Exército britânico terá unidade especializada em redes sociais

Por BBC |

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Brigada irá lutar 'guerra da informação'; grupos como 'Estado Islâmico' têm atuação forte e fazem recrutamento pela internet

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O Exército britânico irá criar uma nova unidade especializada em mídias sociais para ajudar nas guerras "da era da informação".

Grupos como o autodenominado "Estado Islâmico" têm forte atuação nas redes sociais, por meio da qual fazem recrutamentos e outras ações.

O objetivo do Exército é tentar influenciar populações pelas redes sociais.

LEIA MAIS: Estado Islâmico ordena novos ataques após ação em Paris

Segundo a corporação, a ideia surgiu a partir de lições aprendidas na Guerra do Afeganistão. O chefe da força, general Nick Carter, disse que a medida era uma tentativa de operar de modo "mais inteligente".

A 77ª Brigada, composta de reservistas e tropas regulares e com base em Hermitage, Berkshire, será formalmente criada em abril.

Um porta-voz do Exército disse que a unidade iria "desempenhar um papel fundamental para permitir que o Reino Unido lute na era da informação".

"A brigada está sendo criada para reunir uma série de habilidades essenciais para enfrentar os desafios do conflito e das guerra modernas.

"Ela reconhece que um campo de batalha moderno pode ser afetado de maneiras não necessariamente violentas e se baseia fortemente nas lições do Afeganistão, entre outros."

O recrutamento para a brigada, em que 42% do pessoal será reservista, terá início a partir de março.

Seus membros virão da Marinha, da Aeronáutica e do Exército.

A unidade também vai atuar com as chamadas "operações psicológicas" -focada em desenvolvimento de estratégias de comunicação com as populações locais- e vai buscar "novas formas de permitir que civis sirvam ao lado de militares".

O porta-voz do Exército disse que a unidade terá como inspiração o "espírito de inovação" dos Chindits na Campanha de Mianmar durante a Segunda Guerra Mundial, de 1942-1945.

Chindits era o nome dado a grupos que operavam na selva birmanesa tendo como alvo as comunicações japonesas.

A nova unidade também vai usar a antiga insígnia Chindit de um Chinthe, uma criatura mítica birmanesa que é meio-leão e meio-dragão.

Marketing

Paul Rogers, professor de segurança internacional na Universidade de Bradford, disse que o anúncio representa uma "grande expansão" das operações psicológicas do Exército e foi uma "tentativa de reposicionamento e atualização" nesta área de seu trabalho.

"Tivemos muita dificuldade no Iraque e no Afeganistão. O que o Exército está fazendo agora é tentar aprender com o modo como estes grupos estão usando as mídias sociais", explicou.

Ele acrescentou: "Em alguns sentidos é uma estratégia defensiva. Nós vimos a capacidade incrível do 'Estado Islâmico' na internet, Facebook, Instagram e todo o resto."

Um ex-oficial do Exército que participou de operações psicológicas nos Balcãs, no Afeganistão e no Iraque, Simon Bergman, disse que a unidade vai ajudar a construir "o Exército do futuro".

"Por exemplo, a Brigada 77 terá um grande componente de civis que vão atuar com as populações, conseguindo efeitos militares - e um efeito mais amplo, pois, como sabemos do Afeganistão, os militares não trabalham isoladamente. Funcionam como um componente do governo".

Análise

Leia a análise do correspondente para assunto de Defesa da BBC, Jonathan Beale:

O Exército diz que aprendeu lições valiosas no Afeganistão - e uma dela é que não pode vencer guerras usando apenas força militar.

A nova brigada será composta de militares que não apenas carregam armas, mas que também sejam capazes de usar as mídias sociais, como Twitter e Facebook, e arte obscura das "operações psicológicas", conhecidas como "psyops".

Eles vão tentar influenciar populações locais e provocar mudanças de comportamento por meio do que o Exército chama de meios tradicionais e não tradicionais.

Civis com habilidades desejadas irão trabalhar ao lado das tropas regulares e reservistas e podem ser enviadas para qualquer lugar do mundo para ajudar a "conquistar corações e mentes".

Isso pode ser visto como prova de que o Exército está se adaptando à guerra assimétrica moderna, e que continua a ser relevante num momento em que há temores, no Exército britânico, de que ocorram mais cortes após a eleição britânica, em maio.

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