Pacote interceptado continha fios e pó branco

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A Al-Qaeda na Península Arábica, grupo que assumiu a autoria dos pacotes explosivos endereçados aos EUA e interceptados em 29 de outubro, publicou na internet os detalhes de sua estratégia de ação.

Os planos estão surpreendentemente detalhados em uma revista online publicada pelo grupo extremista, relata o correspondente da BBC no Oriente Médio, Jon Leyne. O grupo diz que pagou US$ 4,2 mil (R$ 7,2 mil) para enviar pelo correio do Iêmen dois pacotes explosivos, endereçados a sinagogas em Chicago.

O grupo disse que o ataque fracassado era o início de uma estratégia de lançar mão de operações menores, porém mais frequentes, com o objetivo de "sangrar o inimigo até a morte". As bombas foram interceptadas em Dubai e na Grã-Bretanha - antes que pudessem seguir viagem aos EUA -, graças a inteligência fornecida por um ex-militante da Al-Qaeda.

A programação na bomba interceptada em solo britânico confirma, segundo autoridades, que o interesse dos extremistas era atingir um alvo americano, e não europeu ou no Oriente Médio.

Confiança

A divulgação do plano na web - incluindo seu tempo de preparação e número de pessoas envolvidas - é uma prática incomum dentro da Al-Qaeda e sugere, de acordo com Leyne, que o grupo pode estar ganhando confiança em seu esconderijo no Iêmen ou querendo se gabar.

"Nunca vimos um grupo militante da órbita da Al-Qaeda divulgar um plano de sua filosofia, seus detalhes operacionais, suas intenções e seus próximos passos", disse o especialista em segurança Ben Venzke, do IntelCenter, grupo que monitora ameaças terroristas.

Os extremistas até listaram os custos exatos dos itens usados na operação, como celulares, de transporte e de correio. Disseram que divulgariam detalhes de sua metodologia para outras facções da Al-Qaeda pelo mundo.

Suspeita-se que o autor da publicação seja Anwar al-Awlaki, um iemenita-americano que é conhecido por suas habilidades de comunicação e que, acredita-se, está escondido no Iêmen.

Para alguns analistas, a divulgação pode ser também fruto da necessidade de chamar atenção para ataques menores, já que o grupo falhou em concretizar recentes ações de grande porte. Pode ser, ainda, uma tentativa de passar falsas informações para as agências de inteligência ocidentais.

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