Lee Joon-seok enfrenta acusações de negligência e de violação da lei marítima. Número de mortes confirmadas sobe para 32

BBC

O capitão da balsa que afundou esta semana na Coreia do Sul disse neste sábado que não deu ordens imediatas de retirada quando o barco começou a virar porque temia que os passageiros fossem arrastados pelo mar, que tem correntes fortes no local do acidente. Lee Joon-seok, 68, foi preso com mais dois tripulantes .

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Com 32 mortes confirmadas, o acidente ainda tem 273 desaparecidos. Os resgatados com vida somam 174. A estimativa é de que o resgate possa durar um ou dois meses. As fortes correntes e a visibilidade ruim atrapalham o trabalho.

O capitão do navio enfrenta acusações de negligência e de violação da lei marítima depois de ser criticado por não dar ordens rápidas de esvaziamento da balsa. Imagens do navio indicam que os tripulantes disseram para os passageiros permanecer a bordo até mesmo quando ele se inclinou dramaticamente para um lado.

As causas do acidente ainda não estão esclarecidas. A balsa, que navegava de Incheon, no noroeste, para uma ilha ao sul, virou e afundou em duas horas na quarta-feira.

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O capitão Lee, que foi interrogado pela polícia, falou à televisão coreana neste sábado depois de sua prisão. Ele não estava no comando do navio no momento do acidente, e também tem sido criticado por isso.

"Eu sinto muito pelo povo da Coreia do Sul por causar essa perturbação e eu me curvo em desculpas às famílias das vítimas", disse. "Dei instruções a respeito da rota, então eu fui rapidamente para o quarto e, em seguida, [o naufrágio] aconteceu."

Lee Joon-Seok (C), capitão da balsa naufragada sul-coreana Sewol, chega à corte em Mokpo
Reuters
Lee Joon-Seok (C), capitão da balsa naufragada sul-coreana Sewol, chega à corte em Mokpo

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"A corrente era muito forte e a temperatura da água do oceano estava fria. Eu pensei que, se as pessoas deixassem a balsa sem julgamento adequado, se não estivessem usando colete salva-vidas, e mesmo se estivessem, seriam arrastadas e passariam por muitas outras dificuldades", explicou.

Ele acrescentou que as embarcações de salvamento não tinham chegado no momento do naufrágio.

Cho Joon-ki, que comandava o leme no momento do acidente, também está entre os detidos. Ele disse que o navio reagiu ao seu comando de forma diferente do que ele esperava. "Houve um erro meu também, mas a direção [engrenagem do navio] virou mais do que deveria", afirmou.

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De acordo com documentos vistos pela agência de notícias Associated Press, as autoridades de segurança marítima recomendaram uma retirada completa do navio cinco minutos depois que uma chamada de socorro foi feita. Mas um membro da tripulação disse à agência que o capitão levou 30 minutos para emitir a ordem.

Causas

Oficial americana no navio de assalto anfíbio USS Bonhomme Richard ajuda em esforços de buscas após naufrágio de balsa na Coreia do Sul (18/4)
AP
Oficial americana no navio de assalto anfíbio USS Bonhomme Richard ajuda em esforços de buscas após naufrágio de balsa na Coreia do Sul (18/4)

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Alguns especialistas acreditam que uma curva fechada feita pouco antes do acidente pode ter movido carga pesada e desestabilizado o navio, enquanto outros sugerem que o naufrágio pode ter sido causado por uma colisão com uma rocha. A maioria das vítimas eram jovens estudantes

As mensagens e telefonemas de pessoas dentro da balsa revelam que muitos estavam presos em corredores lotados, incapazes de escapar do local. Autoridades dizem que ar foi bombeado para auxiliar quaisquer pessoas presas e para ajudar a desencalhar o navio.

Choi Sang-hwan, vice-diretor da guarda costeira nacional, explicou que redes seriam colocados em torno da balsa afundada para evitar que corpos sejam arrastados pelo mar. Cerca de 350 das pessoas a bordo eram estudantes de uma escola de Seul e estavam em uma excursão escolar quando a balsa afundou.

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