Austrália diz que dará apoio legal a fundador do WikiLeaks

Para ministro, responsáveis por vazamento são americanos que entregaram dossiê ao site, e não o australiano Julian Assange

BBC Brasil |

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O ministro das Relações Exteriores da Austrália, o ex-primeiro-ministro Kevin Rudd, afirmou nesta quarta-feira que seu país dará ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, o mesmo apoio legal que daria a qualquer cidadão australiano com problemas na Justiça de outro país. Assange foi preso na terça-feira na Grã-Bretanha após se apresentar à Justiça e deve enfrentar um processo de extradição para a Suécia, onde é acusado por crimes sexuais contra duas mulheres.

Assange e o site WikiLeaks vêm sofrendo uma forte pressão internacional, principalmente por parte dos Estados Unidos, desde que começaram a divulgar um pacote de mais de 250 mil comunicações diplomáticas secretas americanas, na semana passada.

Kevin Rudd afirmou à agência de notícias Reuters que Assange não "é pessoalmente responsável" pela divulgação dos documentos. "Os americanos são responsáveis por isso", afirmou. "Acho que há questões importantes a serem feitas sobre a adequação dos sistemas de segurança (dos Estados Unidos), e o nível de acesso que as pessoas têm a esse material", disse.

"A responsabilidade principal, e portanto responsabilidade legal, está com os indivíduos responsáveis por esse vazamento inicial", afirmou. Em outra entrevista, à rádio australiana ABC, Rudd disse que somente a Justiça poderá dizer se Assange é culpado de algo.

"Ele está certo em ter a expectativa e a presunção de inocência em relação às questões pelas quais foi levado à Justiça na Grã-Bretanha, e deveria obter todo o apoio que normalmente daríamos a qualquer outro australiano nas circunstâncias de comparecer em juízo diante das autoridades legais de qualquer outro país", afirmou.

Artigo

Assange vem criticando a posição da Austrália desde o início da divulgação dos documentos. Em um artigo publicado nesta quarta-feira pelo jornal The Australian, ele acusou o governo australiano de "se vender vergonhosamente" aos Estados Unidos e de colocar seus serviços à disposição do governo americano.

"O procurador-geral da Austrália está fazendo tudo o que pode para ajudar uma investigação americana com o objetivo claro de atingir cidadãos australianos e extraditá-los aos Estados Unidos", disse. No artigo, intitulado "Não mate o mensageiro por revelar verdades desagradáveis", ele afirma ainda: "As sociedades democráticas precisam de uma mídia forte, e o WikiLeaks é parte dessa mídia. A mídia ajuda a manter o governo honesto."

A primeira-ministra australiana, Julia Gillard, que tomou o posto de Rudd em junho, havia classificado anteriormente a divulgação dos documentos secretos americanos por Assange como "altamente irresponsável".

O governo americano também classificou a divulgação de "irresponsável" e disse que ela é "um ataque contra a comunidade internacional". Os Estados Unidos iniciaram uma investigação criminal sobre o caso e prometeram punir os responsáveis pelos vazamentos ilegais dos documentos.

Ninguém foi indiciado pelo vazamento até agora, mas as suspeitas caíram sobre o analista de inteligência do Exército americano Bradley Manning, que já havia sido preso em junho passado sob acusação de entregar dados confidenciais ao WikiLeaks.

O ministro das Relações Exteriores da Suécia, Carl Bildt, disse que não recebeu contatos das autoridades americanas sobre uma possível extradição de Assange da Suécia para os Estados Unidos. O advogado de Assange, Mark Stephens, afirmou que as acusações contra seu cliente na Suécia são "politicamente motivadas".

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