Pelo esporte, Mandela uniu negros e brancos na África do Sul

Por BBC Brasil |

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Ícone antiapartheid sul-africano percebeu no rúgbi grande oportunidade de unir a nação inteira pelo mesmo objetivo

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Mandela entrega taça da Copa do Mundo de Rúgbi a François Pienaar, capitão da seleção sul-africana (24 de junho de 1995)

Símbolo da luta pela igualdade racial na África do Sul, Nelson Mandela usou o esporte como grande arma para unir negros e brancos num país historicamente dividido pelas diferenças étnicas.

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Uma nação que ficou quase 50 anos (1948-1994) segregada pelo regime chamado apartheid – que permitiu que a minoria branca se mantivesse no poder e isolasse as outras etnias da vida política do país – se viu unida novamente por ocasião de um evento esportivo, a Copa do Mundo de Rúgbi.

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A África do Sul estava marcada para sediar o principal torneio de rúgbi do mundo, um ano depois que Mandela foi eleito presidente.

O contexto da África do Sul em 1995, porém, ainda contradizia os ideais do novo líder sul-africano. O preconceito entre brancos e negros ainda predominava nas ruas e havia até mesmo a tensão de que, a qualquer momento, uma guerra racial pudesse acontecer.

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Mandela viu em um dos esportes mais praticados no país a grande oportunidade de unir a nação inteira pelo mesmo objetivo.

E usou a própria seleção do país para isso. No time que disputou a Copa do Mundo de Rúgbi e que, historicamente, era formada somente por jogadores brancos, houve um integrante negro que ajudou Mandela a trazer todas as raças juntas na torcida pela equipe nacional. O resultado foi o histórico e inédito título do torneio.

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Antes disso, a equipe sul-africana era proibida de participar da competição por causa do apartheid. E, logo na primeira participação, jogando em casa e com o apoio de todas as suas raças, a África do Sul venceu a grande favorita Nova Zelândia na prorrogação por 15 a 12 e levantou o troféu.

O feito da seleção sul-africana teve grande participação do líder Nelson Mandela e entrou para a história como símbolo da unificação do país.

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Ao lado da mulher, Graça Machel, Mandela acena ao público antes da final da Copa do Mundo em Johanesburgo, em 11 de julho de 2010 - foi sua última aparição pública

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O presidente, inclusive, sempre acreditou no esporte como uma forma de unir as pessoas e participou de outras importantes conquistas da África do Sul. "O esporte tem o poder de mudar o mundo. Tem o poder de inspirar, tem o poder de unir as pessoas de um jeito que poucas coisas conseguem", dizia.

Em 1996, ele viu a Copa Africana de Nações ser realizada em solo sul-africano – após desistência do Quênia – e, mais uma vez, participou de uma conquista marcante no país, vendo a África do Sul ser campeã do principal torneio de futebol do continente. Mandela foi quem entregou o troféu à equipe.

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Alguns anos depois, Nelson Mandela participou da campanha para levar a Copa do Mundo – agora a de futebol – à África do Sul e foi aclamado pela multidão que lotou o Soccer City em Johanesburgo no dia da final do Mundial de 2010 – sua última aparição em público.

Personagens do esporte prestam homenagens

Com a morte do ícone da luta contra o apartheid, alguns dos principais nomes do esporte prestaram homenagens ao líder sul-africano.

Da Costa do Sauípe, na Bahia, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, saudou aquele a quem chamou de "um dos maiores líderes do seu tempo.”

"Ele foi homenageado e ovacionado por uma multidão em 11 de junho de 2010, no estádio Soccer City de Johannesburgo, antes do jogo de abertura. Foi um dos momentos mais emocionantes da minha vida. Para ele, ver a Copa do Mundo na África do Sul foi o sonho que virou realidade", escreveu o dirigente em nota oficial.

Veja as homenagens a Mandela na África do Sul:

Pessoas se dão as mão enquanto reverendo Ndumiso Gawe lidera prece do lado de fora da casa de ex-presidente Nelson Mandela em Johanesburgo, África do Sul (8/12). Foto: APMulher segura bíblia e programação durante serviço religioso em Soweto (8/12). Foto: ReutersWinnie Madikizela-Mandela (E), ex-mulher de Nelson Mandela, chega para missa na Igreja de Bryanston Methodist, em Johanesburgo (8/12). Foto: APWinnie Madikizela-Mandela, ex-mulher de Nelson Mandela (E), e o presidente sul-africano, Jacob Zuma (C), rezam em honra de Mandela em Johanesburgo (8/12). Foto: APJovens de coro participam de missa matinal em memória de Nelson Mandela na Igreja Regina Mundi, em Soweto (8/12). Foto: APFoto do ex-presidente sul-africano é cercada de flores, velas e mensagens de condolência na Praça Nelson Mandela em Sandton, Johanesburgo (8/12). Foto: APMulher canta durante serviço religioso para o ex-presidente Nelson Mandela na Igreja Regina Mundi, em Soweto (8/12). Foto: ReutersFiel cristão reza em colina sobre Johanesburgo no dia de prece em honra a Mandela (8/12)
. Foto: APGrupo de admiradores de Mandela cantam e dançam do lado de fora de sua casa em Johanesburgo, África do Sul (7/12). Foto: APCriança possa para foto perto de flores e mensagens deixadas em frente da antiga casa de Mandela no Soweto, África do Sul (7/12). Foto: APMulher passa em frente de mural de Mandela na Cidade do Cabo, África do Sul (7/12). Foto: APMenina carregada pelo pai segura flor do lado de fora de casa de Mandela em Johanesburgo (7/12)
. Foto: APMenino com bandeira sul-africana se prepara para colocar flor em memorial improvisado para Mandela em Pretória (7/12). Foto: APPessoas lamentam morte de Mandela durante encontro na rua Vilakazi, no Soweto (6/12). Foto: ReutersCriança coberta com tecido com imagem de ex-presidente Nelson Mandela é vista do lado de fora de sua antiga casa, agora museu, em Soweto (6/12). Foto: APEm cartaz com a foto de Nelson Mandela, sul-africanos deixam mensagens de homenagem em Soweto (6/12). Foto: ReutersCom velas e muitas flores, sul-africanos se reuniram na frente da casa onde Nelson Mandela vivia para prestar homenagens (6/12). Foto: APCrianças seguram pôrteres de ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela durante encontro na rua de Vilakazie, em Soweto (6/12). Foto: ReutersCrianças são vistas cantando e dançando do lado de fora da antiga casa, agora museu, do ex-presidente em Soweto (6/12). Foto: ReutersHomem se emociona durante homenagem do lado de fora da antiga casa do líder antiapartheid, em Soweto (6/12). Foto: ReutersSul-africana se emociona durante homenagem na frente da casa onde Nelson Mandela vivia em Johanesburgo (6/12). Foto: ReutersPessoas se abraçam e se consolam do lado de fora da casa onde Nelson Mandela vivia, em Johanesburgo (6/12). Foto: ReutersCrianças colocam flores em volta de imagem de Nelson Mandela. Sul-africanos prestaram tributo ao ex-presidente (6/12). Foto: ReutersSegurando a imagem de Nelson Mandela, homem canta e dança junto a um grupo. Eles se reuniram lado de fora da antiga casa do ex-presidente em Soweto (6/12). Foto: ReutersMenina canta e segura vela durante homenagem ao ex-presidente Nelson Mandela, em Johanesburgo (6/12). Foto: ReutersMulher acende vela em homenagem ao ex-presidente Nelson Mandela em Soweto (6/12). Foto: ReutersHomem exibe camiseta com a imagem do ex-presidente Nelson Mandela em Johanesburgo (6/12). Foto: APMulheres prestam homenagem ao ex-presidente da África do Sul, conhecido mundialmente por sua luta contra o apartheid (6/12). Foto: ReutersSul-africano exibe camisa com a imagem de Nelson Mandela e dança em homenagem ao ex-presidente, que morreu aos 95 anos (6/12). Foto: ReutersMulheres se abraçam e se consolam em Soweto. O ex-presidente morou na região (6/12). Foto: ReutersRetrato de Nelson Mandela é visto em muro em Soweto, África do Sul (6/12). Foto: APMulher segura vela e se emociona durante homenagem ao líder sul-africano Nelson Mandela, que morreu aos 95 anos (6/12). Foto: ReutersGrupo canta e dança na frente da casa do ex-presidente Nelson Mandela (6/12). Foto: APMulheres lamentam morte do ícone antiapartheid Nelson Mandela do lado de fora de sua casa em Johanesburgo (6/12). Foto: APO arcebispo emérito Desmond Tutu (D) lidera uma missa em memória do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela na Catedral de St George, na Cidade do Cabo (6/12). Foto: APAbraçada com criança, mulher chora a morte do ícone antiapartheid. Sul-africanos prestaram homenagens na frente da casa de Mandela (6/12). Foto: AP

"Com Nelson Mandela compartilho a profunda convicção de que o futebol tem o poder de unir o ser humano de forma pacífica e amistosa, expressando valores sociais e educativos como numa escola da vida", acrescentou.

Pelé também se manifestou via Twitter. "Nelson Mandela foi uma das maiores influências na minha vida. Vamos todos nós continuar seu legado com propósito e paixão."

Joost van der Westhuizen, que jogou a Copa do Mundo de Rúgbi de 1995 pela África do Sul, usou a mesma rede social para enviar as condolências à família Mandela: "Um dia triste para o nosso país. Descanse em paz, Madiba. Minhas condolências para família e amigos."

Membros do time de rúgbi atual também prestaram sua homenagem. Bryan Gary Habana, jogador da seleção sul-africana, agradeceu pela "inspiração e esperança" deixadas por Mandela. "Que seu legado fique para sempre", completou.

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