Presidente interino da Ucrânia alerta para 'série ameaça de separatismo'

Por BBC Brasil |

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Alerta é feito por causa da contínua resistência de regiões onde vivem grupos étnicos russos em aceitar novo governo em Kiev

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Em discurso diante do Parlamento, o presidente interino da Ucrânia, Olexander Turchynov, avisou que existe uma "séria ameaça" de separatismo no país.

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Pessoas acendem velas e colocam flores em memorial pelos mortos em confrontos com a polícia na Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia

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Seu comentário foi feito em meio à contínua resistência de regiões ucranianas onde vivem grupos étnicos russos em aceitar o novo governo em Kiev. Na Península da Crimeia e em outras áreas pró-Rússia, protestos vêm sendo realizados contra a deposição do ex-presidente Viktor Yanukovych.

A resistência nessas regiões do país se sustenta na forte oposição do governo russo às mudanças que aconteceram na Ucrânia. O primeiro-ministro da Rússia, Dmitri Medvedev, disse na segunda-feira que os membros da nova administração federal conduziram uma "revolta armada" na Ucrânia.

Já o ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, desaconselhou que outros países busquem "vantagens unilaterais" na Ucrânia e afirmou que a "política de não intervenção" da Rússia seria mantida.

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Turchynov afirmou que se encontrará com oficiais da polícia para discutir os protestos e o risco da divisão do país em dois. Ao mesmo tempo, adiou a formação de um governo de união nacional para a próxima quinta-feira para que seja possível fazer novas consultas sobre o assunto.

Braço direito

A declaração de Turchynov foi feita dois dias após ele ser nomeado presidente interino pelo Parlamento. Turchynov teve um papel importante, apesar de discreto, nos protestos contra Yanukovych. Em fevereiro, promotores anunciaram que ele era investigado por ajudar na organização de "forças de defesa" dos manifestantes.

Assim como todos os políticos das principais forças de oposição, Turchynov não inspira total confiança e respeito dos manifestantes que se reúnem na Praça da Independência, ponto nevrálgico dos protestos em Kiev.

Turchynov é considerado o braço-direito da ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko. Ele é vice-líder do partido de Tymoshenko, o Pátria, e construiu uma carreira política intimamente ligada à de sua aliada. A cooperação entre os dois data de meados dos anos 1990.

Manifestantes antigoverno descansam em barricada no centro de Kiev, Ucrânia (21/2). Foto: APCorpos de manifestantes antigoverno mortos em confrontos com a polícia são vistos na Praça da Independência, em Kiev (20/2). Foto: APAtivistas apagam incêndio em árvore que foi incendiada durante queima de barricadas perto da Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante ferido é levado de maca a um hospital em Kiev, capital da Ucrânia (20/02). Foto: APAtivistas retiram manifestante ferido em meio a choques com a polícia em Kiev, Ucrânia(20/2). Foto: APManifestantes mostram rosto de vítima morta em confrontos na Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante antigoverno segura arma de fogo em barricada perto da Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante antigoverno joga coquetel molotov durante embates com a tropa de choque na Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (19/2). Foto: APManifestante antigoverno dispara fogos de artifício de arma improvisada durante confrontos com tropa de choque em Kiev, Ucrânia (19/2). Foto: APProtestos na Ucrânia geram onda de violência em Kiev, capital do país (19/02). Foto: APManifestante caminha por zona de conflito com a polícia em Kiev, capital ucraniana (19/02). Foto: APCom capacete, manifestante descansa após confronto com policiais na Ucrânia (19/02). Foto: APPadre ortodoxo reza em barricada de manifestantes em Kiev, Ucrânia (19/02) . Foto: APManifestantes e policiais se enfrentam em Kiev, capital da Ucrânia (19/02). Foto: APUcraniana mostra retrato do presidente Viktor Yanukovych durante protestos em frente ao prédio do Parlamento Europeu em Brussels, Ucrânia (19/02). Foto: APMonumentos aos fundadores de Kiev queimam enquanto manifestantes entram em choque com polícia na Praça da Independência, na Ucrânia (18/2). Foto: APManifestantes antigoverno entram em confronto com tropa de choque na Praça da Independência, na Ucrânia (18/2). Foto: APManifestante antigoverno corre durante confrontos com a tropa de choque na Praça da Independência, em Kiev (18/2). Foto: APManifestante antigoverno acaba sendo queimado durante conflito em  frente ao Parlamento da Ucrânia, em Kiev (18/02). Foto: APPolícia de choque é atingida por fogo durante onda de protestos na Ucrânia (18/02) . Foto: APManifestante atira pedra em tropa da polícia na Ucrânia, durante onda de protestos em Kiev (18/02). Foto: APPoliciais e manifestantes se enfrentam durante conflito em Kiev, capital ucraniana (18/02). Foto: APPolicial ajuda colega ferido durante onda de protestos na Ucrânia (18/02). Foto: APManifestante encontra 'cobertura' em meio ao conflito com policiais em Kiev, Ucrânia (18/02). Foto: APManifestante joga coquetel molotov durante manifestações contra o governo em Kiev, Ucrânia (18/2). Foto: APManifestantes antigoverno deixam prefeitura de Kiev (16/2). Foto: APManifestantes ocuparam prefeitura de Kiev por três meses (16/2). Foto: APPartidários da oposição com uniformes militares e segurando bastões como armas fazem fila em frente de prédio do governo em Kiev, Ucrânia (4/2). Foto: APTropa de choque fecha área perto de barricadas que vão até a Praça da Independência, em Kiev (3/2). Foto: APManifestantes protestam contra governo da Ucrânia na capital, Kiev (1/2). Foto: Gleb Garanich/ReutersOpositor olha é visto enquanto se aquece perto de fogo em barricada próxima à Praça da Independência, em Kiev (31/1)
. Foto: APTendas de manifestantes antigoverno são vistas na Praça da Independência em meio a uma temperatura de -19°C no centro de Kiev, Ucrânia. Foto: ReutersManifestante guarda barricadas em frente de tropa de choque em Kiev, Ucrânia (29/1). Foto: APManifestante coloca placas de aço caseiras no peito ao se preparar para sair do Ministério da Agricultura em Kiev, Ucrânia (29/1). Foto: APManifestantes descansam atrás de barricada em frente de tropa de choque em Kiev, Ucrânia (28/1). Foto: APManifestantes montam guarda na entrada do Ministério da Justiça com ícones que encontraram dentro do prédio no centro de Kiev, Ucrânia. Foto: APPadres ortodoxos rezam enquanto ficam entre ativista pró-UE e a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (24/1). Foto: APManifestante usa enorme estilingue para lançar coquetel molotov contra a polícia 
em Kiev (23/1). Foto: APManifestantes usam enorme estilingue para jogar pedras contra a polícia no centro de Kiev (23/1). Foto: APManifestante lança fogo de artifício contra a polícia na capital ucraniana (23/1). Foto: APManifestante joga pneus no fogo durante confronto com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (23/1). Foto: APManifestante prepara arremesso de coquetel molotov durante confrontos com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes entra em confronto com polícia no centro de Kiev (22/1). Foto: APManifestantes entram em confronto com tropa de choque no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestante aponta arma durante confrontos com a polícia na capital da Ucrânia (22/1). Foto: APPolícia se prepara para entrar em confronto com manifestantes em Kiev, capital da Ucrânia (22/1)
. Foto: APManifestantes entram em choque com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APPolicial bate em manifestante no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APPneus ficam em chamas na rua após serem incendiados por manifestantes em Kiev, Ucrânia (22/1)
. Foto: APManifestantes usam fogos de artifício durante choques com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes lançam pedras durante confrontos com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes usam fogos de artifício durante confrontos com a polícia na Ucrânia (21/1). Foto: APManifestantes usam escudos improvisados para entrar em choque com a polícia em Kiev (21/1). Foto: APManifestantes protegidos com armaduras improvisadas se preparam para brigar com a polícia em Kiev (20/1). Foto: APManifestantes protegidos com armaduras improvisadas se preparam para brigar com a polícia em Kiev (20/1). Foto: AP

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Esses laços despertam receios em ativistas pró-democracia ucranianos de que a ascensão ao poder de Turchynov abra caminho para o retorno de Tymoshenko.

Elite

A ex-primeira-ministra foi condenada por abuso de poder em 2011 e presa por ordens do ex-presidente Yanukovych, seu rival. A prisão foi vista por muitos como uma vingança do presidente agora deposto. Os críticos de Tymoshenko a acusam de fazer parte da mesma elite política e econômica de Yanukovych. Ambos são da cidade industrial de Dnipropetrovsk, no leste do país, onde se fala predominantemente o russo.

Nascido em 1964, Turchynov estudou metalurgia e se envolveu pela primeira vez com a política como membro do Komsomol, divisão do Partido Comunista Soviético formada por jovens. Nessa época, ele se uniu à Plataforma Democrática, uma ala do partido que buscava uma reforma democrática da URSS e que liderou as primeiras movimentações soviéticas rumo ao pluralismo político.

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Em 1993, Turchynov passou a ser o conselheiro econômico do então primeiro-ministro Leonid Kuchma, que depois viria a assumir a presidência. No mesmo ano, foi um dos fundadores do partido de centro-esquerda Hromada. Logo Turchynov se juntou a Tymoshenko, uma magnata que buscava ampliar sua influência na política. Turchynov foi eleito pela primeira vez para o Parlamento em 1998.

Mas o partido Hromada acabou quando um de seus líderes, o ex-primeiro-ministro Pavlo Lazarenko, fugiu para os Estados Unidos em 1999, depois de ser acusado de roubar grandes somas de dinheiro durante sua gestão, entre 1996 e 1997.

Revolução Laranja

Turchynov e Tymoshenko fundaram, então, o partido Pátria, que se tornou um dos principais pilares da oposição ao então presidente Kuchma e de seu sucessor, Yanukovych.

Em 2004, Turchynov ajudou a administrar a campanha do lider da oposição, Viktor Yushchenko, que acabou derrotado por Yanukovych segundo a contagem de votos oficial. No entanto, houve denúncias de fraude a favor de Yanukovych, o que deu início à Revolução Laranja.

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Após os protestos de 2004, Yushchenko e Yulia Tymoshenko assumiram o poder como presidente e primeira-ministra, respectivamente, e Turchynov foi nomeado líder da agência de segurança doméstica da Ucrânia, a SBU, que assumiu o lugar da agência russa, a KGB.

Turchynov assumiu a missão de reformar o órgão. Prometeu que não o usaria como uma arma contra oponentes políticos, dando fim às escutas ilegais, o que resgatou a confiança da população do país na agência.

Mas ele perdeu o cargo após sete meses, quando Yushchenko entrou em atrito com Tymochenko, que foi deposta do cargo de primeira-ministra. Turchynov voltou ao governo como vice-primeiro-ministro quando Tymoshenko voltou ao poder, entre 2007 e 2010.

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Mulher chora em memorial para pessoas mortas em confrontos com a polícia na Praça da Independência em Kiev, Ucrânia

Durante a atual crise política ucraniana, Turchynov já havia sido nomeado presidente do Parlamento e primeiro-ministro interino. Depois que o ex-presidente foi deposto pela maioria dos votos parlamentares, Turchynov foi alçado à posição de presidente interino da Ucrânia.

Julgamento

Sob a liderança de Turchynov, a grande maioria do Parlamento votou a favor do julgamento do ex-presidente Viktor Yanukovych pela Tribunal Penal Internacional (TPI), sob a acusação de que ele se envolveu em "crimes graves".

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O ex-presidente é acusado de ser responsável por mais de 80 mortes durante os confrontos violentos entre a polícia e manifestantes ao longo da recente crise política do país. Os parlamentares também querem que o ex-ministro do Interior Vitali Zakharchenko e o ex-promotor-geral Viktor Pshonka sejam julgados.

Mas o país não é signatário da convenção do tribunal. Segundo a correspondente da BBC em Haia, Anna Holligan, o TPI não aceitaria automaticamente um caso trazido pela Ucrânia. O tribunal só é usado em último caso, quando um país não pode ou não está disposto a realizar o julgamento.

De acordo com um porta-voz do TPI, os Estados só podem pedir à corte para investigar uma série de eventos, não um indivíduo em particular. A decisão de processar essa pessoa tem de partir de um promotor do TPI.

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Um mandado de prisão foi expedido em nome de Yanukovych, que está desaparecido desde a semana passada. Relatos dão conta que ele foi visto em Balaklava, na Península da Crimeia, no domingo.

Eleições

As novas eleições presidenciais foram marcadas para 25 de maio. Vitali Klitschko, um dos líderes da oposição, confirmou que será candidato. Ele enfrentará Mykhaylo Dobkin, chefe da administração regional da cidade de Kharviv, que apoiava o ex-presidente Yanukovych.

"Está em curso um ataque aos direitos da população que fala russo e estão sendo adotadas leis que ameaçam todos aqueles que não aceitam o fascismo e o nazismo", disse Dobkin ao explicar por que decidiu ser candidato. Um porta-voz de Yulia Tymoshenko disse que ela ainda não decidiu se concorrerá.

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