Após 5 mortes, líderes opositores se entregam na Tailândia

Apesar de rendição de líderes "camisas vermelhas", violência prossegue na capital tailandesa

BBC Brasil |

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Pelo menos cinco pessoas morreram e dezenove ficaram feridas nesta quarta-feira em uma ofensiva do Exército tailandês para remover o acampamento dos manifestantes de oposição, conhecidos como "camisas vermelhas", do centro da capital, Bangcoc.

A ação elevou para 65 o número de mortos desde março, e resultou na rendição de líderes do movimento. Alguns dos principais líderes se entregaram às autoridades por volta das 13h45 de Bangcoc (3h45 de Brasília) alegando querer evitar mais mortes.

O governo decretou toque de recolher e não tem expectativa de encerramento da ofensiva.

Pela manhã, tanques removeram barricadas de bambu e pneus da área central do acampamento, no parque de Lumpini, dispersando centenas de rebeldes que se recusavam a deixar a área.

Em outras regiões do país e da cidade, os manifestantes ainda estão em ação.

Fumaça negra de pneus queimados podia ser vista emanando da avenida Rama IV, onde "camisas vermelhas" atearam fogo no andar térreo de uma estação de TV. Os manifestantes também jogaram bombas incendiárias nos shoppings de luxo Central World e Siam Paragon.

No noroeste do país, em Udon Thani e Khon Kaen, manifestantes rebeldes invadiram os prédios do governo local em resposta à ofensiva em Bangcoc.

AP
Fumaça é vista no centro de Bangcoc após manifestantes atearem fogo em prédio de estação de TV

Operação

A operação que resultou nas mortes começou na madrugada desta quarta-feira no horário local e, no final da manhã, o governo já havia conseguido retomar a parte central do acampamento dos rebeldes.

A ação teve início um dia e meio após o vencimento do prazo para a saída voluntária dos manifestantes.

Até o início da tarde, a ofensiva só não havia sido mais sangrenta que os confrontos do dia 10 de abril, que resultaram em 25 mortos, quando o governo tentou pela primeira vez remover os manifestantes, sem sucesso.

Os rebeldes, fiéis ao ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, deposto em 2006, estavam acampados no principal distrito comercial de Bangcoc há cerca de dois meses, para pressionar o governo a dissolver o Parlamento e convocar eleições diretas imediatamente.

Eles acreditam que o atual primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, não é legítimo, pois chegou ao poder através de um voto parlamentar e não pela escolha popular.

Centro

A área invadida pelo Exército fica bem no centro moderno de Bangcoc e é uma região nobre, com diversos shopping centers de luxo, bancos, prédios de escritórios e condomínios residenciais de alto padrão.

Há cerca de seis dias o governo cortou o acesso a água, energia elétrica e comunicações para isolar essa região e forçar os manifestantes a se render.

O isolamento resultou em confrontos na periferia do acampamento, que deixaram mais de 40 mortos.

Milhares de moradores afetados pelas medidas tiveram de deixar suas casas e ir morar com familiares ou conhecidos em outras partes da cidade.

A expectativa de um confronto era latente desde a última sexta-feira, quando o prazo de retirada voluntária foi estabelecido.

O sistema de transporte público está suspenso, bancos e órgãos do governo estão fechados. As escolas seguem em recesso até a próxima semana e é feriado público até sexta-feira.

Os moradores da capital estão refugiados em suas casas aguardando o desfecho dos confrontos.

Pelo menos três rodadas de negociações anteriores falharam e o governo alega agora que só voltará à mesa de negociações depois que os rebeldes abandonarem a capital.

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