Casa Branca vai atualizar governo brasileiro sobre 'política de vigilância'

Por BBC Brasil |

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Conselheira de Obama se reúne com chanceler do Brasil para garantir que EUA não espionarão líderes aliados

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A Casa Branca vai garantir ao governo brasileiro que tomou medidas para evitar a espionagem "desnecessária" de líderes de países aliados e vai detalhar como pretende igualar e elevar a proteção da privacidade de cidadãos estrangeiros à dos americanos monitorados eletronicamente.

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Chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo Machado, participa de coletiva em Brasília (2/9)

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A conversa será nesta quinta-feira em Washington entre a conselheira de Obama para a Segurança Nacional, Susan Rice, e o chanceler Luiz Alberto Figueiredo, que têm se reunido desde o início dos escândalos, no ano passado, para tentar reconstruir as relações abaladas pelas denúncias do ex-técnico da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden.

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O vice-conselheiro de Obama para Segurança Nacional, Ben Rhodes, disse na quarta-feira que "agora que fizemos uma série de decisões sobre nossas políticas de vigilância, é natural que atualizemos os brasileiros em primeira mão sobre essas decisões".

Ben Rhodes lembrou que, em um discurso no dia 17, Obama anunciou que o governo americano vai estender algumas das proteções aplicadas a cidadãos americanos para cidadãos não americanos no exterior, "como o tempo em que guardamos os metadados, como eles são pesquisados e quem têm acesso a eles".

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"Nós também colocamos nossas atividades de inteligência sob uma revisão política. Há mais revisões regulares da coleta de inteligência pela equipe de segurança nacional do presidente, para assegurar que seja focada em nossas prioridades e não em áreas desnecessárias", disse o assessor.

"Não esperamos que todos os países abracem ou aceitem totalmente nossa abordagem, mas achamos que com mais transparência e diálogos frequentes podemos pelo menos dar a esses países uma maior noção do que estamos e não estamos fazendo", afirmou.

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"Acho que avançamos muito com o Brasil, no sentido de compartilhar informações, deixando claro qual é o sujeito do nosso monitoramento e o que não é."

Reparando as relações

As relações com o Brasil, assim como com outros países incomodados com as revelações de espionagem no ano passado, serão uma das prioridades na agenda de política externa da Casa Branca neste ano, segundo o assessor de Obama.

Alemanha e México, outros dois países cujos chefes de Estado foram monitorados pelas agências americanas de inteligência, também estarão entre os países que os EUA devem cortejar diplomaticamente neste ano, disse Ben Rhodes.

Após os escândalos, a Casa Branca disse que não está monitorando nem pretende monitorar a chanceler alemã, Angela Merkel, cujas comunicações foram captadas pelos serviços secretos americanos, segundo a espionagem.

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O governo americano, porém, nunca emitiu publicamente um pedido de desculpas à presidente Dilma Rousseff, como foi reivindicado. Os comunicados emitidos após os encontros entre o ministro Figueiredo e Susan Rice até agora foram vagos.

Obama disse que os EUA "não vão monitorar as comunicações de chefes de Estado e governo de amigos e aliados próximos".

Mas o presidente fez uma ressalva – a existência de "motivo convincente de segurança nacional" –, não especificou quem são esses aliados nem por que a Casa Branca mereceria o voto de confiança apesar da escassez de justificativas.

Visita de Estado

Sempre que se manifesta sobre o assunto, o governo americano enfatiza que mantém aberto o convite para que a presidente Dilma faça uma visita de Estado a Washington assim que os dois países estiverem em condições de avançar em outros temas de uma pauta bilateral abrangente.

O adiamento da visita ocorreu, entre outras razões, porque os dois lados concordaram que os escândalos ofuscariam qualquer outro tema bilateral.

"Queremos recolocar o relacionamento em um patamar onde possamos ter essas discussões e eventualmente até nossas divergências em temas de inteligência, mas que possamos avançar na agenda mais ampla", disse Ben Rhodes.

"Deixaremos para a presidente Dilma Rousseff se manifestar sobre se está satisfeita ou se pretende ver outras medidas da parte dos Estados Unidos."

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