Amorim diz que pediu moderação ao Irã em encontro na Turquia

Ministro pede que Irã aja com moderação para evitar novas sanções da Comunidade Europeia

BBC Brasil |

selo

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse ao chegar a Jerusalém neste domingo, que pediu ao chanceler iraniano, Manuchehr Mottaki, durante um encontro na Turquia, que o país aja com moderação para evitar novas sanções da Comunidade Europeia. Após chegar, Amorim conversou por uma hora e meia com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.

Em entrevista a jornalistas brasileiros, o chanceler Amorim disse que informou o primeiro ministro israelense sobre as conversas que teve com os chanceleres turco e iraniano em Istambul, na Turquia, e sobre o diálogo que o Brasil tem mantido com o governo sírio e com a Autoridade Palestina.

De acordo com Amorim, a conversa com Netanyahu foi "proveitosa" e o premiê israelense demonstrou muito interesse nas informações, fazendo anotações e várias perguntas durante a reunião. Os encontros do chanceler brasileiro em Istambul e Jerusalem ocorrem um dia antes que a União Europeia deverá se reunir para discutir mais sanções contra o Irã, com o objetivo de impedir que o país siga adiante com seu projeto nuclear.

Reuters
O ministro brasileiro, Celso Amorim, o turco, Ahmet Davutoglu, e o iraniano, Manouchehr Mottaki

'Reação firme'

O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad afirmou neste domingo que seu país "reagirá com firmeza às sanções". Amorim disse que "espera que a União Europeia não imponha novas sanções ao Irã, sanções não ajudam" e acrescentou ter pedido a Manuchehr Mottaki que o Irã "aja com moderação". "Viemos reafirmar o nosso interesse em uma solução pacifica, diplomática e negociada para a questão nuclear iraniana, que também garanta que não haja mobilização militar do programa (nuclear) iraniano", disse Amorim.

O ministro também disse que o Brasil recebeu "sinais ambíguos" sobre o interesse de vários países no acordo de troca de urânio com o Irã. "É preciso que os sinais sejam claros, o nosso único objetivo é ajudar na paz", afirmou. Ceticismo Amorim disse ainda que se os 1,2 mil quilos de urânio (que deveriam ser retirados do Irã, segundo o acordo) já estivessem na Turquia, "o mundo estaria mais tranquilo".

Em entrevista à BBC Brasil, a embaixadora Dorit Shavit, diretora do departamento de América Latina do ministério de Relações Exteriores de Israel, manifestou o ceticismo do governo israelense acerca do acordo de troca de urânio. "Lamentamos que um país como o Brasil se deixe enganar pelo Irã", disse Shavit, "depois de tanto tempo utilizando todos os tipos de artimanhas para ocultar o seu programa nuclear, a comunidade internacional já se convenceu de que a verdadeira intenção do Irã é fabricar armas atômicas".

"O Brasil é um país amigo de Israel, mas sobre as questões politicas ligadas à região (o Oriente Médio), nós discordamos e continuamos discutindo nossas divergências como amigos", afirmou a embaixadora israelense. Nesta segunda-feira, o chanceler brasileiro deverá ir a Ramallah para se encontrar com o primeiro-ministro palestino, Salam Fayad, e com o ministro das Relações Exteriores, Riad Al-Malki. Na terça-feira, Amorim deverá almoçar com o chanceler israelense, Avigdor Lieberman, e depois parte para a Siria.

    Leia tudo sobre: irãturquiabrasildiplomacia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG