Paradeiro de alunas sequestradas de escola na Nigéria ainda é mistério

Por BBC Brasil |

compartilhe

Tamanho do texto

Pais contestam informação de Exército de que só faltam encontrar 8 de 129 meninas sequestradas na noite de terça

BBC

O destino de mais de cem adolescentes que foram sequestradas de uma escola na noite de terça-feira no nordeste da Nigéria ainda é incerto.

Terça: Supostos extremistas islâmicos sequestram cem alunas na Nigéria

AFP
Militantes do Boko Haram

Segunda: Explosão na capital da Nigéria deixa dezenas de mortos

Militares disseram a jornalistas que a grande maioria das 129 desaparecidas já teria conseguido escapar e voltado para casa - apenas oito ainda não teriam sido encontradas.

Os pais das meninas, porém, ficaram chocados ao ouvir a declaração e disseram que mais de cem ainda estariam desaparecidas, relata o correspondente da BBC em Lagos, Will Ross.

Acredita-se que o grupo militante islâmico Boko Haram tenha levado as meninas para uma floresta perto da fronteira com Camarões. O grupo, cujo nome significa "a educação ocidental é proibida" na língua local Hausa, ataca frequentemente instituições de ensino.

Anistia: Violência islâmica e policial matou 1,5 mil na Nigéria neste ano

Os pais das estudantes dizem que estão preparados para ir à floresta resgatar suas filhas. Eles contaram que pagaram um grupo de vigilantes locais para procurar as adolescentes e que alguns se preparavam para se juntar às buscas.

Estado islâmico

O grupo Boko Haram está travando uma campanha sangrenta por um Estado islâmico no norte da Nigéria. Na quarta-feira, um ataque deixou 18 mortos no distrito de Gwoza, também no nordeste da Nigéria, autoridades locais disseram à agência de notícias AP.

O ataque ao colégio na terça-feira é uma grande fonte de constrangimento para as autoridades nigerianas, que dizem que sua campanha militar contra os militantes está tendo sucesso, observa o correspondente Will Ross.

Horas antes de os militares emitirem sua declaração, o governador do Estado de Borno, Kashim Shettima, disse que a grande maioria das meninas ainda estava desaparecida e ofereceu uma recompensa de 50 milhões de nairas (US$ 308 mil ou cerca de R$ 690 mil) para quem fornecer informações.

Força Aérea, Exército, polícia e voluntários foram envolvidos na busca pelas estudantes. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou o "chocante" sequestro em massa e pediu a libertação imediata das meninas.

"Tomar escolas e alunos como alvo é uma grave violação da lei humanitária internacional", disse em um comunicado. "As escolas são, e devem permanecer, lugares seguros onde as crianças podem aprender e crescer em paz", acrescentou.

O grupo Boko Haram já sequestrou civis no passado - geralmente mulheres para trabalhar como escravas sexuais.

Fuga

Homens armados teriam chegado à escola em Chibok, uma área remota do Estado de Borno e ordenado que as estudantes residentes subissem em caminhões.

Uma garota que conseguiu escapar e não quis ser identificada disse à BBC que ela e outras estudantes dormiam quando homens armados invadiram seu dormitório.

A menina disse que ela e suas colegas foram levadas em um comboio, que teve de reduzir a velocidade depois que alguns dos veículos apresentaram falhas. Nesse momento, entre 10 e 15 meninas conseguiram escapar. "Nós corremos para o mato e esperamos até o amanhecer antes de ir para casa", contou.

Um político local disse que cerca de 50 soldados estavam posicionados perto da escola, mas aparentemente foram dominados. Moradores relataram ter ouvido explosões seguidas de disparos.

A imprensa nigeriana informou que dois membros das forças de segurança foram mortos, e moradores disseram que 170 casas foram incendiadas durante o ataque. Acampamento da ONU recebe refugiados vítimas do conflito entre militares e terroristas

Os militantes conhecem bem o terreno e os militares têm tido sucesso limitado nos esforços para desalojá-los de seus esconderijos nas florestas.

Este ano, os combatentes do grupo Boko Haram mataram mais de 1,5 mil civis em três estados no nordeste da Nigéria, que estão atualmente em situação de emergência.

Recentemente, o governo disse que as atividades de Boko Haram estavam limitadas a essa parte do país. No entanto, atentados atribuídos ao grupo mataram mais de 70 pessoas na capital de Abuja na segunda-feira.

Leia tudo sobre: nigériasequestroboko haramterrorismo

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas