser mãe não é só dar à luz, é abrir mão de muita coisa em nome dos filhos. Noites em claro, preocupação... Eu tenho muito respeito pelos casais que decidem fazer a fertilização in vitro", afirmou.

Faith disse também ter convencido o marido a doar sêmen. Ele é pai biológico de quatro crianças.

Enquanto no Brasil a doação de óvulos e sêmen só pode ser feita de forma completamente anônima, as leis australianas preveem que os bebês concebidos dessa forma têm o direito de saber quem são os pais biológicos e devem receber informações sobre eles ao completar 18 anos de idade. O objetivo é evitar que eles se casem ou tenham filhos com meios-irmãos sem saber.

Contato

Faith Haugh disse que se encontra pessoalmente com a metade dos filhos gerados com seus óvulos e mantém contato com outros. "Eu sempre digo aos pais que eles pediram uma doadora e não uma amiga, mas que se eles se sentirem bem em mandar fotos e informações sobre as crianças, para mim é um bônus", contou. "Eu peço apenas um telefonema quando eles nascem. Não me sinto mãe dessas crianças, mas me sinto muito privilegiada em poder receber notícias deles algumas vezes por ano ou encontrá-los esporadicamente".

A última criança gerada com um de seus óvulos nasceu dois anos atrás. Hoje, aos 41 anos de idade, Haugh disse que não doará mais óvulos. "Eu preciso ser responsável em relação aos riscos relacionados à idade. Mas não consigo virar as costas para esses casais inférteis, então passei a oferecer meus conhecimentos a possíveis doadores e pessoas interessadas em utilizar óvulos doados", contou. "Definitivamente, não é uma experiência para qualquer um. Doar óvulos não é como fazer um tabuleiro de bolo. Mas quando se está munido de informação é mais fácil tomar a decisão certa."

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