País mais novo do mundo, Sudão do Sul tem 'matança étnica'; ONU pede reforços

Por BBC Brasil |

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Violência se intensificou desde início de disputa política entre o presidente (da etnia dinka) e o vice (da etnia nuer)

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A escalada de violência no Sudão do Sul nos últimos dias despertou preocupações na comunidade internacional de que o país – o mais novo do mundo – possa estar rumando para um conflito étnico.

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Mulher desalojada por recente conflito no Sudão do Sul fuma cachimbo em acampamento improvisado da ONU em Jabel, perto da capital Juba (23/12)

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Uma repórter na capital Juba disse ter ouvido testemunhas que relataram a matança de 200 pessoas – a maior parte delas da etnia nuer – por forças de segurança do governo.

Outra testemunha na capital disse que atiradores do grupo étnico dinka dispararam contra a população em áreas habitadas pelos nuer.

Os testemunhos – relatados para a BBC pela repórter Hannah McNeish – foram corroborados por outros pessoas que sobreviveram aos incidentes e estão refugiadas.

A violência intensificou-se desde que começou uma disputa política entre o presidente do país, Salva Kiir (da etnia dinka), e o vice-presidente Riek Machar (da etnia nuer) – que foi demitido e está foragido.

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As lideranças políticas negam estar por trás da violência. Mas, apesar disso, grupos rebeldes ligados a Machar assumiram o controle de diversas cidades ao longo da última semana. Dezenas de milhares deixaram suas casas.

Tropas da ONU

A escalada no número de mortos levou a ONU a estudar medidas. O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu que o Conselho de Segurança envie mais 5 mil soldados ao Sudão do Sul – que se somariam ao contingente de 7 mil já presentes no país desde segunda-feira.

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O secretário-geral prometeu investigar todas as denúncias de crimes contra humanidade. Na semana passada, dois soldados indianos da ONU foram mortos em um ataque a uma base da entidade.

Até agora, há oficialmente 500 mortos, mas agências humanitárias acreditam que o número pode ser muito maior. Outras 81 mil pessoas estão refugiadas – metade delas em acampamentos da ONU.

O presidente Kiir disse que a porta está aberta para uma negociação com Machar, desde que nenhuma condição seja imposta pelo político para iniciar o diálogo. No entanto, o ex-vice-presidente exige a libertação de aliados políticos seus para começar a negociação.

O Sudão do Sul tornou-se independente do Sudão em 2011, após 22 anos de guerra civil.

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