Presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keita também decretou três dias de luto nacional

BBC

O governo do Mali decretou neste sábado Estado de emergência por 10 dias após um ataque realizado por supostos extremistas islâmicos a um hotel na capital do país, Bamako, na sexta-feira. 

Segundo o último balanço divulgado pelo governo, 19 pessoas, a maioria hóspedes, morreram. 

O presidente do Mali, Ibrahim Boubacar Keita, também decretou três dias de luto nacional. 

Em pronunciamento à nação, Keita afirmou que dois extremistas foram mortos. 

A Al-Qaeda no Magreb Islâmico e o al-Murabitoun, filiado à organização extremista, reivindicaram a autoria dos ataques. 

Na sexta-feira, mais de 130 hóspedes e funcionários foram libertados quando forças especiais do Mali e da França, além de militares americanos fora de serviço romperam o cerco ao hotel Radisson Blu na capital Bamako. 

Três executivos chineses estão entre os mortos. O presidente da China, Xi Jinping, descreveu o ataque como "cruel e selvagem", informou a agência de notícias Reuters. 

Uma americana também foi morta. Segundo o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o atentado é uma advertência de que o "flagelo do terrorismo" ameaça muitas nações. 

O ministro de Relações Exteriores do Reino Unido, Philip Hammond, afirmou que três britânicos que estavam hospedados no hotel se encontram em segurança. 

Por sua parte, Keita disse que o Mali faria "o que fosse preciso para erradicar o terrorismo" no país. 

Relatos iniciais indicavam que pelo menos 27 teriam morrido durante o ataque. 

Um funcionário da ONU que pediu para não ser identificado afirmou que 12 corpos foram encontrados no porão e no 15º andar do hotel.

Suspeitos

Ainda não se sabe quantos são os envolvidos nos ataques. Testemunhas afirmam que 13 atiradores entraram no lobby do hotel disparando e gritando "Deus é grande (Allahu Akbar)" em árabe. 

No entanto, a companhia que administra o hotel, o Rezidor Group, com sede nos Estados Unidos, afirmou na sexta-feira que apenas dois atiradores participaram dos ataques. 

Em 2013, a França conseguiu retomar o controle de partes do Mali, uma ex-colônia francesa, até então dominadas por militantes islâmicos. Batizada de 'Opération Serval', a ofensiva concentrou-se, sobretudo, no norte do país. 

Especialistas afirmam, contudo, que as fronteiras porosas e a ausência do Estado em áreas onde os jihadistas atuam permitiram que os militantes extremistas se reorganizassem.

Ainda não ficou provada qualquer conexão entre o ataque no Mali e o atentado em Paris ocorrido na semana passada, que deixou 130 mortos.

Em agosto deste ano, um extremista islâmico matou 13 pessoas, entre as quais cinco funcionários da ONU, após fazê-las reféns em um hotel na cidade central de Sevare, no Mali.

A França interveio no país em janeiro de 2013, quando militantes da al-Qaeda ameaçaram invadir a capital Bamako.

Meses depois, foi estabelecida uma missão de paz da ONU, à qual coube manter a segurança no país, depois de o controle das principais cidades do norte ter sido retomado.

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