Amorim recebe diretor de agência atômica com Irã na pauta

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reúne-se nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, com o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukya Amano, que está à frente da organização desde dezembro do ano passado.

BBC Brasil |

O encontro ocorre em meio ao acirramento das discussões sobre o programa nuclear iraniano e às vésperas da conferência de revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, que começa no dia 3 de maio, em Nova York.

De acordo com um funcionário do Itamaraty, Amano está no Brasil com o objetivo principal de reforçar a relação com países em desenvolvimento, que nos últimos anos vêm demandando maior participação no principal organismo do mundo na área nuclear.

Segundo esse mesmo diplomata, o governo brasileiro quer aproveitar o encontro pessoal para discutir mais a fundo as informações quanto à expansão do programa nuclear de Teerã.

"O Brasil defende o diálogo com o Irã e a agência atômica pode ajudar na discussão sobre a viabilidade de um acordo", diz o funcionário do Itamaraty.

"Nossa avaliação é de que o diretor da agência pode ter um papel mais atuante em levar as partes a um entendimento", diz o diplomata.

O chanceler Amorim chegou a comentar, publicamente, a necessidade de uma maior atuação da AIEA no contexto das negociações com o governo de Mahmoud Ahmadinejad.

De acordo com o Itamaraty, o ministro brasileiro quer ainda ouvir de Amano as últimas atualizações sobre o enriquecimento de urânio em território iraniano para, a partir daí, os dois discutirem os principais "focos de desconfiança" quanto ao programa nuclear do Irã.

A diplomacia brasileira defende que ainda há espaço para o diálogo com Teerã, enquanto países como Estados Unidos e França defendem a aplicação de sanções comerciais ao Irã.

Críticas

Há apenas três meses no cargo de diretor-geral da Agência, Amano tem sido duramente criticado pelo governo de Ahmadinejad.

Teerã elevou o tom contra a AIEA depois que a instituição divulgou, em fevereiro, um relatório - o primeiro assinado por Amano - sugerindo de forma mais explícita que o programa nuclear do Irã poderia estar relacionado ao desenvolvimento de armas nucleares.

O governo iraniano negou que estivesse criando armas atômicas e acusou a Agência Nuclear de atuar "a serviço" dos Estados Unidos e de outras potências ocidentais.

Teerã criticou também o próprio Amano, em função de sua "inexperiência", lembrando o fato de o diretor ter sido eleito "com certa dificuldade".

A crítica referia-se ao fato de a candidatura do japonês Yukiya Amano ter enfrentado resistência entre os países emergentes, entre eles o Brasil, que apoiavam o sul-africano Abdul Minty.

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