Violência pode ter matado milhares no Sudão do Sul, diz autoridade da ONU

Por BBC Brasil |

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Vítimas em hospitais do país indicam que 'essa não é uma crise com apenas centenas de mortos', diz Toby Lanzer

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Milhares podem ter sido mortos na última semana durante a onda de violência no Sudão do Sul, segundo disse à BBC um coordenador de ações humanitárias que está no país. "Foi uma semana devastadora para o Sudão do Sul", disse Toby Lanzer, que está na cidade de Bentiu, no Estado de Unity.

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Famílias recém-chegadas em base da ONU são vistas em Tomping, perto do aeroporto internacional de Juba, Sudão do Sul (24/12)

ONU: Conselho de Segurança aprova reforço de tropas no Sudão do Sul

O Conselho de Segurança da ONU aprovou na terça-feira, em decisão unânime, o envio de tropas para dobrar o número de capacetes azuis no país. Com o reforço, as tropas de paz devem chegar a 12,5 mil.

Mas cedo o presidente Salva Kiir afirmou que suas forças recapturaram a cidade estratégica de Bor, que havia sido invadida por rebeldes há alguns dias. Os insurgentes são liderados por Riek Machar (o ex-vice presidente), que pertence à etnia nuer. Eles estão lutando contra o presidente Kiir, da etnia dinka.

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A decisão das Nações Unidas de reforçar seu efetivo no país foi aprovada logo após a entidade revelar a descoberta de três valas comuns com dezenas de corpos de vítimas assassinadas. Uma delas fica em Bentiu, no norte, e outras duas na capital, Juba.

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Medo palpável

Lanzer afirmou ao programa Newshour da BBC: “Acho que é inegável a essa altura que milhares de pessoas devem ter perdido suas vidas.”

"Quando eu olhei para os hospitais em cidades importantes, e vi os hospitais da própria capital, a escala dos ferimentos, essa não é mais uma situação em que podemos dizer que somente centenas perderam suas vidas."

Lanzer disse também que o número de pessoas procurando refúgio dos combates é de "dezenas de milhares, se não centenas de milhares".

Ele afirmou que a tensão entre os grupos do Sudão do Sul é evidente a ponto de mais de 7,5 mil terem procurado abrigo próximo a uma única base da ONU. "Há discussões muito acaloradas, e a tensão às vezes aumenta diplomaticamente."

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Ele afirmou ter-se reunido com líderes comunitários da região e pedido que auxiliem na tarefa de acalmar os ânimos "para o bem de todas as mulheres e crianças e deles mesmos".

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Mulher desalojada por recente conflito no Sudão do Sul fuma cachimbo em acampamento improvisado da ONU em Jabel, perto da capital Juba (23/12)

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, afirmou: "Há um medo palpável entre os civis tanto da etnia dinka quando nuer de que eles serão mortos por questões étnicas."

A ONU afirma que ao menos 80 mil foram deslocados pela crise no país – e cerca de metade está procurando ajuda das Nações Unidas.

Na noite da terça-feira, o Conselho de Segurança da ONU votou e aprovou o aumento do efetivo das tropas de paz de 7 mil para 12,5 mil militares. As forças policiais da ONU devem ser elevadas de 900 para 1.323.

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O órgão autorizou a transferência temporária de tropas das missões de paz de Darfur e Abyei, da Costa do Marfim, da Libéria e da República Democrática do Congo – esta última missão chefiada militarmente pelo general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz.

O Conselho de Segurança pediu "um cessar imediato das hostilidades e uma abertura imediata do diálogo".

Solução política

O presidente Kiir disse mais cedo aos jornalistas em Juba que suas forças retomaram Bor e estão agora combatendo forças que permanecem na região. A tomada temporária de Bor, a 200 quilômetros de Juba, foi um dos maiores sucessos da campanha rebelde. Os insurgentes ainda estariam com o controle de Bentiu.

Reuters
Desalojado segura seu filho dentro da Missão da ONU no Sudão em Juba (19/12)

A rádio Tamazuj confirmou que tropas governamentais do Exército Popular de Libertação do Sudão lançaram ataques contra posições do comandante nuer e do desertor Peter Gadet.

O governo disse que também houve combates na cidade de Malakal e que suas tropas estariam prontas para atacar Bentiu. Tanto o presidente Kiir quanto o rebelde Machar afirmaram estar dispostos a dialogar.

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Entretanto, Machar disse que seus aliados políticos que estão presos devem ser libertados antes do início negociações. Kiir não impôs condições para o diálogo.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse na terça-feira que não há "solução militar para esse conflito. Essa é uma crise política que necessita de uma solução pacífica, política".

Kiir acusou Machar, quem expulsou do governo em julho, de planejar um golpe de Estado. Machar nega que esteja tentando tomar o poder. O Sudão sofreu com 22 anos de guerra civil que deixaram mais de um milhão de mortos antes da independência do Sudão do Sul em 2011.

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