Após revolta popular, Tunísia lança anúncio polêmico para atrair turistas

Campanha recebe críticas e é acusada de ser 'insensível' em relação àqueles que foram presos, torturados e mortos no regime de Ben Ali

BBC Brasil |

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O governo da Tunísia deu início a uma polêmica campanha de publicidade que tenta atrair turistas ao país após a revolta popular deste ano que deixou mais de 200 mortos e levou ao fim do regime do presidente Zine El Abidine Ben Ali.

Em um dos outdoors colocados em ônibus londrinos, uma mulher aparece recebendo uma massagem com os dizeres: "Dizem que na Tunísia algumas pessoas são tratadas com mão pesada".

Escritório de Turismo da Tunísia
Outdoors foram colocados em ônibus da capital londrina
Representantes da agência de publicidade que criou a campanha para o Escritório de Turismo da Tunísia dizem que o objetivo é chamar a atenção de pessoas na Grã-Bretanha e em outros países que possam estar interessadas em conhecer as praias e parques arqueológicos tunisianos. "A ideia era ser provocativo para lidar com possíveis medos em relação à questão da Primavera Árabe", disse à BBC Syrine Cherif, da agência Memac Ogilvy.

Outros anúncios mostram antigas ruínas romanas com a frase: "Dizem que a Tunísia está em ruínas".

'Insensível'

Cherif negou que a campanha seja insensível em relação às pessoas que foram presas, torturadas ou mortas durante os 23 anos do regime de Ben Ali. "Esse tratamento injusto era perpetrado por pessoas que faziam parte da ditadura e agora a ditadura se foi. Acabou. Hoje, há uma nova Tunísia", disse ela.

Cherif acrescentou ainda que a campanha é dirigida a turistas estrangeiros, não a tunisianos. O turismo é crucial para a economia da Tunísia. Em um país com população de pouco mais de 10 milhões de pessoas, a indústria gera cerca de 400 mil empregos e injeta cerca de US$ 2,5 bilhões por ano na economia.

Primavera Árabe

A Tunísia foi o primeiro país a viver as revoltas populares que varreram o norte da África e o Oriente Médio, desde dezembro do ano passado.

Ben Ali fugiu para a Arábia Saudita em janeiro após perder o apoio do Exército em seu país. Seu julgamento à revelia, com acusações que vão de conspiração contra o Estado a tráfico de drogas, começa na segunda-feira.

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