Presidente sul-coreana critica tripulação de balsa: 'Foi como assassinato'

Por BBC Brasil |

compartilhe

Tamanho do texto

Capitão e membros da tripulação terão de responder 'civil e criminalmente' por conduta após naufrágio, diz Park Geun-hye

BBC

A presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, criticou a ação da tripulação da balsa que naufragou na semana passada dizendo que ela foi "semelhante a de um assassinato".

Sábado: Parentes de passageiros de balsa naufragada na Coreia do Sul fornecem DNA

AP
Parentes de passageiros a bordo de balsa naufragada na Coreia do Sul veem lista oficial de mortos no porto de Jindo

Capitão sul-coreano: Balsa não foi esvaziada logo porque mar arrastaria pessoas

Park acrescentou que os responsáveis pelo naufrágio terão de responder "civil e criminalmente" por seus atos. Mergulhadores continuam retirando corpos de vítimas à medida que vão ganhando acesso ao interior do navio.

O saldo de mortos já chega a 64 e ainda há 238 desaparecidos, em sua maioria estudantes de uma escola perto da capital, Seul. Os corpos das vítimas estão sendo levados para Jindo, um ilha no sul do país perto de onde o navio adernou.

Lee Joon Seok: Coreia do Sul prende e acusa capitão por naufrágio de balsa

Enquanto isso, a polícia liberou o acesso a centenas de mensagens enviadas por passageiros e pela tripulação na intenção de reconstruir a cronologia dos últimos momentos antes do naufrágio.

Transcrição

Park, cujo governo vem sofrendo fortes críticas, em particular pela falta de êxito em conseguir resgatar passageiros desaparecidos com vida, afirmou que a conduta do capitão e de alguns membros da tripulação "foram completamente incompreensíveis, inaceitáveis e semelhantes a um assassinato", afirmou o gabinete presidencial.

Parente de uma das vítimas, segurando retrato envolto em lençol branco, chora após tributo em Ansan, Coreia do Sul (23/4). Foto: ReutersMergulhadores buscam sobreviventes de naufrágio de balsa na Coreia do Sul (22/4). Foto: BBCParente de passageiro que estava a bordo de balsa naufragada em Seul chora enquanto aguarda informações em porto de Jindo (19/4). Foto: APBoias são rebocadas por um barco da marinha sul-coreana para ser instalada na balsa afundada na Coreia do Sul (18/4). Foto: ReutersCriança é resgatada por policiais marítimos sul-coreanos ao sair do navio 'Sewol', que naufragou em Jindo, Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersCorpo de um dos passageiros da balsa que afundou na região costeira da Coreia do Sul é levado para hospital em Jindo (16/04). Foto: APAdolescentes resgatadas após naufrágio na Coreia do Sul choram em academia para onde foram levadas (16/04). Foto: ReutersMulher se emociona ao ver o nome do filho em lista de sobreviventes na academia para onde eles foram levados, na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersUma mãe se emociona ao ver o filho entre os resgatados após naufrágio na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersHomem é socorrido no porto após ser resgatado de balsa que afundou na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersEquipes de resgate auxiliam sobrevivente de naufrágio na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersParente espera por notícias sobre os desaparecidos sozinho, em uma área do porto em Jindo, Coreia do Sul (16/04). Foto: APGrupo de familiares espera por notícias dos desaparecidos após naufrágio, em Jindo, Coreia do Sul (16/04). Foto: APEquipes da guarda costeira resgatam as vítimas de um navio que afundou na Coreia do Sul (16/04). Foto: APPassageiros resgatados após naufrágio de balsa na Coreia do Sul são escoltados por equipes de resgate em sua chegada ao porto de Jindo, em Seul (16/04). Foto: APParentes a espera de notícias acompanham as buscas por desaparecidos na Coreia do Sul (16/04). Foto: APFamiliares choram enquanto aguardam por notícias de passageiros desaparecidos após naufrágio, na Coreia do Sul (16/04). Foto: APOficiais da guarda costeira sul-coreana tentam resgatar passageiros de naufrágio (16/04). Foto: APHelicópteros de resgate sobrevoam balsa de passageiros sul-coreanos que afundou com mais de 450 pessoas, na Coreia do Sul (16/04). Foto: APBalsa com tripulantes acabou afundando na Coreia do Sul. Maior parte das pessoas a bordo eram estudantes (16/04). Foto: APOficiais marítimos (de preto) tentam resgatar passageiros (com coletes salva-vidas) a bordo da balsa sul-coreana 'Sewol' (16/04). Foto: ReutersOficial marítimo (de preto) resgata passageiros a bordo da balsa sul-coreana 'Sewol', que naufragou na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersEmbarcação estava cheia de estudantes e acabou naufragando na Coreia do Sul. Autoridades marítimas buscam por desaparecidos (16/04). Foto: ReutersBalsa sul-coreana 'Sewol' é vista afundando no mar ao longo de Jindo, na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersFamiliares choram enquanto esperam por passageiros desaparecidos de uma balsa que naufragou, no porto Jindo, Coreia do Sul (16/04). Foto: APDurante as buscas noturnas, autoridades iluminaram região para fazer os primeiros resgates, na Coreia do Sul (16/04). Foto: ReutersBusca da polícia marítima por passageiros desaparecidos com sinalizadores, após naufrágio da embarcação 'Sewol', na Coreia do Sul (16/04). Foto: Reuters

Culpa: Vice-diretor de escola que tinha alunos em naufrágio na Coreia comete suicídio

Um total de 174 passageiros foi resgatado da barca Sewol, que virou depois de sair de Incheon, no noroeste do país, em direção à ilha de Jeju, um popular destino turístico no sul da Coreia do Sul.

A embarcação carregava 476 pessoas – incluindo 339 adolescentes e professores em uma viagem escolar. Muitos ficaram presas no interior enquanto a balsa adernava.

Mãe após naufrágio sul-coreano: 'Não posso dormir com minha filha na água'

As investigações estão agora concentradas em descobrir o que causou o acidente. Autoridades acreditam que a balsa possa ter feito uma curva acentuada antes de começar a naufragar, o que a teria desestabilizado. Além disso, eles tentam entender se um aviso de retirada poderia ter salvado vidas.

Detalhes dos momentos de pânico e da indecisão do capitão começaram a ser conhecidos no domingo, quando a guarda-costeira divulgou uma transcrição das últimas comunicações entre a tripulação e os controladores em solo.

Adeus: 'Mãe, eu te amo', diz torpedo de estudante em balsa naufragada

Na comunicação, um integrante da tripulação questiona repetidamente as autoridades em solo se havia balsas disponíveis para resgatar passageiros caso uma ordem de retirada fosse dada.

O capitão, Lee Joon-seok, afirmou que decidiu postergar a decisão por medo de que os passageiros pudessem ser levados pela forte correnteza.

Lee, de 69 anos, não estava no comando da embarcação quando a balsa começou a adernar. O leme era conduzido por um terceiro oficial que nunca havia navegado sobre as águas em que o acidente aconteceu, informaram investigadores.

O capitão e outros dois integrantes da tripulação foram acusados de negligência e violação de lei marítima. Quatro outros membros teriam sido detidos nesta segunda-feira em meio a acusações de que eles teriam falhado em proteger os passageiros.

Há alguns anos, um vídeo promocional foi protagonizado por Lee exaltando a segurança do trajeto. Nele, passageiros apareciam seguindo as instruções da tripulação.

Durante o último fim de semana, familiares das vítimas entraram em confronto com a polícia, após o grupo ter iniciado uma marcha de protesto.

Os parentes dos passageiros vêm pressionando as autoridades para obter mais informações sobre o que de fato aconteceu com a embarcação e como estão sendo realizados os trabalhos de resgate das vítimas.

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas