Amerli está sitiada pelo Estado Islâmico há 2 meses. Não há luz nem água, e os estoques de comida e remédios estão acabando

BBC

A ONU alertou a comunidade internacional sobre a necessidade de impedir um possível massacre na cidade de Amerli, no norte do Iraque. O representante especial Nickolay Mladenov afirmou estar "seriamente alarmado" por relatórios sobre as condições atuais dos moradores da cidade.

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Amerli está sitiada por forças do Estado Islâmico há dois meses. Não há eletricidade nem água potável e os estoques de comida e remédios estão acabando.

O Estado Islâmico capturou grandes faixas do Iraque e da Síria nos últimos meses. Desde 8 de agosto , os EUA realizaram mais de 90 ataques aéreos em apoio à campanha militar de iraquianos e curdos contra os insurgentes.

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Ação imediata

A maioria dos residentes de Amerli são xiitas turcos – considerados apóstadas pelo Estado Islâmico. Os habitantes da cidade disseram ter organizado sua força de resistência e afirmaram que nenhuma ajuda estrangeira chegou na região.

"A situação do povo em Amerli é desesperadora e demanda ação imediata para prevenir o possível massacre de seus cidadãos", disse Mladenov em uma declaração. "Eu conclamo o governo iraquiano a fazer todo o possível para aliviar o cerco e assegurar que os residentes recebam assistência humanitária ou sejam retirados de maneira digna."

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Gyorgy Busztin, vice-representante da ONU, disse à BBC que o organismo não teve contato com representantes do Estado Islâmico. "Não falamos com terroristas, e isso é uma questão de princípios", disse.

Na sexta-feira, o clérigo mais influente xiita do Iraque, grande aiatolá Ali al-Sistani, disse estar preocupado com a situação dos habitantes de Amerli.

Visão do fim dos tempos

Na quinta-feira, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, descreveu o Estado Islâmico como uma ameaça iminente aos Estados Unidos.

O general Martin Dempsey, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA e principal conselheiro militar de Barack Obama, afirmou que o Estado Islâmico é "uma organização que tem uma visão estratégica apocalíptica que possivelmente terá de ser derrotada".

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Ele afirmou que as bases dos combatentes do Estado Islâmico na Síria devem ser atacadas. O governo iraquiano xiita está tentando obter o apoio de grupos sunitas em sua luta com os jihadistas do Estado Islâmico.

O premiê designado, Haider al-Abadi – um xiita moderado –, está tentando formar um governo mais inclusivo, após as críticas internacionais a Nuri Maliki, que saiu do cargo deixando uma imagem de divisão.

A campanha militar do Estado Islâmico deslocou cerca de 1,2 milhão de pessoas no Iraque – muitos deles das minorias cristã e yazidi. Refugiados afirmaram que os combatentes islâmicos exigiram a conversão de cristãos e yazidis ao Islã, ameaçando-os de morte em caso de recusa.

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