Líder sul-africano apoiou causa palestina, enquanto Israel tem longa história de colaboração com o apartheid

BBC

Os palestinos choram a morte de Nelson Mandela , que apoiou veementemente sua luta contra a ocupação israelense. Já em Israel a repercussão da morte do líder sul-africano inclui autocrítica pela longa história de colaboração do país com o regime do apartheid.

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Pôster com imagem do ex-presidente Nelson Mandela é exposto durante missa em sua homenagem na Igreja da Família Sagrada, em Ramallah, Cisjordânia
Reuters
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Logo depois da morte de Mandela, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, determinou que as bandeiras ficassem a meio mastro e decretou um dia de luto nacional. "O mundo e os palestinos perderam um grande líder, que sempre apoiou a causa palestina", declarou Abbas.

O líder do Hamas na Faixa de Gaza, Ismail Haniyeh, também lamentou a morte de Mandela e afirmou que ele "inspirou os palestinos a lutar por liberdade, união e democracia".

Homenagens

Neste domingo foram realizadas missas em cidades palestinas na Cisjordânia em homenagem a Mandela. A missa principal ocorreu na Basílica da Natividade, em Belém, com a presença de líderes palestinos e do embaixador da África do Sul.

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Na sexta-feira, manifestantes palestinos, que saíram às ruas de aldeias na Cisjordânia para protestar contra a construção do muro israelense, portavam fotos de Nelson Mandela.

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Marwan Barghouti, considerado o mais importante prisioneiro palestino detido por Israel, escreveu uma mensagem para Mandela de sua cela na prisão de Hadarim, onde se encontra desde 2002.

"De dentro da minha cela na prisão eu lhe digo que nossa liberdade parece possível depois que você conquistou a sua. O apartheid não venceu na África do Sul e não vencerá na Palestina", afirmou Barghouti, líder do partido Fatah e visto como um possível sucessor do presidente Abbas.

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Em sua mensagem, Barghouti lembrou a declaração de Mandela de que a liberdade dos sul-africanos "não será completa sem a liberdade dos palestinos".

Constrangimento

Silhueta de admirador de Mandela é vista em frente de janela com imagem de ex-presidente sul-africano na Igreja Regina Mundi, em Soweto (8/12)
AP
Silhueta de admirador de Mandela é vista em frente de janela com imagem de ex-presidente sul-africano na Igreja Regina Mundi, em Soweto (8/12)

A longa história de colaboração de Israel com a África do Sul durante o apartheid torna a repercussão da morte de Mandela no país bem mais complexa.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que Mandela era "uma das figuras exemplares de nossos tempos, o pai de seu povo, um visionário que lutou pela liberdade e se opôs à violência".

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Segundo o presidente Shimon Peres, "o mundo perdeu um líder de enorme grandeza, que mudou o rumo da História".

No entanto, vários analistas mencionam que durante o período em que Mandela lutava contra o apartheid, Israel vendia armas para o governo sul-africano e manteve essa aliança militar por vários anos, apesar do boicote generalizado da comunidade internacional.

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"Os dois líderes (Netanyahu e Peres) obviamente não mencionaram o fato histórico de que Israel manteve uma aliança vergonhosa com o regime racista quando este era considerado pária pela comunidade internacional", afirma o jornalista Arik Bender, no diário Maariv.

O governo israelense aderiu às sanções internacionais contra a África do Sul em 1987, dez anos após o embargo decretado pela comunidade internacional ao regime do apartheid.

Segundo o analista Hemi Shalev, em artigo no jornal Haaretz, "nós (israelenses) admiramos a luta corajosa de Mandela contra o apartheid e seu papel crucial na transição pacífica e democrática para o poder da maioria negra, mas sentimos um certo constrangimento por nosso apoio histórico a seus inimigos e também por sermos vistos como seus sucessores".

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