Vítima de assédio lidera campanha pró-armas em universidades nos EUA

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Debates sobre o porte de armas em ambientes estudantis se acirram

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Tiroteios recentes em escolas e universidades nos Estados Unidos esquentaram o debate sobre o porte de armas em ambientes estudantis. Muitos dizem que a lição a ser aprendida após situações como estas é impedir a entrada de armamento. Mas um número crescente de estudantes argumenta que trazer armas na mochila os deixaria mais tranquilos.

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Taylor Woolrich luta pelo direito de portar armas dentro da universidade onde estuda

É o caso de Taylor Woolrich, de 20 anos, uma ex-participante de concursos de beleza da Califórnia que luta pelo direito de carregar uma pistola no campus por uma razão muito pessoal. Ela foi perseguida durante anos por um homem que conheceu quando era garçonete de um café.

O rapaz começou a visitar o local diariamente para vê-la, e depois também começou a segui-la fora do trabalho. Nem mesmo uma ordem judicial que o obrigava a manter distância da jovem foi suficiente para detê-lo.

As coisas ficaram mais assustadoras quando Woolrich se mudou para o Estado de New Hampshire, do outro lado dos Estados Unidos. "Isso nem estava mais em minha cabeça, então ele me encontrou no LinkedIn e começou a usar as redes sociais para continuar me abordando", conta. "Me mandou várias mensagens aterrorizantes, deixando muito claro que sabia onde eu estava."

Durante as férias de verão, quando ela voltou para casa na Califórnia, ele apareceu de sopetão no quintal de seus pais. À reportagem, Woolrich disse que a polícia americana encontrou o que chama de "kit estupro" - cordas, luvas, fita adesiva, lanterna e um casaco - no carro do homem.

O "perseguidor" da estudante está preso, a sentença ainda será definida. A jovem teme que ele seja absolvido ou cumpra pena fora da cadeia. Woolrich diz que, se isso acontecer, ele poderá encontrá-la novamente.

Por isso, a estudante defende o direito de portar armas na universidade, argumentando que esta é a única maneira de "vencer" caso encontre seu algoz cara a cara.

Segurança

 Como muitas outras por todos os EUA, a Universidade de Dartmouth proíbe armas de fogo no campus

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Universidade de Dartmouth proíbe armas de fogo no campus

Por questões de privacidade, a faculdade Dartmouth College se recusou a comentar este caso específico, mas informou que a segurança de todos os estudantes é prioridade.

Segundo a faculdade, qualquer aluno que perceber que está sendo seguido recebe ajuda e proteção personalizadas. Segundo um porta-voz, melhorias na segurança também são implementadas sempre que necessário.

A exemplo de muitas escolas e universidades pelos Estados Unidos, Dartmouth tem uma política que proíbe armas de fogo no campus.

A lei sobre armamento nestes ambientes varia de Estado para Estado. Em mais de metade do país, fica a critério das universidades definir suas políticas de armas - caso de New Hampshire, onde fica a faculdade de Dartmouth.

Muitas instituições defendem que a permissão de armas no campus pode piorar situações de tensão, em vez de controlá-las.

Para a Associação Americana de Colégios e Universidades públicas (AASCU), "mesmo com a melhor das intenções, estudantes ou funcionários armados podem atrapalhar situações de descontrole, causar ferimentos por acidente ou disparar em situações desnecessárias".

Neste mês, entretanto, um deputado da Flórida criou um projeto de lei que libera o porte por alunos em universidades. Ele citou um tiroteio recente na Universidade Estadual da Florida como argumento para o armamento estudantil.

Porte oculto

Outro grupo norte-americano prega o porte oculto de armas: isso significa que os alunos poderiam ter pistolas em suas mochilas, dentro da universidade, mas não poderiam ostentá-las em cartucheiras ou coldres, por exemplo.

A estudante da universidade de Indiana Crayle Vanest é diretora regional de um dos grupos de defesa do armamento oculto. Ela ganhou seu primeiro rifle aos 14 anos, para uso esportivo.

"Se você tem licença para o porte, tem o direito de levar suas armas para dentro da universidade", diz. "Seus direitos não deveriam mudar quando você pisa no campus."

Vanest diz que a associação dela tem atraído muitas mulheres. "Nós queremos nos proteger no campus, que é uma área onde mulheres são frequentemente atacadas."

Mas, da mesma maneira que há grupos defendendo o armamento, existem vários que pregam o oposto, argumentando que a presença de armas aumenta a violência na faculdade.

"Ter acesso a armas só aumenta as chances de uma pessoa inocente ser alvejada", diz Jamira Burley, da rede "Generation Progress, Gun Violence".Burley diz também que os altos níveis de suicídios entre universitários são mais um motivo para banir as armas de ambientes de ensino.

Ela afirma que 85% das tentativas de suicídio com armas de fogo são fatais. Nos casos de tentativa de overdose, o índice de mortes chegaria a apenas 2%.Para Taylor, a jovem apresentada no início desta reportagem, o direito às armas não é o exercício de um direito constitucional, mas uma questão de se "estar a salvo".

"Que mais eu posso fazer? Qual outra opção existe? Eu tentei de tudo, eu obedeci todas as leis", ela diz. "Nunca respondi a uma única mensagem, me mantive distante, fui para uma universidade a milhares de quilômetros de distância do meu lar, meus pais venderam suas casas e também se mudaram", afirma. "Não há outra opção."

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