Como é a tecnologia para acompanhar e rastrear um avião?

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Aviões normalmente se comunicam com controle em terra com série de sistemas, que parecem ter falhado no voo da Malásia

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Após mais de cinco dias do desaparecimento do voo MH370, da Malasya Airlines, com 239 passageiros a bordo, o paradeiro do avião ainda é um mistério.

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Diretor geral do departamento de aviação civil da Malásia, Azharuddin Abdul Rahman, explica rota do avião em coletiva (10/03)

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Um dos incidentes mais intrigantes da aviação moderna vem chamando a atenção para como as aeronaves são rastreadas e acompanhadas e levando as pessoas a questionar como é possível um grande avião de passageiros simplesmente desaparecer sem deixar pistas.

O Boeing 777-200ER da Malaysia Airlines desapareceu das telas do controle de tráfego aéreo por volta de 1h30 do horário local no sábado (14h30 de sexta-feira em Brasília), uma hora após decolar do aeroporto de Kuala Lumpur em direção a Pequim, na China.

As aeronaves normalmente se comunicam com o controle em solo usando uma série de sistemas, que parecem ter falhado conjuntamente nesse incidente.

Como uma aeronave é normalmente rastreada?

O controle de tráfego aéreo combina as propriedades de localização dos radares básicos com os sinais enviados pelos transponders das aeronaves para estabelecer um panorama detalhado do tráfego nos céus.

Veja imagens sobre o voo desaparecido da Malaysia Airlines:

Parente de passageiros chineses do voo desaparecido chora em frente de jornalistas em hotel em Sepang, Malásia (19/3). Foto: APParente de passageiros chineses de voo desaparecido da Malásia usa celular para assistir à coletiva sobre o caso em Pequim (17/3). Foto: APOficial das Forças Armadas do Vietnã olha pela janela durante buscas pelo voo desaparecido da Malaysia Airlines (14/3). Foto: APHomem observa telão mostrando diferentes decolagens no Aeroporto Internacional de Kuala Lumpur, Malásia (13/3). Foto: ReutersParentes dos passageiros a bordo do voo desaparecido da Malaysia Airlines deixam sala de hotel após reunião com oficiais malaios, em Pequim, China (12/3). Foto: APFotos de passageiros do voo da Malaysia Airlines que desapareceu no sábado são mostradas em coletiva em Chennai, Índia (12/3). Foto: APDiretor geral do departamento de aviação civil da Malásia, Azharuddin Abdul Rahman, explica rota do avião em coletiva de imprensa (10/03). Foto: APMembro da tripulação da Marinha indonésia observa águas na fronteira da Indonésia, Malásia e Tailândia durante buscas por avião (10/3). Foto: APParentes dos chineses a bordo do avião desaparecido da Malaysia Airlines aguardam notícias em sala de um hotel de Pequim, China (10/3). Foto: APMancha de óleo encontrada no fim de semana ao sul do Vietnã provou não ser de avião (9/3). Foto: APEquipes de resgate participam das buscas por vestígios do avião desaparecido com 239 pessoas a bordo (9/3). Foto: APEquipes de resgate participam das buscas por vestígios do avião desaparecido com 239 pessoas a bordo (9/3). Foto: APEquipes de resgate participam das buscas por vestígios do avião desaparecido com 239 pessoas a bordo (9/3). Foto: APEquipes de resgate participam das buscas por vestígios do avião desaparecido com 239 pessoas a bordo (9/3). Foto: APParentes de passageiros do voo da Malaysia Airlines desaparecido aguardam por informação das buscas (9/3). Foto: APParentes de passageiros do voo da Malaysia Airlines desaparecido aguardam por informação das buscas (9/3). Foto: APParentes de passageiros do voo da Malaysia Airlines desaparecido aguardam por informação das buscas (9/3). Foto: APParentes de passageiros do voo da Malaysia Airlines se desesperam à espera de informação das buscas (9/3). Foto: APJornais trazem informações do desaparecimento do avião na Malásia (9/3). Foto: APMovimentação no aeroporto de Pequim no domingo (9/3). Foto: APParente de passageiros do voo da Malaysia Airlines desaparecido aguarda informação das buscas (9/3). Foto: APParentes de passageiros do voo da Malaysia Airlines desaparecido aguardam por informação das buscas (9/3). Foto: APParentes se desesperam com falta de informações sobre voo desaparecido (9/3). Foto: APParentes de passageiros do voo da Malaysia Airlines desaparecido aguardam por informação das buscas (9/3). Foto: APParentes de passageiros do voo da Malaysia Airlines desaparecido aguardam por informação das buscas (9/3). Foto: APParentes de passageiros do voo da Malaysia Airlines desaparecido aguardam por informação das buscas (9/3). Foto: APFamiliares de passageiros se desesperam com o sumiço do voo da Malaysia Airlines (8/3). Foto: ReutersFamiliares de passageiro no aeroporto de Pequim, na China (8/3). Foto: ReutersFicha do avião de passageiros da Malásia que desapareceu com 239 pessoas a bordo (8/3). Foto: DivulgaçãoAvião como o desaparecido na Ásia (8/3). Foto: APO primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, chega ao centro de recepção para a família e amigos dos passageiros a bordo da aeronave (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APMapa mostra a última posição informada do voo MH370 (8/3). Foto: APO ministro dos Transportes da Malásia, Hishammuddin Hussein, à direita, fala durante coletiva (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam por informações do vôo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim. Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APParentes de passageiros buscam informações do voo MH370 da Malaysia Airlines que voava para Pequim (8/3). Foto: APNotificação no Aeroporto Internacional de Pequim avisando de atraso do voo MH370, da Malaysia Airlines (8/3). Foto: APExecutivo da Malaysia Airlines dá informações sobre as buscas para os jornalistas (8/3). Foto: APPlaca de pouso no Aeroporto Internacional de Pequim, na China, aponta atraso na chegada de avião de passageiros de companhia da Malásia (8/3). Foto: AP

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Todas as aeronaves comerciais são equipadas com transponders de cabine, que automaticamente transmitem sinais eletrônicos de volta ao solo quando recebem um sinal de rádio.

Os tipos mais básicos enviam apenas a altitude do avião e um código do voo, com quatro dígitos, mas as estações de radar são capazes de estabelecer a velocidade do avião e sua direção ao monitorar sucessivas transmissões.

A cobertura do radar normalmente termina a cerca de 240 quilômetros da costa, mas, enquanto sobrevoam o mar, as tripulações dos aviões mantêm contato com outras aeronaves usando transmissão por rádio de alta frequência.

Os transponders podem ser desligados manualmente no meio do voo, mas, no caso do voo MH370, não se sabe se a perda de sinal foi causada por uma ação humana deliberada ou por um evento catastrófico.

Última comunicação de avião desaparecido dizia: 'Tudo bem, entendido'

A última mensagem de rádio recebida pelo controle de tráfego aéreo - "Alright, roger that" (algo como "Tudo bem, entendido") - sugere que tudo estava normal a bordo minutos antes de o avião ter desaparecido sobre o Mar do Sul da China.

E o que acontece se o transponder falhar, ou se for desligado?

Se o transponder para de enviar sinais, a aeronave ainda pode ser rastreada usando o que é essencialmente a mesma forma de radar desenvolvida nos anos 1930. Radares primários rastreiam qualquer coisa no céu que reflita a transmissão de sinais de rádio.

Assim, eles somente podem indicar a posição aproximada de uma aeronave, mas não podem identificá-la. Esse sistema é usado hoje basicamente como um reforço e reserva para o radar secundário.

AP
Membro da tripulação da Marinha indonésia observa águas na fronteira da Indonésia, Malásia e Tailândia durante buscas por avião (10/3)

As autoridades da Malásia sugeriram que o rastreamento pelo radar primário pode fornecer informações sobre a trajetória da aeronave desaparecida, mas os dados precisam ser analisados com detalhes por especialistas.

Os aviões não têm GPS?

Sim, mas, apesar de o GPS (Sistema de Posicionamento Global) já ter se popularizado na vida moderna, a rede de controle do tráfego aéreo ainda é quase inteiramente baseada em radares.

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Os aviões usam GPS para mostrar aos pilotos sua posição em um mapa, mas esses dados não são atualmente compartilhados com o controle de tráfego aéreo.

Algumas das mais modernas aeronaves são capazes de "ligar" os dados do GPS aos serviços de rastreamento por satélite, mas a manipulação de grandes volumes de dados é cara, e tais sistemas são normalmente apenas usados em áreas remotas, sem cobertura de radar.

O desaparecimento do voo MH370 deve renovar os questionamentos sobre possíveis melhorias no rastreamento em voo.

O especialista em aviação Chris Yates diz que o sistema ADS-B (Automatic Dependent Surveillance-Broadcast) já usa dados de GPS. "O sistema ADS-B já opera em grandes partes do mundo, provendo uma imagem 'semelhante à de um radar' sobre os aviões durante o voo. Isso é o que é usado pelos serviços de rastreamento de voos online, com os dados colocados em um sistema de mapeamento", disse. "Ele se apoia em parte no GPS para fornecer uma posição", explica.

As aeronaves usam o ADS-B para descobrir seu posicionamento por meio de um satélite. Então, o avião transmite sua posição para outras aeronaves e para uma estação em solo.

Os Estados Unidos exigirão que todas as aeronaves sejam equipadas com alguma forma de ADS-B até 1º de janeiro de 2020, e o sistema deve substituir o rastreamento baseado em radares na próxima década.

O avião da Malaysia Airlines desapareceu dos sites de rastreamento de voos ao mesmo tempo em que sumiu das telas do controle aéreo, e nenhum outro dado de GPS apareceu para esclarecer algo sobre seu paradeiro.

O sistema ACAR poderia dar algumas pistas sobre o avião, como aconteceu com o voo 447 da Air France?

Quando o voo 447 da Air France caiu no meio do Atlântico, em 2009, seu ACARS (Aircraft Communications Addressing and Reporting System) a bordo deu aos investigadores pistas-chave para revelar o que havia acontecido.

iG São Paulo
Destroços do avião do voo 447 localizados pela Marinha do Brasil em 8 de junho de 2009

O ACARS é um serviço de dados que essencialmente permite que os computadores de bordo no avião "conversem" com os computadores no solo, enviando informações sobre o voo e a saúde dos sistemas a bordo.

As mensagens são transmitidas por rádio ou por sinais digitais via satélite e podem cobrir qualquer coisa desde a condição dos motores do avião até um banheiro com problemas.

Isso dá aos funcionários em solo informações vitais de diagnóstico, permitindo que a manutenção seja feita com mais velocidade.

No caso da Air France, o ACARS indicou leituras falhas de velocidade, que deixou a tripulação desorientada. Mas os investigadores dizem que nenhum dado foi recebido sobre o voo da Malaysia Airlines.

As caixas-pretas de um avião também não transmitem sinais?

O mistério do voo MH370 pode ser solucionado apenas quando as caixas-pretas, com os registros do voo, forem encontradas. Entretanto, quando um avião se acidenta no mar, a recuperação das caixas-pretas não é fácil. No caso do voo 447 da Air France, isso levou quase dois anos.

Se estiverem debaixo d'água, as próprias caixas emitem sinais ultrassônicos - mas esses sinais têm um alcance limitado, e as equipes de resgate podem não ser capazes de detectá-las se não estiverem próximas do local exato do acidente.

As caixas-pretas - descritas pelo repórter especializado em aviação Stephen Trimble, do jornal britânico The Guardian, como "um dos mais irritantes anacronismos da tecnologia moderna de aviação" - não são atualmente equipadas com qualquer foram de transmissão de sua localização por GPS.

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