Caminhões de comboio russo não autorizado começam a sair da Ucrânia

Por BBC Brasil |

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Presidente da Ucrânia havia acusado a Rússia de 'flagrante violação da lei internacional' após a entrada de 220 veículos

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Cerca de cem caminhões, parte de um comboio russo que havia cruzado a fronteira leste da Ucrânia, retornaram à Rússia neste sábado. O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, tinha acusado a Rússia de "flagrante violação da lei internacional" após a entrada de 220 veículos na sexta-feira.

Dia 22: Ucrânia acusa Rússia de invasão após comboio de ajuda humanitária entrar no país

AP
Caminhões de contestado comboio de ajuda humanitária russo são vistos em fila em seu retorno à Rússia no posto de fronteira de Izvaryne, leste da Ucrânia (23/8)

Dia 21: Comboio russo de ajuda humanitária atravessa fronteira rumo à Ucrânia

A chanceler alemã, Angela Merkel, que está na capital ucraniana, Kiev, para negociações com Poroshenko, classificou o ato de "escalada perigosa". O comboio foi até a cidade de Lugansk, que está sob controle dos grupos separatistas pró-Rússia que vêm combatendo as tropas do governo da Ucrânia.

O Kremlin disse que os caminhões transportavam geradores, comida, bebida e outros itens de ajuda humanitária, mas autoridades ocidentais suspeitavam tratar-se de reforços para uma intervenção militar.

O comboio aguardou durante uma semana a autorização ucraniana para cruzar a fronteira, mas acabou entrando sem qualquer controle aduaneiro e sem o acompanhamento da Cruz Vermelha, que também tentou negociar a passagem dos veículos.

'Caminhões vazios'

Autoridades russas disseram que não era mais possível esperar diante da cada vez mais grave crise humanitária no leste ucraniano.

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Repórteres da agência de notícias AP disseram ter visto que 40 dos cerca de cem caminhões que retornaram à Rússia no sábado estavam vazios, mas não se sabe ao certo se os outros também estavam nem o que teria sido descarregado em Lugansk.

Depois de quatro meses de confrontos entre separatistas pró-Rússia e forças ucranianas, mais de 2 mil pessoas já morreram, enquanto mais de 330 mil foram forçadas a abandonar as suas casas.

Os EUA também afirmaram que o deslocamento do comboio russo era uma violação da soberania ucraniana e uma escalada "perigosa" do conflito. Além disso, a Casa Branca afirmou que os russos deveriam recuar ou sofreriam um isolamento ainda maior.

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Ataques: Exército ucraniano e rebeldes se enfrentam perto da fronteira com a Rússia

Em um telefonema, o presidente Barack Obama e Merkel disseram que a situação "vem se deteriorando" desde que um avião comercial da Malásia foi derrubado em território rebelde no mês passado, matando todas as 298 pessoas a bordo.

Oficiais da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) acusam a Rússia de estar reforçando as suas tropas na fronteira e mesmo operando com artilharia dentro da Ucrânia.

No entanto, o embaixador russo no Conselho de Segurança da ONU, Vitaly Churkink, acusou os governos ocidentais de distorção da realidade. "Às vezes, tenho a impressão de estar assistindo a um filme surrealista, porque alguns integrantes do Conselho não estão preocupados com o fato de centenas estarem morrendo", disse.

Churkink afirmou que a Rússia teve de tomar providências para não desperdiçar produtos perecíveis e que espera que a Cruz Vermelha ajude a distribuí-los. "Esperamos o suficiente. Estava na hora de nos mexermos, e foi o que fizemos."

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