Alemanha premia autor de polêmica caricatura de Maomé

Em cerimônia com a participação da chanceler Angela Merkel, cartunista dinamarquês Kurt Westergaard recebeu prêmio em Potsdam

BBC Brasil |

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O autor de uma polêmica caricatura do profeta Maomé que causou protestos no mundo islâmico no início de 2006 recebeu nesta quarta-feira um prêmio na Alemanha por sua defesa da liberdade de expressão. Em uma cerimônia que contou com a participação da chanceler alemã Angela Merkel, o cartunista dinamarquês Kurt Westergaard recebeu o Prêmio de Mídia M100 2010, na cidade de Potsdam. O cartunista compareceu à cerimônia sob um forte esquema de segurança.

A publicação de uma caricatura de sua autoria no jornal dinamarquês Jyllands-Posten, em 2005, fez com que ele recebesse ameaças de morte e causou uma onda de violência e protestos. O desenho mostrava o turbante de Maomé como uma bomba, com o pavio aceso.

A decisão de Merkel de participar da cerimônia foi encarada com surpresa na Alemanha. O jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung chegou a classificar a sua presença como "provavelmente o mais explosivo compromisso de seu mandato até agora".

AFP
Cartunista dinamarquês Kurt Westergaard recebeu o Prêmio de Mídia M100 2010 em cerimônia sob forte esquema de segurança
Durante a cerimônia, Merkel defendeu o direito de Westergaard de publicar a caricatura e fez elogios à liberdade de imprensa na Europa. Em seu discurso, Merkel abordou ainda a polêmica a respeito da intenção de um pastor norte-americano de queimar exemplares do Alcorão para marcar o aniversário dos ataques de 11 de setembro.

Merkel classificou a iniciativa como "desrespeitosa, repugnante e simplesmente errada".

Protestos

As caricaturas de Westergaard causaram polêmica em vários países logo após sua publicação. Muçulmanos de vários países realizaram protestos nos primeiros meses de 2006 e instalações diplomáticas dinamarquesas foram incendiadas na Síria e no Líbano.

Em 2008, outros 20 jornais dinamarqueses reproduziram a ilustração, causando uma nova onda de protestos. Em 2009, dois homens foram detidos em Chicago, acusados de planejar um ataque contra o jornal que primeiro publicou a caricatura, o Jyllands-Posten.

Em janeiro deste ano, um cidadão da Somália foi acusado de invadir a casa do autor e ameaçá-lo com uma faca. Extremistas islâmicos ofereceram uma recompensa de US$ 1 milhão pelo assassinato de Westergaard, que vem recebendo proteção do serviço secreto dinamarquês nos últimos anos.
No ano passado, o autor de 75 anos de idade disse à BBC que estaria "velho demais para se esconder".

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