Saiba quais são as cidades afetadas pelo movimento separatista na Ucrânia

Por BBC Brasil |

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Com economia ancorada na indústria pesada e perto da Rússia, leste do país é palco de embates entre ativistas anti e pró-Rússia

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O presidente americano, Barack Obama, pediu ao colega russo, Vladimir Putin, que use sua influência para convencer grupos separatistas a se retirarem de prédios públicos ocupados no leste da Ucrânia.

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Desde a semana passada, várias cidades vêm sendo palco de enfrentamentos entre ativistas anti e pró-Rússia. Em muitas delas, prefeituras e delegacias foram tomadas por milicianos que defendem a anexação da região à Rússia, a exemplo do que aconteceu com a Crimeia no mês passado.

Durante um telefonema na segunda-feira, feito a pedido de Putin, Obama expressou "grande preocupação com o apoio do governo russo às ações de separatistas armados pró-Rússia que ameaçam desestabilizar o governo ucraniano". Putin, por sua vez, rejeitou que a Rússia esteja apoiando milicianos.

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Enquanto isso, os ativistas continuam ocupando prédios públicos no leste da Ucrânia. Saiba quais são as cidades afetadas pelo movimento separatista na Ucrânia.

Sloviansk

Um dos maiores focos de tensão, Sloviansk, na região de Donetsk, teve vários prédios públicos, inclusive a delegacia, tomados por milicianos pró-Rússia em 12 de abril. Desde então, os separatistas declararam ser parte de uma "República do Povo de Donetsk". Os homens cercaram a cidade com barricadas e postos de controle e enfrentamentos já causaram mortes.

Donetsk: Ativistas pró-Rússia proclamam república separatista em cidade da Ucrânia

Como muitas outras cidades no leste da Ucrânia, Sloviansk tem sua economia baseada na indústria pesada e uma população de cerca de 115 mil habitantes. A cidade fica a 100 quilômetros de Donetsk, centro administrativo da região, e a apenas 15 quilômetros de Kramatorsk, onde prédios públicos também foram tomados por homens armados pró-Rússia.

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Veja as cidades afetadas pelo movimento separatista no leste da Ucrânia

Druzhkivka

Um prédio da administração local foi tomado em Druzhkivka, cidade de 60 mil habitantes, perto de Sloviansk. Como muitas outras cidades industriais no leste da Ucrânia, vem sofrendo declínio desde o fim da União Soviética.

Yenakiyevo

Cidade natal do presidente deposto Viktor Yanukovych, Yenakiyevo fica a 50 quilômetros de Donetsk, centro administrativo da região. Com 185 mil habitantes, a cidade industrial conta com minas de carvão, metalúrgicas, siderúrgicas e indústrias químicas que integram o Metinvest, maior grupo de mineração do país. Bandeiras russas e da chamada "República do Povo de Donetsk” foram içadas sobre prédios públicos.

Horlivka

Horlivka, cidade a 20 quilômetros a noroeste de Yenakiyevo, tornou-se um novo foco de protestos na segunda-feira depois que manifestantes invadiram a delegacia da cidade. A mineração e indústria química são as principais atividades econômicas do local, que ainda abriga uma fábrica de produtos químicos em desuso e extremamente perigosa.

Também conhecida como Gorlovka, a cidade de cerca de 260 mil habitantes tem parcerias socioeconômicas com a cidade de Barnsley, no nordeste da Inglaterra.

Kramatorsk

Um grupo de homens camuflados munidos com armas automáticas invadiu a sede da polícia no sábado e instalou barricadas para impedir que o local seja retomado pelas forças de segurança ucranianas. Representantes da Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan) afirmam que a aparência militar e organização do grupo indicam o envolvimento de militares russos. Kramatorsk fica a 70 quilômetros ao norte de Donetsk e tem população de cerca de 165 mil. Tendo como principais atividades econômicas a indústria e a engenharia, o local passou a contar recentemente com uma fábrica de turbinas eólicas.

Artemivsk

A prefeitura de Artemivsk foi tomada no domingo e desde então pode-se ver a bandeira da "República de Donetsk" flamulando sobre o prédio. Localizada a cerca de 80 quilômetros ao norte de Donetsk e com uma população de menos de 80 mil pessoas, a cidade é famosa pela mina de sal de Artyomsol, que recebe a visita de turistas. O local tem um cômodo tão grande que por vezes é utilizado como sala de concertos.

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Kharkiv

Enquanto algumas cidades enfrentaram pouca resistência ao ser tomadas por milícias separatistas, Kharkiv tem sido palco de confrontos entre manifestantes pró e anti-Rússia.

Milicianos conseguiram tomar prédios públicos no dia 6 de abril, mas depois foram expulsos. Desde então, eles vêm tentando retomar o controle de edifícios do governo e enfrentamentos têm se repetido na cidade. Com 1,5 milhão de habitantes, Kharkiv é a maior cidade no leste do país e a segunda maior na Ucrânia. Além de um centro da indústria pesada, a cidade também é conhecida por seu time de futebol, Metalist Kharkiv. O local também é um centro de produção de eletrônicos, indústria espacial e produção de tanques de guerra.

Makiyivka

Ativistas pró-Rússia tomaram a prefeitura da cidade no final de semana após uma grande manifestação. Com população de 355 mil pessoas, Makiyivka tem na indústria siderúrgica sua principal atividade econômica.

Donetsk

A tomada do prédio do governo regional de Donetsk e a subsequente declaração de uma "República do povo de Donetsk" no dia 6 de abril fomentaram as ações separatistas que se espalharam pelas cidades vizinhas.

O prédio da administração local continua ocupado, com barricadas em todo seu entorno. Homens vestidos com uniformes da Berkut – o temido esquadrão policial ucraniano que foi desmembrado após a queda de Yanukovych – compõem as fileiras que ocupam atualmente a delegacia local.

Com cerca de 1 milhão de habitantes, Donetsk faz parte do centro econômico do país e integra o chamado "cinturão da ferrugem" da Ucrânia, com suas indústrias metalúrgicas.

O que acontecer em Donetsk será crucial para o sucesso ou fracasso da tentativa da região de se unir à Rússia . A cidade foi fundada em 1869 pelo empresário galês John Hughes, que explorou minas de carvão e fundou uma usina de aço. Ambas as indústrias persistem até os dias de hoje.

A cidade também é conhecida pela projeção internacional do seu time de futebol, o Shaktar Donetsk, um dos dois grande clubes do país, ao lado do Dínamo de Kiev. O Shakhtar tem tido presença constante na Liga dos Campeões da Europa. É financiado pelo bilionário do ramo de mineração Rinat Akhmetov e tem 11 jogadores brasileiros, entre eles Bernard, atacante da seleção brasileira. O Shaktar, atual campeão ucraniano, lidera a temporada atual, que teve alguns jogos adiados e a tabela reorganizada por causa dos acontecimentos no país.

Khartsyzk

A prefeitura da cidade de Khartsyzk também foi tomada por ativistas pró-Rússia. Situada a 30 quilômetros de Donetsk e com população de 60 mil habitantes, o local tem economia baseada na indústria pesada, sendo que sua principal atividade é a produção de tubulações.

Mariupol

Manifestantes separatistas que tomaram o gabinete do prefeito no domingo reforçaram as barricadas em torno do prédio e declararam uma "nova administração".

Mariupol fica na costa norte do Mar de Azov e a apenas 50 quilômetros da fronteira com a Rússia. Abriga uma população de 465 mil pessoas e tem a economia ancorada na metalurgia, siderurgia e indústria de máquinas, além da plantação de grãos.

Zaporizhya

Situada muito mais a oeste do que outras cidades afetadas pelo movimento separatista, Zaporizhya não vem apoiado as ações de milícias pró-Rússsia. Segundo relatos da mídia local, os ativistas foram vaiados e recebidos com ovos durante um protesto no domingo.

Localizada às margens do rio Dnieper, a cidade é o centro administrativo da região de mesmo nome, uma das maiores da Ucrânia, com população de 770 mil pessoas. Industrial, porém com uma economia mais diversificada do que outras cidades vizinhas, também fabrica carros e motores de aviões.

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