Ativista pede que Lula ajude advogado de iraniana

Segundo diretor da entidade Direitos Humanos no Irã, advogado de mulher condenada à morte tem familiares presos e está escondido

BBC Brasil |

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Um importante ativista de direitos humanos no Irã, Mahmood Amiry-Moghaddam, pediu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva interceda em favor do advogado de defesa de Sakineh Mohammadi Ashtiani , iraniana condenada à morte por adultério, que recebeu uma oferta de asilo do governo brasileiro .

Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da entidade Direitos Humanos no Irã, disse nesta terça-feira à BBC Brasil que Mohammad Mostafaei, advogado da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, corre sério risco de morrer.

"Peço ao presidente Lula e ao povo brasileiro que ajudem o advogado de Ashtiani. Eles vêm sofrendo intimidação das autoridades policiais do Irã", disse Moghaddam.

Segundo ele, Mostafaei, que também defende outras pessoas que teriam os direitos negados pelo governo, se encontra escondido.

Familiares

Moghaddam afirmou que a esposa de Mostafaei, Fereshteh Halimi, e seu cunhado, Farhad Halimi, foram presos há uma semana. O sogro do advogado teria sido preso no domingo.

"Outros membros de sua família, assim como familiares de Ashtiani, sofrem vigilância por parte das autoridades iranianas", completou o ativista.

De acordo com Moghaddam, o advogado escreveu uma carta às autoridades iranianas pedindo que seus familiares fossem soltos, argumentando que foram presos "sob atos injustificados e contrariando o princípio de crimes pessoais". "Mostafaei enfatizou em sua carta que não se apresentaria às autoridades iranianas pois não tolerava tanto desprezo pelas leis do país e violações básicas de direitos humanos", disse Moghaddam à BBC Brasil.

Carta a Lula

Outra ativista iraniana, Mina Ahadi, que mantém uma campanha de assinaturas na internet em favor de Sakineh Ashniati, escreveu uma carta aberta ao presidente Lula elogiando a oferta a Ashtiani. Ela também citou o nome de outras mulheres iranianas que foram mortas por apedrejamento no Irã e o drama vivido por seus filhos.

No entanto, Ahadi pediu a Lula que se informasse de outros casos de pessoas condenadas, alguns deles prisioneiros políticos, que aguardam execução. Em um trecho da carta, ela lembra Lula do histórico do governo iraniano em executar oponentes.

"Este regime é um governo de execuções e apedrejamento que coloca pessoas na prisões todos os dias e corta seus pés e mãos. Este é um regime que executa mais pessoas per capita do que qualquer outro governo no mundo. Um regime assim não deveria ser reconhecido pelas organizações internacionais e chefes de Estado", diz Ahadi em sua carta a Lula.

Também nesta terça-feira, o porta-voz do Ministério do Exterior iraniano, Ramin Mehmanparast, afirmou que o presidente Lula tinha " personalidade emotiva " e que sua proposta de asilo à iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani estava baseada em informações insuficientes sobre o caso.

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