Após derrota em eleições regionais, Sarkozy muda ministério

Um dia depois de seu partido, a UMP (União pelo Movimento Popular), de centro-direita, ter sofrido uma dura derrota nas eleições regionais realizadas no último domingo, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou uma reforma em seu ministério. Por meio de um comunicado divulgado na tarde desta segunda-feira, a Presidência francesa anunciou quatro novos nomes que passarão a ocupar postos importantes no governo, como os Ministérios do Trabalho e do Orçamento.

BBC Brasil |

O atual titular da pasta do Trabalho, Xavier Darcos, foi substituído por Eric Woerth, atual ministro do Orçamento.

Woerth, por sua vez, será substituído por François Baroin, que, segundo o jornal Le Monde, é próximo do ex-presidente Jacques Chirac. Já Georges Tron, próximo do ex-premiê Dominique de Villepin, ocupará o cargo de secretário de Estado da Solidariedade e do Serviço Público.

Além disso, Martin Hirsch, alto comissário de Atividades contra a Pobreza e pela Juventude, considerado um símbolo de uma abertura à esquerda no governo, foi substituído por Marc-Philippe Daubresse, político da UMP.

Reação
A reforma é uma reação direta ao resultado das eleições de domingo, que deixaram a centro-direita no controle de apenas uma das 22 regiões da França.

Após a derrota, Sarkozy também sugeriu que pode diminuir a velocidade de reformas consideradas impopulares.

Com quase a totalidade das urnas apuradas, o partido do presidente obteve 36% dos votos, enquanto a coalizão de oposição liderada pelo Partido Socialista obteve cerca de 54% da preferência do eleitorado.

O pleito - que teve uma taxa de comparecimento de cerca de 51% - é o último grande teste eleitoral na França antes das eleições presidenciais de 2012.

Após a divulgação dos resultados, o chefe de Gabinete do presidente, Claude Gueant, afirmou que estas eleições foram "um grande sinal de alerta para ação efetiva e rápida" em relação ao desemprego e outros desafios econômicos.

A líder de oposição Martine Aubry, por sua vez, afirmou que os resultados mostram que o povo francês "rejeita as políticas do presidente e do governo".

Insatisfação
Jane Kirby, correspondente da BBC em Paris, afirma que os resultados do pleito devem fazer com que Sarkozy seja mais cauteloso ao implementar um amplo programa de reformas que já custaram alguns votos a ele.

Segundo ela, muitos franceses estão insatisfeitos com o fato de algumas das promessas de campanha de Sarkozy - como a de aumentar o poder aquisitivo da população e tornar a França mais competitiva - não terem se tornado realidade.

Os altos números do desemprego e a insatisfação com as reformas judiciária e previdenciária estão sendo vistos como alguns dos fatores que levaram os eleitores a punir o governo nas eleições regionais.

Com cerca de 3 milhões de pessoas sem trabalho, a França está sofrendo com o maior nível de desemprego em décadas.

A pressão sobre o governo de Sarkozy deve aumentar ainda mais nesta semana, com uma greve de trabalhadores do setor público programada para esta terça-feira.

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