Assaltante negocia ao vivo pela TV libertação de reféns na Argentina

Homem se entrega após manter reféns em agência bancária por cinco horas e discutir exigências com apresentadores de TV

BBC Brasil |

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Um assaltante argentino negociou nesta quinta-feira com duas emissoras de televisão a liberação de cerca de 30 reféns que estavam com ele dentro de um banco da cidade de Pilar, na província de Buenos Aires (leste do país).

A negociação do assaltante, identificado como Josué Rodríguez Coronel, com os canais TV América e C5N foi transmitida ao vivo. Ele se entregou à polícia após manter reféns durante cinco horas dentro de uma agência do Banco de La Nación Argentina.

Segundo a TV C5N, quando Coronel iniciou o crime, o banco estava cheio, com cerca de cem pessoas, que foram sendo liberadas aos poucos pelo assaltante.

Conversa ao vivo

Josué Rodríguez Coronel ligou para um apresentador da TV América, Guillerme Mondino, para iniciar as negociações. "Eu quero negociar", disse o assaltante. "Eu não sou negociador. Sou Mondino, sou jornalista", respondeu o apresentador. Coronel, por sua vez, respondeu que era por isso mesmo que tinha ligado para a emissora, esperando que os repórteres transmitissem à polícia suas exigências.

O assaltante continuou conversando ao vivo com Mondino. "Eu não maltratei ninguém. Só disparei duas vezes, nada mais", disse. O apresentador tentou então saber se os tiros tinham atingido algum refém. O assaltante disse que os tiros foram para o ar e colocou um refém na linha com o jornalista. "Está tudo bem, sou um empregado. O homem está tranquilo", afirmou o refém.

O assaltante então retomou o telefone e insistiu que as TVs chegassem o quanto antes ao local. "Não faça nada contra os reféns", pediu o apresentador. O assaltante o colocou em contato com outro refém que, mais tenso, perguntou quanto tempo as câmeras demorariam para chegar ao local do assalto.

Do lado de fora da agência, familiares e empregados do setor bancário pediam que as exigências do assaltante fossem atendidas. O assaltante pedia um carro, a presença das câmeras e também a presença da mulher e da filha.

Gritos

O assaltante também fez um telefonema para outra emissora de televisão, a C5N. No diálogo com a C5N, o assaltante interrompeu para dizer, aos gritos, que não estava gostando da movimentação de alguns reféns e pediu que eles deitassem no chão. "Eu estou falando com a televisão. Imaginem se me matam agora", disse.

Uma refém afirmou à mesma emissora que o rapaz teria uma bomba. "Ele tem uma bomba. Somos quarenta idosos. Não podemos continuar assim. Por que não trazem as câmeras? Vocês (jornalistas) estão cuidando de nossas vidas", disse a refém.

Alguns reféns, como grávidas e pessoas que passaram mal, foram liberadas no meio da tarde, quando o assalto já durava mais de quatro horas. O chefe da polícia da província de Buenos Aires, Juan Carlos Paggi, afirmou que outros três assaltantes teriam fugido antes mesmo que Coronel declarasse que clientes e funcionários eram reféns.

A polícia investiga se outros criminosos estariam ligados ao caso. "Liberamos todos os reféns e estão todos bem. Ele se entregou, pacificamente, após ver a sua família", afirmou o secretário de Segurança e Justiça da província de Buenos Aires, Ricardo Casal.

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