Rebeldes permitirão acesso de investigadores à área de queda de avião na Ucrânia

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Boeing 777 supostamente abatido por míssil caiu em região sob controle de separatistas pró-Rússia, deixando 298 mortos

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Separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia vão permitir o acesso de investigadores internacionais à área da queda do avião da Malaysia Airlines, disse nesta sexta-feira a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

Entenda: Caixas pretas, acusações e outras questões sobre a queda do avião

Quinta: Avião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa

AP
Mulher caminha no local onde avião da Malaysia Airlines caiu perto da vila de Rozsypne, no leste da Ucrânia (18/7)

Autoridade dos EUA à rede CNN: Avião da Malásia foi abatido sobre a Ucrânia

Especialistas dizem que a análise dos destroços - possivelmente até mais que das caixas-pretas - pode oferecer as melhores pistas para desvendar o que ocasionou o incidente.

A aeronave, um Boeing 777, levava 283 passageiros e 15 tripulantes e caiu em uma região sob controle dos rebeldes na quinta-feira. Não há sobreviventes.

Sem mea culpa: Ucrânia e separatistas pró-Rússia negam ter abatido avião da Malásia

Separatistas se comprometeram a "isolar a área da catástrofe e permitir que autoridades locais iniciem os preparativos para o resgate dos corpos", disse a OSCE em comunicado. Eles também cooperarão com autoridades ucranianas.

As causas da queda da aeronave ainda são desconhecidas, mas ucranianos e russos se acusam de terem derrubado o avião com um míssil.

Saiba mais: Veja casos de voos comerciais abatidos por fogo hostil

O voo MH17 voava de Amsterdã para Kuala Lumpur e caiu entre Krasni Luch, na região de Luhansk, e Shakhtarsk, em Donetsk, no leste da Ucrânia, onde separatistas e forças ucranianas se enfrentam desde abril.

Atirador protege área onde caiu Boeing 777 da Malaysian Airlines (24/7). Foto: ReutersGuardas de honra levam caixão de uma das vítimas do voo malaio abatido na Ucrânia no aeroporto de Kharkiv (23/7). Foto: ReutersRebeldes fazem guarda enquanto monitores da Osce checam destroços do voo abatido na Ucrânia (22/7). Foto: ReutersEquipes resgatam corpos em meio aos escombros de avião que caiu na Ucrânia (21/7). Foto: APPeter Van Vilet, líder da equipe holandesa de investigações forenses, sai de vagão após inspecionar trem refrigerado na Ucrânia (21/7). Foto: APLíder separatista Aleksander Borodai, ao centro, entrega caixas-pretas do voo MH17a Mohamed Sakri (D.), da Malásia (21/7). Foto: Maxim Zmeyev/Reuters/NewscomBoa parte das cidades da Holanda tiveram o sábado (19) marcado por homenagens aos 193 cidadãos mortos em queda de avião na Ucrânia (19/7). Foto: AP PhotoReprodução de vídeo divulgada por Kiev nesta sexta (18/7) supostamente mostra caminhão carregando lançador de míssil Buk usado para abater avião malaio. Foto: ReproduçãoA malaia Siti Dina chora após ver o nome da filha na lista de passageiros a bordo do voo MH17 da Malaysia Airlines em aeroporto de Sepang, Malásia (18/07). Foto: ReutersHomem (azul) cuja família estava a bordo do voo MH17 consola outro que tinha acabado de chegar com a esposa para confirmar mortes (18/07). Foto: ReutersMulher reage a notícias sobre a queda de avião da Malaysia Airlines no leste da Ucrânia no aeroporto internacional de Kuala Lumpur em Sepang, Malásia (18/07). Foto: APParentes de passageiros a bordo do voo malaio que caiu na Ucrânia chegam a ao aeroporto internacional de Kuala Lumpur, Malásia (18/07). Foto: ReutersReação de uma mulher em frente a embaixada holandesa em Moscou, Rússia (18/07). Foto: Reuters'Nós sentimos muito, muito, muito. É uma vergonha terrível', diz mensagem deixada em frente a embaixada da Holanda em Moscou, Rússia (18/07). Foto: ReutersGaroto deixa flores em frente a embaixada da Holanda em Moscou, Rússia (18/07). Foto: ReutersMembros do Ministério de Emergência ucraniano procuram corpos perto do local onde avião malaio caiu na Ucrânia (18/07). Foto: ReutersTapete cobre corpo de passageiro do voo malaio que caiu em vila perto de Donetsk, Ucrânia (18/07). Foto: ReutersFlores sobre pertences pessoais de passageiros do voo malaio abatido perto de Donetsk, Ucrânia (18/07). Foto: ReutersPertences pessoais de passageiros do voo malaio abatido perto de Donetsk, Ucrânia (18/07). Foto: ReutersMulher afirma que parente estava no avião da Malaysia Airlines e se emociona(17/07). Foto: ReutersDestroços de avião da Malásia e corpos são encontrados no leste da Ucrânia (17/07). Foto: ReutersDestroços de avião da Malásia e corpos são encontrados no leste da Ucrânia (17/07). Foto: ReutersSegundo uma autoridade da Ucrânia, a aeronave teria sido abatida por um míssil lançado por militantes pró-Rússia (17/07). Foto: Reprodução TwitterSegundo uma autoridade da Ucrânia, a aeronave teria sido abatida por um míssil lançado por militantes pró-Rússia (17/07). Foto: Reprodução TwitterSegundo uma autoridade da Ucrânia, a aeronave teria sido abatida por um míssil lançado por militantes pró-Rússia (17/07). Foto: ReproduçãoBoeing com 295 passageiros voava de Amsterdã para Kuala Lumpur (17/07). Foto: ReutersAvião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa (17/07). Foto: Reprodução TwitterBoeing com 295 passageiros voava de Amsterdã para Kuala Lumpur (17/07). Foto: ReutersVídeo feito após queda do avião da Malásia que caiu na Ucrânia (17/07) . Foto: Reprodução TwitterAvião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa (17/07). Foto: ReproduçãoAvião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa (17/07). Foto: Reprodução/TwitterAvião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa
. Foto: ReutersAvião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa
. Foto: Reprodução/TwitterAvião da Malásia cai na Ucrânia perto da fronteira russa
. Foto: ReutersVisão geral mostra o local onde um Boeing 777 da Malaysia Airlines caiu em Grabovo, na região de Donetsk, Ucrânia. Foto: Reuters

O presidente da Ucrânia, Petro Peroshenko, falou em "ataque terrorista", e o da Rússia, Vladimir Putin, disse que a aeronave não teria caído se as operações militares não tivessem sido retomadas na área.

Cenário: Destroços de avião da Malásia e corpos são encontrados no leste da Ucrânia

Um assessor do Ministério do Interior da Ucrânia disse que o avião foi atingido por um míssil, mas nenhuma versão foi confirmada até o momento.

Destino das caixas-pretas

Poucas horas depois do acidente, a agência de notícias russa Interfax citou um porta-voz dos rebeldes pró-Rússia Konstantin Knyrik informando que eles teriam encontrado a caixa-preta do avião e que tinham a intenção de enviá-la para a Rússia. Os rebeldes negaram a informação.

Um cinegrafista da agência de notícias Reuters afirmou que uma segunda caixa-preta havia sido encontrada por equipes de resgate.

Michael Clarke, diretor-geral do Departamento de Estudos em Defesa e Segurança do Royal United Services Institute, disse que a investigação sobre as causas da queda do avião podem levar "meses".

Assista: Vídeo mostra explosão no momento do impacto de avião da Malásia na Ucrânia

"Os destroços estão em território separatista e eles (rebeldes) estão dizendo que eles enviaram as caixas-pretas para Moscou. Se as caixas-pretas foram para Moscou, então poderemos ter meses e meses de prevaricação", disse ele à Rádio 4 da BBC. "Então, vai levar um tempo até que se estabeleça exatamente o que aconteceu."

Nas últimas semanas, rebeldes separatistas pró-Rússia conseguiram derrubar vários aviões militares usando mísseis na mesma área no leste da Ucrânia. "Todas as provas são circunstanciais, mas tudo aponta para um sentido: os separatistas" como responsáveis pela queda do avião, disse Clarke.

Pistas limitadas

O consultor de segurança de aviação da Mackey International, Keith Mackey, disse à BBC Mundo que acredita que nenhuma das duas caixas-pretas da aeronave será capaz de revelar o que realmente aconteceu.

"A primeira funciona como um gravador convencional e coleta os sons e conversas que ocorrem entre os membros da tripulação e através do rádio. A outra, o gravador de dados de voo, registra a altitude da aeronave, a sua velocidade, rumo, pressurização, etc", disse.

Hoje: Jato russo derruba caça ucraniano sobre o leste da Ucrânia

Mas, se o avião foi atingido por um míssil, não há muito o que as caixas-pretas possam revelar, disse Mackey.

"Se a tripulação sobreviveu ao impacto é provável ouvir uma gravação do momento em que estavam caindo. No entanto, o registro de dados só mostrará uma aeronave sendo destruída."

Se este for o caso, Jason Rabinowitz, especialista em aviação em Nova York, concorda que é extremamente improvável que qualquer uma das duas caixas-pretas revele informações precisas sobre o que aconteceu.

Segunda: Avião militar da Ucrânia cai após ser atingido por foguete

"O gravador de voz da cabine teria gravado o que os pilotos disseram, se é que eles chegaram a dizer algo antes do acidente. O registro dos dados de voo mostrará somente se houve falhas e anomalias após o avião ter sido atingido, se é que algo foi gravado", disse Rabinowitz à BBC.

Os destroços

Para os analistas, a análise completa dos destroços da aeronave será a maneira mais lógica para saber exatamente o que aconteceu.

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Segundo Mackey, o fato de os destroços estarem espalhados por uma vasta área pode indicar que o avião explodiu em altitude elevada. Essa informação foi, de certa forma, confirmada por testemunhas, que afirmaram terem visto a aeronave se despedaçando no ar.

"Ouvi duas explosões. Saí e vi a fumaça preta", disse uma testemunha à BBC. "Vi fragmentos voando em direções diferentes", disse outra.

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O piloto comercial Robert Mark, editor da revista Aviation International News Safety, concorda que o mais importante é a análise dos destroços da aeronave. Para ele, a forma como as partes se espalharam pelo chão deverão ser estudadas.

"Se elas estiverem muito próximas, em uma área de alguns metros, significa que o avião estava intacto quando caiu", diz o piloto. "No entanto, se, como informações iniciais sugerem, os vestígios estiverem espalhados por uma área muito grande, então o avião se partiu no ar", explicou.

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