Unesco cancela mostra sobre o povo judeu e causa polêmica em Israel

Por BBC Brasil |

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Órgão da ONU cancelou exposição prevista para começar nesta segunda em Paris após críticas de 22 países árabes

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A decisão da Unesco de cancelar uma exposição sobre a relação do povo judeu com a Terra Santa, após criticas de 22 países árabes, desatou protestos em Israel e nos EUA.

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Manifestante palestino observa forças de segurança israelenses depois de protesto contra o governo de Israel em Nahal Oz, no leste da Cidade de Gaza

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De acordo com uma carta enviada pela diretora da exposição, Irina Bokova, aos organizadores do Centro Simon Wiesenthal, a razão do cancelamento da exposição que deveria ser aberta nesta segunda-feira em Paris é o "profundo compromisso da Unesco com o processo de paz".

"Temos a obrigação de garantir que os esforços atuais não sejam colocados em risco", afirmou Bokova, em referência às negociações de paz entre israelenses e palestinos, mediadas pelo secretário de Estado americano, John Kerry.

Bokova cancelou a mostra após as criticas dos paises árabes membros da Unesco. A diretora diz que busca consenso e declarou que "não ter outra alternativa" exceto levar as observações do grupo árabe em consideração.

A exposição, intitulada "Povo, Livro, Terra: A relação de 3,5 mil Anos do Povo Judeu com a Terra Santa", desperta a polêmica sobre a questão dos direitos históricos do povo judeu na região onde hoje se encontram o Estado de Israel e os territórios palestinos ocupados.

A mostra teria 30 painéis ilustrando a longa história dos judeus com a Terra Santa, dos dias do patriarca Abraão aos dias atuais, mostrando Israel como uma potência tecnológica.

Israel

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, protestou contra o cancelamento da exposição em Paris.

"A explicação dada foi que a exposição prejudicaria as negociações. A exposição não prejudicaria as negociações. Negociações são baseadas em fatos e na verdade, que nunca são prejudiciais", declarou o premiê.

"Mas o que sim prejudica as negociações é a convocação automática de embaixadores israelenses em certos países, por temas sem substância, enquanto violações significativas por parte da Autoridade Palestina passam sem qualquer reação", acrescentou Netanyahu, em referência à convocação feita por diversos países europeus para protestar contra a ampliação dos assentamentos israelenses nos territórios palestinos ocupados.

O Centro Wiesenthal declarou estar "indignado" com a decisão de Bokova e resolveu iniciar uma campanha contra o cancelamento da exposição.

O embaixador de Israel na Unesco, Nimrod Barkan, expressou-se em termos ainda mais duros e disse que "o pretexto para cancelar a exposição é malicioso e tolo e essa medida é inaceitável".

EUA

O governo americano também protestou contra o cancelamento e manifestou "preocupação" com a medida tomada pela Unesco. Fontes oficiais americanas afirmaram que os EUA "agirão para que a exposição seja aberta o quanto antes".

A embaixadora dos EUA na ONU, Samantha Power, também condenou a decisão e afirmou que a Unesco "supostamente deve incentivar o diálogo".

Essa não é a primeira vez que o conflito israelo-palestino desperta polêmicas ligadas à Unesco.

Vitória: Palestinos obtêm status de membro pleno da Unesco

Em outubro de 2011, a Unesco aceitou a Palestina como membro pleno da organização e foi a primeira agência internacional a conceder tal status à Autoridade Palestina desde que o presidente Mahmud Abbas entrou com o pedido de reconhecimento junto à Assembleia Geral da ONU, em setembro do mesmo ano.

A aceitação da Palestina desatou protestos de Israel e dos EUA, que afirmaram que a "medida unilateral prejudicaria o processo de paz". Naquela época os EUA chegaram a suspender o financiamento à Unesco, em protesto contra a aceitação da Palestina.

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