Após três anos, Israel permite entrada de roupas na Faixa de Gaza

Depois de três anos parados no porto israelense de Ashdod, contêineres com roupas e sapatos finalmente foram enviados neste domingo a comerciantes palestinos da Faixa de Gaza que os haviam encomendado. Autoridades israelenses permitiram pela primeira vez em três anos a passagem de cinco caminhões com roupas e outros cinco transportando mercadorias pelos postos de controle de Kerem Shalom, na entrada da Faixa de Gaza.

BBC Brasil |

No entanto, fontes palestinas afirmam que parte do carregamento não poderá mais ser vendida, já que teria mofado, depois de anos de espera no porto.

Israel decretou o bloqueio à Faixa de Gaza quando o grupo militante Hamas tomou à força o controle do enclave palestino, em junho de 2007, expulsando o Fatah da região.

Desde então, autoridades israelenses têm permitido a entrada na Faixa de Gaza apenas de produtos básicos transportados em caminhões da ONU.

Ao longo de três anos, transportes particulares foram totalmente proibidos e Israel estabeleceu uma lista definindo os "produtos básicos" que podem ser transportados para a região.

'Artigos de luxo'
A lista exclui centenas de itens, como roupas, sapatos, instrumentos musicais, cigarros, livros e aparelhos elétricos.

Vários produtos alimentícios também são considerados artigos de "luxo" e não têm a autorização de entrada, como queijos e iogurtes.

A proibição mais rígida é a de entrada de materiais de construção, principalmente cimento, ferro e aço, que torna impossível a reconstrução da região, parcialmente destruída durante a chamada Operação Chumbo Fundido - a ofensiva israelense realizada entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

De acordo com porta-vozes israelenses, a Faixa de Gaza passou a ser governada por uma "entidade hostil" e, portanto, Israel "tem o direito de impor sanções à região, para pressionar o governo do Hamas a parar de lançar foguetes contra o sul do país".

Segundo o Exército israelense, os materiais de construção poderiam ser utilizados pelo Hamas para a fabricação de armamentos.

Para grupos de direitos humanos, o bloqueio significa "punição coletiva" aos cerca de 1,5 milhão de palestinos que moram na Faixa de Gaza.

Túneis para o Egito
Nos últimos meses, as pressões pelo fim do bloqueio à Faixa de Gaza aumentaram, tanto nos Estados Unidos, como na Organização das Nações Unidas (ONU) e na União Europeia.

Durante os três anos de bloqueio, a única via de fornecimento de mercadorias não autorizadas por Israel à população da Faixa de Gaza tem sido as centenas de túneis escavados pelos palestinos entre a parte palestina da cidade de Rafah (no sul da Faixa de Gaza) e a parte egípcia da cidade.

Além de roupas e cigarros, os túneis também servem para levar aparelhos elétricos, como máquinas de lavar e geladeiras e até veículos para os habitantes de Gaza.

Os túneis também seriam utilizados pelo Hamas e por outros grupos armados que operam na região para o contrabando de armamentos e são constantemente bombardeados pela Força Aérea israelense.

O Egito, que vê os túneis como uma violação de sua soberania, decidiu, em 2009, construir uma barreira subterrânea de aço para impedir a continuação das escavações e barrar o contrabando de mercadorias e armas para a Faixa de Gaza.

Os trabalhos para a construção barreira egípcia começaram no final de 2009.

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