Sudão do Sul está à beira do 'precipício de uma guerra civil', alerta Obama

Por BBC Brasil |

compartilhe

Tamanho do texto

Confrontos iniciados na capital se espalham pelo país mais jovem do mundo; estima-se que ao menos 500 morreram

BBC

O presidente dos EUA, Barack Obama, alertou que o Sudão do Sul está à beira do "precipício" de uma guerra civil, depois que confrontos na capital, Juba, espalharam-se pelo país.

Conheça a home do Último Segundo

Reuters
Desalojado segura seu filho dentro da Missão da ONU no Sudão em Juba (19/12)

Quinta: Base da ONU é atacada no Sudão do Sul e pode haver vítimas

Acredita-se que a violência tenha deixado ao menos 500 mortos desde o último fim de semana, quando o presidente Salva Kiir acusou seu ex-vice, Riek Machar, de tentar dar um golpe de Estado.

Estima-se que 34 mil pessoas se refugiaram em um acampamento das Nações Unidas diante da escalada de violência.

Segundo analistas, o conflito reflete uma disputa política no coração do partido governista, mas pode ter desdobramentos de fundo étnico. O presidente Kiir pertence à etnia dinka, a mais numerosa do país, enquanto Machar é do grupo nuer, o segundo maior.

Após 'tentativa de golpe': Sudão do Sul impõe toque de recolher

No passado, houve conflito entre as etnias, e a disputa política entre o presidente e seu vice, agora foragido, pode, segundo analistas - e Obama - desembocar em uma guerra étnica.

O Sudão passou por guerra civil de 22 anos, que deixou mais de 1 milhão de mortos. Em 2011, o Sul se tornou independente.

'Guerra em todo o país'

"O Sudão do Sul está no precipício. Recentes combates ameaçam mergulhar novamente o Sudão do Sul nos dias sombrios de seu passado", disse o presidente Obama em uma carta ao Congresso.

O presidente do Conselho de Segurança da ONU, o francês Gerard Araud, também fez um alerta para a possibilidade de "guerra civil em todo o país" entre as comunidades dinka e nuer.

2011: Sudão do Sul se torna o mais novo país do mundo

Cerca de 20 mil pessoas se refugiaram na missão da ONU apenas na capital, Juba. Muitos deles disseram que sudaneses da etnia nuer foram alvejados nos combates.

Um dos agravantes em caso de exacerbação do conflito é o fato de o país estar repleto de armas após décadas de conflito.

No entanto, alguns analistas temem que o presidente possa estar se aproveitando do acirramento de ânimos para reprimir ou perseguir críticos - entre eles, seu ex-vice, a quem acusa de tentativa de golpe.

Machar critica Kiir por não ter cumprido a promessa de combater a corrupção após a independência e, em julho, havia se apresentando como postulante ao comando do partido governista.

Gado e petróleo

O Sudão do Sul é o mais novo país do mundo e faz fronteira com seis países da África Central.

O país é rico em petróleo, mas, após décadas de guerra civil, é também uma das regiões menos desenvolvidas do planeta - apenas 15% dos cidadãos têm telefone celular e há poucas estradas de asfalto em uma área maior do que a Espanha e Portugal juntos.

Sinais de tensão dentro do partido governista vieram a público em julho, quando o presidente demitiu seu vice.

Desde de que o Sudão do Sul votou pela independência em 2011, o novo país tem testemunhado pequenas rebeliões armadas, conflitos de fronteira e brigas por conta de posse de gado - a medida local de riqueza. Mas sempre em locais distantes da capital, Juba.

A principal preocupação do governo tem sido a de manter a produção de petróleo no país, que estava parada desde a independência e só foi retomada em abril.

Leia tudo sobre: sudão do sulkiirmacharobamaonu

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas