Americana libertada no Irã agradece ao Brasil e pede mais ajuda

Sarah Shourd se reuniu com chanceler brasileiro, Celso Amorim, e pediu a Lula ajuda para libertar noivo e amigo presos no Irã

BBC Brasil |

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A americana Sarah Shourd, libertada há uma semana no Irã após passar 410 dias presa no país, foi nesta terça-feira à Missão brasileira nas Nações Unidas para agradecer a ajuda do Brasil, que procurou convencer Teerã a liberá-la.

AFP
Sarah Shourd e a mãe, Nora, que a acompanhou em viagem de volta a Nova York (19/09/2010)
Sarah, que se reuniu com o chanceler brasileiro, Celso Amorim, também pediu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva continue pedindo para que seu noivo Shane Bauer e seu amigo Josh Fattal, que permanecem detidos no Irã, também sejam liberados.

“A reunião foi muito boa, e aprecio essa oportunidade de conversar com o ministro e o interesse e o envolvimento do Brasil, mas não posso mais comentar o assunto”, disse Sarah.

“Estamos muito agradecidos pela ajuda do Brasil, do presidente Lula e do ministro Celso Amorim”, agregou Alex Fattal, irmão de Josh, pedindo que o Brasil “continue falando com os iranianos para que eles (tomem a atitude) humanitária”.

Telegrama

Shourd se reuniu com Amorim durante meia hora acompanhada pela mãe e o irmão de Fattal, Laura e Alex.  O chanceler prometeu continuar a pedir a libertação dos outros americanos. “Esse é um assunto humanitário, e a gente tem que tratar com toda a delicadeza, ou as coisas não acontecem”, disse.

No dia da libertação de Sarah, Amorim mandou um telegrama de agradecimento ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. Segundo o ministro, a libertação da americana mostra uma abertura do governo iraniano depois de um esforço conjunto de vários países.

“Numa situação como essa, ninguém pode buscar crédito para si. O presidente Lula conversou com o presidente Ahmadinejad de maneira muito respeitosa. Eu mandei também uma mensagem respeitosa, mas ao mesmo tempo manifestando o apreço (pelo fato) de que as ponderações do presidente Lula tenham sido ouvidas. Esperamos que ele (Ahmadinejad) possa tomar outras decisões soberanas no mesmo sentido”, disse.

O ministro citou a intervenção do Brasil no caso da francesa Clotilde Reiss, acusada de espionagem no Irã e condenada a 10 anos de prisão até ser libertada, sob pagamento de US$ 285 mil.

“O Brasil não foi o único que ajudou, mas, naquele caso, eu diria que talvez tenhamos sido operativamente os mais eficientes. Nesse caso (de Shroud) não sei se fomos nós, mas de qualquer maneira tentamos ajudar.”

Amorim ressaltou que a libertação foi uma “decisão soberana” de Teerã e que “não teria cabimento” exercer pressão sobre o regime persa – apenas fazer “apelos, porque as pessoas confiam na gente”. O ministro disse ainda que a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, o agradeceu pela libertação de Sarah.

Decisão

Os três americanos foram detidos há 14 meses por supostamente entrar de forma ilegal no Irã e foram acusados de espionagem. O crime é punido com a morte pela lei iraniana. No último dia 14, a Justiça libertou Sarah, aceitando o argumento de que a americana tinha o estado de saúde debilitado. Bauer e Fattal, porém, permanecem detidos e devem ir a julgamento.

Suas famílias alegam que os três entraram em território iraniano por engano, durante uma caminhada pelas montanhas do Curdistão, no norte do Iraque.

Também nesta terça-feira, Amorim encontrou representantes dos países do grupo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) na ONU.

Segundo ele, a reunião foi importante para “coordenar as posições” dos países do grupo, tendo em vista o fato de que todos os integrantes do grupo passarão a ser membros do Conselho de Segurança da ONU no ano que vem.

Outro tema discutido durante a reunião foi a preparação para a reunião de cúpula dos Bric em 2011 quando a posição dos países estará mais clara.

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