Austrália tem problemas parecidos com Brasil, mas desempenho econômico melhor

Por BBC | - Atualizada às

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País recebe líderes do G20 com desafio de superar queda nos valor das commodities

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A Austrália – país que preside atualmente o G20 – é, como o Brasil, um grande exportador de minérios e de produtos agrícolas e também sofre o impacto da queda nos preços das commodities.

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Cúpula do g20 tem início na Austrália com desafios para economia local

Mas esse problema não afeta os dois países da mesma maneira: a economia australiana vem crescendo a taxas maiores do que a brasileira.

Desde 2012, o PIB da Austrália cresce mais do que o brasileiro. Neste ano, a economia australiana deve registrar expansão de 3,1%, enquanto a brasileira deve aumentar apenas 0,3%, menos do que a zona do euro em crise, segundo previsões da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Entre os países do G20 (grupo que reúne os países mais ricos), a Austrália só deverá crescer menos do que a China, Índia, Indonésia e Coreia do Sul em 2014.

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Nos próximos dois anos, segundo previsão da OCDE, o PIB da Austrália deverá continuar crescendo a taxas superiores às do Brasil (1,5% em 2015 e 2% em 2016).

Como o Brasil, a Austrália desfrutou de um longo período de preços internacionais favoráveis e de forte aumento da demanda de algumas matérias-primas consideradas chave, como o minério de ferro.

Existem duas razões que explicam o bom desempenho da economia australiana apesar da queda nos preços internacionais de algumas commodities, disse à BBC Brasil Phil Hemmings, economista sênior da OCDE, especialista nesse país.

"O crescimento das exportações australianas em termos de volume deve se manter sólido em parte devido a grandes projetos de investimentos para aumentar a capacidade produtiva", afirma.

Além disso, a demanda do mercado interno "deve se manter robusta", diz ele.

No Brasil, a forte demanda interna por produtos e serviços registrada nos últimos anos permitiu impulsionar a economia e compensar a retração das exportações aos países afetados pela crise, mas esse modelo vem dando sinais de esgotamento.

Segundo a OCDE, a demanda interna no Brasil só deverá aumentar à medida que a pressão inflacionária se atenuar.

Inflação e educação

A taxa de inflação na Austrália foi de 2,4% no ano passado. "A queda nos preços agrícolas geralmente repercutiu nos preços dos produtos nos supermercados, reduzindo o custo de vida", afirma Hemmings. No Brasil, a inflação oficial em 12 meses até outubro foi de 6,59%, acima do teto estipulado pelo governo (6,5%).

Os dois países também têm o mesmo principal parceiro comercial: a China, que representa quase um terço das exportações australianas.

A crescente demanda por minério de ferro e carvão na China teve um papel importante na expansão da economia australiana nos últimos anos. Essas matérias-primas são os dois principais itens da pauta de exportações do país, representando quase 40% das vendas externas.

A OCDE destaca que a economia brasileira é diversificada e não tão dependente das exportações de commodities quanto outros países, já que os manufaturados representam quase metade das vendas externas.

No entanto, "problemas de infraestrutura, um sistema fiscal ineficiente, burocracia complicada, baixos níveis de educação e crédito caro mantêm a produtividade no Brasil bem abaixo na comparação com outros países", disse à BBC Brasil o economista Jens Arnold, da OCDE.

"Isso afeta a competitividade das exportações brasileiras", afirma Arnol.

Curiosamente, o terceiro "item" mais exportado pela Austrália é a educação.

"As universidades e colégios australianos têm atraído um número considerável de estudantes estrangeiros, que pagam pelo ensino", diz Hemmings. "Essa atividade representa uma exportação porque envolve estrangeiros que compram um produto australiano."

"Alguns lamentam o fato de o Brasil não ter feito melhor uso do alto preço das commodities nos últimos anos para investir no futuro, como por exemplo em infraestrutura e educação", afirma Arnold.

O que é o G20?

O "Grupo dos Vinte" representa dois terços da população mundial, 85% do do PIB global e mais de 75% do comércio mundial.O grupo começou em 1999, depois da crise financeira na Ásia, como uma reunião anual para ministros da Economia e diretores de bancos centrais, antes de se transformar e incluir também os líderes dos países na reunião de 2008, depois da crise financeira mundial.As reuniões do G20 visam o aprofundamento da cooperação econômica e o fortalecimento da economia global.O grupo é formado por 19 países e a União Europeia.Em cada reunião o país anfitrião convida países que não são membros. Para 2014, a Austrália convidou a Espanha, Mauritânia, Senegal, Nova Zelândia, Mianmar e Cingapura.

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